Este é teu get se eu não voltar daqui até trinta dias — e ele estava indo da Judeia para a Galileia, chegou a Antipatris e voltou: sua condição está anulada. Este é teu get se eu não voltar daqui até trinta dias — e ele estava indo da Galileia para a Judeia, e chegou a Kfar Otnai e voltou: sua condição está anulada. Este é teu get se eu não voltar daqui até trinta dias — e ele estava indo à terra do mar e chegou a Acre e voltou: sua condição está anulada. Este é teu get todas as vezes em que eu me ausentar da tua presença por trinta dias — ele ia e vinha, ia e vinha; visto que não se recludiu com ela, eis que este é get. — Esta mishná examina um tipo de get condicionado à ausência prolongada do marido em viagem: "este é teu get se eu não voltar daqui até trinta dias". A Guemará explica que, por trás dessa fórmula aparentemente simples, o marido estava na verdade estabelecendo duas condições combinadas: se ele chegasse ao destino pretendido (a Galileia, a Judeia ou o exterior), o get valeria de imediato; mas se ele não chegasse ao destino e apenas permanecesse ausente pelo caminho por trinta dias sem retornar, o get também valeria — e só não valeria se ele voltasse dentro do prazo sem ter alcançado o destino. A mishná traz três casos idênticos em estrutura, cada um situando um marco geográfico que serve de fronteira simbólica: Antipatris, no limite da Judeia, para quem viaja da Judeia à Galileia; Kfar Otnai, no limite da Galileia, para quem viaja da Galileia à Judeia; e Acre, no limite de Eretz Israel, para quem viaja rumo ao exterior ("a terra do mar"). Em cada um desses casos, se o marido chega exatamente até esse marco fronteiriço — ou seja, ele efetivamente saiu de sua própria região de origem, mas ainda não entrou verdadeiramente na região de destino — e então volta atrás imediatamente, sem completar a viagem, sua condição original fica inteiramente anulada: ele não cumpriu nem a condição de "chegar ao destino" nem a condição de "permanecer ausente trinta dias" (pois voltou logo), de modo que, mesmo que depois volte a viajar e desta vez fique ausente por mais de trinta dias, o get já não se ativa mais, pois aquela condição específica se esgotou e anulou-se no momento em que ele tocou o marco fronteiriço e retornou. A mishná fecha com um caso estruturalmente diferente: "este é teu get toda vez que eu me ausentar de tua presença por trinta dias" — aqui a condição não está ligada a um destino de viagem específico, mas simplesmente à ausência contínua de trinta dias consecutivos, verificada em relação à esposa e não a um lugar geográfico. Por isso, mesmo que o marido tenha ido e voltado repetidamente antes disso — sem nunca completar os trinta dias seguidos —, essas idas e vindas anteriores não anulam a condição, precisamente porque, ao longo de todo esse tempo, ele nunca se recludiu com ela (o que poderia sugerir uma reconciliação que cancelasse o get); assim que ele finalmente completar trinta dias consecutivos de ausência, o get se ativa plenamente.
Rambam, no Perush HaMishná, identifica as três localidades geográficas e explica a estrutura dupla das condições; Bartenura detalha o mecanismo interno de cada caso e a base para a última cláusula da mishná.
Rambam identifica Antipatris como um lugar na terra da Judeia, Kfar Otnai como um lugar na terra da Galileia, e Acre como cidade situada na fronteira de Eretz Israel. E esclarece que, quando a mishná menciona idas e vindas repetidas, o ponto é que o get resultante é plenamente válido e não é considerado um "get velho" (isto é, um get cuja condição já se cumpriu havia muito tempo, gerando suspeita) — mas ela não se divorcia de forma alguma até que ele esteja ausente da região por trinta dias consecutivos e ininterruptos.
Bartenura explica, com base na Guemará, que por trás da fórmula aparentemente simples da mishná há duas condições combinadas: se o marido chegasse à Galileia, o get valeria de imediato; e se não chegasse à Galileia, mas permanecesse ausente por trinta dias sem retornar, o get também valeria; mas se não se realizasse nenhuma das duas coisas, o get não valeria. Por isso, ao chegar apenas até Antipatris — limite da Judeia, ainda fora da Galileia — e voltar antes de completar trinta dias, nenhuma das duas condições se cumpriu, e a condição fica anulada, mesmo que ele venha depois a se ausentar por mais de trinta dias em uma segunda viagem.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Guitin 76a), além de Rambam e Bartenura.
Rashi esclarece que "chegou a Antipatris e voltou" significa que voltou imediatamente, sem demora. E explica o sentido pleno de "sua condição está anulada": o marido não pode mais divorciá-la com base nessa condição original, mesmo que depois volte a viajar até a Galileia e desta vez permaneça ausente por trinta dias — pois, no entendimento que a Guemará apresenta, Antipatris já era considerada o início do território da Galileia, de modo que, segundo a primeira condição estabelecida ("se eu chegar à Galileia, é get imediato"), ele já havia "chegado" e depois retornou sem completar os trinta dias — anulando definitivamente aquela condição específica.
Rambam resume com clareza a estrutura dupla que sustenta toda a mishná: o marido, em essência, estabeleceu duas vias alternativas para que o get se ative — chegar ao destino, ou permanecer ausente por trinta dias mesmo sem chegar — e apenas quando nenhuma das duas se realiza (como no caso de chegar ao marco fronteiriço e retornar de imediato) é que a condição fica completamente anulada, sem possibilidade de reativação numa viagem posterior.
Bartenura explica que, na fórmula final da mishná — "toda vez que eu me ausentar de tua presença por trinta dias" —, mesmo idas e vindas repetidas não cancelam a condição, precisamente porque o casal nunca se recludiu durante esse tempo, o que afasta a preocupação de uma reconciliação oculta. E acrescenta, com base na Guemará, que esta halachá pressupõe que o marido, no momento de formular a condição, tenha dito explicitamente que confia nela "como cem testemunhas" para declarar, sempre que quiser, que não houve reclusão nem reconciliação — pois, sem essa declaração prévia de confiança, haveria sempre a preocupação de que o marido viesse depois contestar e alegar que de fato houve reconciliação.