Este é teu get sob a condição de que sirvas a meu pai; sob a condição de que amamentes meu filho — quanto tempo dura sua amamentação? Dois anos. Rabi Yehuda diz: dezoito meses. Se morreu o filho ou morreu o pai, eis que este é get. Este é teu get sob a condição de que sirvas a meu pai por dois anos; sob a condição de que amamentes meu filho por dois anos — se morreu o filho, ou morreu o pai, ou o pai disse: Não quero que me sirvas, sem irritação, não é get. Rabban Shimon ben Gamliel diz: caso como este é get. Rabban Shimon ben Gamliel disse um princípio: toda impedimento que não provém dela, eis que este é get. — Esta mishná trata de condições de serviço impostas pelo marido: servir seu pai (ou seja, o sogro da esposa) ou amamentar o filho que ele tem, presumivelmente de um casamento anterior ou de outra relação. Quando o marido formula a condição sem especificar por quanto tempo — apenas "sob a condição de que sirvas meu pai" ou "amamentes meu filho" —, a regra é que toda condição formulada de modo genérico, sem prazo definido, equivale na prática a um único dia: basta que ela sirva o sogro por um dia, ou amamente a criança por um dia dentro do período em que a amamentação é normalmente relevante (que a mishná fixa em dois anos, segundo os sábios, ou dezoito meses segundo Rabi Yehuda), para que a condição se considere cumprida. Por essa razão, se o filho morre ou o pai morre antes mesmo que se complete esse único dia mínimo de cumprimento, o get ainda assim é válido — pois o objetivo do marido, ao formular a condição de modo tão vago, evidentemente não era exigir dela um compromisso realmente prolongado, mas apenas garantir alguma vantagem simbólica temporária. A situação muda quando o marido especifica explicitamente um prazo determinado — "sob a condição de que sirvas meu pai por dois anos" ou "amamentes meu filho por dois anos" — e então, antes que esses dois anos se completem, o filho morre, ou o pai morre, ou o próprio pai declara "não quero mais que me sirvas", sem que isso tenha sido causado por qualquer provocação ou mau comportamento da nora. Nesse caso, segundo a posição dos sábios (implícita na primeira parte anônima da mishná), o get não é válido, pois a condição explícita de dois anos não foi cumprida — mesmo que a interrupção não tenha sido culpa da esposa. Rabban Shimon ben Gamliel discorda vigorosamente: em um caso como este, o get é válido, e ele formula então o princípio geral que orienta toda sua posição: sempre que o impedimento ao cumprimento da condição não provém da própria mulher — isto é, quando a impossibilidade de cumprir a condição surge por causas alheias a ela, fora de seu controle —, o get é considerado válido, pois seria injusto puni-la por uma falha de cumprimento que não lhe pode ser atribuída.
Rambam, no Perush HaMishná, explica por que a condição sem prazo se reduz a um único dia, e detalha o proveito real por trás da halachá da amamentação — inclusive a proibição de casar com mulher grávida ou lactante; Bartenura confirma o princípio e as decisões finais.
Rambam esclarece que, quando o marido não especifica prazo, ele não está exigindo dela dois anos completos de amamentação — a condição foi formulada de modo genérico, e o princípio geral é que toda condição genérica equivale, na prática, a exigir apenas um único dia de cumprimento. Os dois anos servem apenas para definir dentro de qual período esse único dia deve ocorrer — o período reconhecido de amamentação. Rambam acrescenta que é proibido casar-se com mulher grávida ou lactante durante todo esse período de dois anos, mesmo tendo entregado o filho a outra ama, exceto em circunstâncias especiais, e que a lei final não segue nem Rabi Yehuda nem Rabban Shimon ben Gamliel.
Bartenura confirma, a partir da Guemará, que toda condição sem prazo especificado equivale a exigir o cumprimento por um único dia. E explica por que a morte do filho ou do pai, mesmo dentro do prazo explícito de dois anos, ainda assim resulta em get válido: porque a intenção do marido, ao formular essa condição, nunca foi causar sofrimento a ela, mas apenas obter algum proveito próprio — e, uma vez que esse proveito se tornou impossível por circunstâncias alheias a ambos, não há razão para invalidar o divórcio.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Guitin 75b), além de Rambam e Bartenura.
Rashi explica que "dois anos" define o período em que a criança precisa de amamentação — esse é o tempo natural de amamentar —, e a mesma referência temporal vale para o serviço ao pai, entendido como podendo se estender por toda a vida dele, mas cujo cumprimento mínimo se dá em um único dia dentro desse período. Sobre a opinião de Rabi Yehuda, esclarece que ele considera o tempo de amamentação de um bebê como se estendendo apenas até os dezoito meses. E sobre "eis que este é get" mesmo com a morte do filho ou do pai antes do prazo, Rashi explica que, como o marido não especificou nada além da condição genérica, sua intenção não era senão obter proveito durante os dias em que efetivamente precisasse do serviço ou da amamentação — e a partir do momento em que essa necessidade cessa (pela morte), ele simplesmente não precisa mais, e a condição se considera satisfeita.
Rambam acrescenta uma nota halachica ampla sobre o contexto: é proibido, entre nós, casar-se com uma mulher grávida ou lactante durante todos esses dois anos — mesmo que ela já tenha entregue seu filho a outra ama para amamentar —, salvo em circunstâncias especiais; e, quando há preocupação de que um herdeiro interessado na herança possa causar mal à criança, não se permite que ela amamente senão na presença de testemunhas, refletindo a seriedade com que a tradição trata a proteção da criança nesse contexto.
Bartenura esclarece que, mesmo quando o pai recusa o serviço da nora "sem irritação" — isto é, sem que ela o tenha provocado de nenhuma forma —, ainda assim, segundo os sábios, o get não é válido, porque a condição explícita de dois anos não se cumpriu; e com mais razão isso vale se a recusa foi motivada por irritação real causada pela nora. Rabban Shimon ben Gamliel discorda precisamente porque, não havendo culpa alguma da parte dela, o impedimento não pode ser atribuído a ela — mas Bartenura confirma que a lei final não segue Rabban Shimon ben Gamliel.