Quem escreve os formulários-padrão de guitin deve deixar o lugar do homem, o lugar da mulher e o lugar da data. Documentos de empréstimo: deve deixar o lugar do credor, o lugar do devedor, o lugar do dinheiro e o lugar da data. Documentos de compra: deve deixar o lugar do comprador, o lugar do vendedor, o lugar do dinheiro, o lugar do campo e o lugar da data — por causa da instituição. Rabi Yehudá invalida em todos eles. Rabi Elazar valida em todos eles, exceto os guitin de mulheres, pois está dito: "e escreverá para ela" — para o nome dela. — Um escrivão profissional, para não perder clientes enquanto está ocupado com outros documentos, pode preparar de antemão o texto-padrão comum a todos os guitin (ou empréstimos, ou compras), deixando em branco apenas o que é específico de cada transação: os nomes das partes, o valor, a descrição do campo, e a data. Essa prática foi permitida "por causa da instituição" — para que o escrivão não fique ocioso e sempre tenha algo pronto para completar rapidamente. Rabi Yehudá teme que, se permitido escrever o texto-padrão antecipadamente, o escrivão acabe também escrevendo a parte específica (o toref) antes de saber quem são as partes — e por isso invalida todos os documentos assim preparados. Rabi Elazar não tem esse receio quanto a documentos comerciais comuns, mas faz exceção exatamente para o get, pois a Torá exige "e escreverá para ela" — a intenção de divorciar aquela mulher específica deve estar presente já no momento da escrita, o que exclui qualquer preparação genérica do texto principal.
A mishná ancora a exceção do get diretamente no versículo que institui o próprio divórcio na Torá.
Nota: A mishná lê a expressão "e escreverá para ela" (וְכָתַב לָהּ) não apenas como indicação de que o marido deve entregar o documento à mulher, mas como exigência de que a própria redação do get seja feita com a intenção voltada a ela — "לִשְׁמָהּ", para o seu nome. É esse requisito exclusivo do get, ausente nos documentos comerciais comuns, que leva Rabi Elazar a permitir o formulário-padrão pré-escrito para empréstimos e compras, mas proibi-lo terminantemente para guitin.
Rambam, no Perush HaMishná, explica o raciocínio de cada opinião e conclui que a halachá segue Rabi Elazar.
Rambam explica que Rabi Yehudá receia que, permitindo-se escrever o texto-padrão (tofes) antecipadamente, chegue-se por extensão a também escrever a parte específica (toref) do documento sem saber ainda quem são as partes — por isso invalida todos os formulários pré-escritos, tanto de guitin quanto de documentos comerciais. Rabi Elazar não estende essa preocupação aos documentos comerciais comuns, permitindo que o escrivão prepare de antemão apenas o texto-padrão, deixando os espaços específicos em branco — "por causa da instituição" que visa evitar o desemprego do escrivão. Quanto ao get, porém, mesmo Rabi Elazar concorda que se deve decretar contra o texto-padrão pré-escrito, por temor de que se confunda com a parte específica — e a Torá exige expressamente que ele seja escrito "para o nome dela". Rambam conclui que a halachá segue Rabi Elazar.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Guitin 26a), além de Rambam e Bartenura.
Rashi explica que o escrivão profissional prepara antecipadamente o texto-padrão porque, quando alguém chega para contratá-lo, ele muitas vezes está ocupado com outros documentos — por isso é útil ter formulários prontos, aos quais faltam apenas os dados específicos. A razão de deixar os espaços em branco, explica Rashi, é dupla: por um lado, se o escrivão vir sinal de discórdia entre as partes que o contrataram, não terá se comprometido prematuramente a escrever todo o get; por outro, mesmo sem essa preocupação, o texto principal — nomes, valor, data — não pode ser preenchido antes que as partes estejam de fato definidas, para não se produzir um documento com data adiantada ou destinado a pessoa incerta. Sobre a divergência final, Rashi nota que tanto Rabi Yehudá quanto Rabi Elazar concordam que os documentos comerciais podem ser preparados com texto-padrão pronto — a disputa entre eles gira em torno de estender essa permissão de modo a também abranger, por analogia, o get.
Rambam resume a lógica da disputa como uma questão de decreto rabínico: Rabi Yehudá teme que, permitindo o texto-padrão pré-escrito, chegue-se a também escrever a parte específica do documento antes de saber a quem ele se destina — produzindo um "caco qualquer" sem valor legal, caso os nomes preenchidos depois não correspondam a ninguém real. Por isso proíbe toda a prática. Rabi Elazar não vê esse risco nos documentos comerciais, mas reconhece a gravidade do get, cuja validade depende inteiramente da intenção presente no momento da escrita.
Bartenura confirma que a Guemará amplia a explicação da mishná: além de deixar em branco os lugares do homem, da mulher e da data, deve-se também deixar em branco o espaço para a fórmula final "eis que estás livre para qualquer homem" — parte essencial do get. Explica que a permissão para preparar o formulário-padrão de empréstimos e compras existe apenas por causa da instituição em favor do escrivão, contanto que se reserve o texto específico para ser escrito no nome das partes reais; e que, quanto ao get, decreta-se contra o texto-padrão por temor de que se confunda com a parte específica, já que a Torá exige "e escreverá para ela — para o nome dela". Conclui que a halachá segue Rabi Elazar.