Quem traz um get e o perdeu: se o achou imediatamente, é válido; e se não, é inválido. Se o achou numa bolsa ou num estojo, se o reconhece, é válido. Quem traz um get e o deixou com um velho ou um doente, entrega-o a ela com a presunção de que ele está vivo. Uma filha de Israel casada com um cohen, cujo marido foi para terras distantes, come da teruma com a presunção de que ele está vivo. Quem envia sua oferenda pelo pecado de terras distantes — oferecem-na com a presunção de que ele está vivo. — Um mensageiro que perde o get que trazia, se o reencontra no mesmo instante, no mesmo lugar, pode presumir que é o mesmo documento — mas se demora, teme-se que outro get, de nomes coincidentes, tenha caído ali por outra pessoa, e por isso é inválido. Se o achou dentro de sua própria bolsa ou estojo, reconhecível como seu, ou se ele mesmo reconhece o documento por algum sinal, é válido mesmo depois de muito tempo. A segunda parte da mishná estabelece um princípio mais amplo: sempre que a última informação conhecida é que uma pessoa está viva, presume-se que continua viva até haver prova em contrário — por isso o mensageiro que deixou o get com o marido, já velho ou doente, ainda pode entregá-lo à mulher; a esposa de um cohen cujo marido viajou para longe continua comendo da teruma sacerdotal; e a oferenda pelo pecado enviada de terras distantes é oferecida no altar, sem que se exija confirmação renovada de que o remetente ainda vive.
Rambam, no Perush HaMishná, distingue os dois cenários de get perdido e explica o alcance geral do princípio da presunção de vida.
Rambam explica que "imediatamente" significa sem que dê tempo de outra pessoa passar por ali, e que se as testemunhas têm um sinal claro sobre o get perdido — por exemplo, um furo junto a determinada letra, ou o fato de nunca terem testemunhado outro get com esses mesmos nomes — o documento é válido mesmo após tempo considerável. Isso se aplica quando a perda ocorreu em lugar onde caravanas costumam passar, gerando a dúvida de que o get encontrado pertença a outra pessoa; mas onde não há esse trânsito, o get é válido mesmo achado depois. Rambam esclarece ainda que a oferenda pelo pecado mencionada aqui é a oferenda de ave, ou de culpa, que não requer imposição de mãos — pois um princípio fundamental é que "a oferenda cujo dono morreu deve morrer" (ser deixada para morrer sem ser oferecida), e por isso, se ficasse comprovado que o remetente morreu antes de a oferenda ser sacrificada, ela não poderia ser oferecida. Da mesma forma, é princípio fundamental que "não há get depois da morte" — se a morte do marido for confirmada antes de o get chegar às mãos da mulher, o get é invalidado e ela permanece vinculada ao levirato.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Guitin 27a e 28a), além de Rambam e Bartenura.
Rashi explica que a preocupação, quando o get não é reencontrado de imediato, é que ele tenha caído de outra pessoa que passou por ali, e não seja o mesmo documento — por isso, no lugar onde caravanas costumam passar, a demora invalida o achado. Sobre a fórmula "com a presunção de que está vivo", Rashi remete à regra derivada da própria Torá — "mantenha-se a coisa em sua presunção" (ha'amed davar al chezkató) — segundo a qual, não havendo indicação em contrário, presume-se a continuidade do último estado conhecido: não se teme que o marido tenha morrido enquanto o get estava em trânsito, invalidando a missão do mensageiro; e, quanto à oferenda pelo pecado enviada de longe, não se teme que o remetente tenha morrido, pois a oferenda de quem morre antes de ser sacrificada deve ser deixada para morrer.
Rambam identifica a "chafisá" e a "delusquemá" como bolsas ou estojos comuns onde se guardam documentos, e explica que, se o mensageiro reconhece o próprio estojo, ou reconhece o próprio get por algum sinal, ele é válido independentemente de onde foi encontrado ou de quanto tempo se passou. Explica também que o princípio da presunção de vida — aplicado ao marido idoso ou doente, à mulher do cohen, e ao remetente da oferenda — deriva da regra geral de que, sem prova em contrário, mantém-se a situação em seu último estado conhecido.
Bartenura precisa que a regra de "se não for imediatamente, inválido" aplica-se apenas quando a perda ocorreu em lugar de trânsito de caravanas, pois há razão para supor que o get encontrado tenha caído de outro viajante; mas em lugar sem esse trânsito, o get é válido mesmo achado muito tempo depois. E, mesmo em lugar de trânsito, se as testemunhas têm um sinal claro no documento — como um furo junto a determinada letra, ou a afirmação de que nunca testemunharam outro get com aqueles mesmos nomes senão este — o get é válido, ainda que achado tardiamente. Sobre a presunção de vida, explica que ela vale porque "mantém-se a coisa em sua última condição conhecida"; mas se ficar sabido que o marido morreu antes de o get chegar às mãos da mulher, o get é anulado, pois não há get depois da morte.