Este é teu get se eu não voltar daqui até doze meses — e ele morreu dentro de doze meses: não é get. Este é teu get desde agora, se eu não voltar daqui até doze meses — e ele morreu dentro de doze meses: eis que este é get. — Esta mishná retoma, num novo cenário, o princípio fundamental já estabelecido na terceira mishná deste perek: não há get que entre em vigor depois da morte do marido. Aqui o contexto é o de uma viagem prolongada: o marido, antes de partir, diz à esposa "este é teu get se eu não voltar daqui até doze meses" — uma fórmula que, à primeira vista, parece estabelecer uma condição clara sobre seu retorno. Mas, sem a palavra "desde agora" (me'achshav), o sentido natural da frase é que o get só se ativaria no momento em que se tornasse certo que os doze meses se esgotaram sem seu retorno — ou seja, apenas ao final do prazo. Se, portanto, o marido morre durante esses doze meses, antes que o prazo se complete e a condição de "não retornar" se confirme definitivamente, o get não tem validade alguma: ele nunca chegou a entrar em vigor enquanto o marido estava vivo, e um get não pode ganhar efeito depois da morte. A esposa, nesse caso, fica na situação de viúva comum, sujeita ao vínculo do levirato se não houver filhos. A situação se inverte completamente quando o marido acrescenta a palavra "desde agora": "este é teu get desde agora, se eu não voltar daqui até doze meses". Aqui, a condição ainda depende do não retorno dentro do prazo, mas o efeito do get, uma vez cumprida essa condição, retroage ao momento exato em que ele foi entregue — "desde agora". Por isso, se o marido morre dentro dos doze meses (o que automaticamente confirma que ele "não voltou", já que a morte torna o retorno impossível), a condição se cumpre, e o get é válido retroativamente desde o momento em que foi originalmente entregue — muito antes de sua morte. Esta mishná ilustra de forma direta e prática o poder transformador da fórmula "desde agora" (me'achshav) sobre qualquer condição ligada a eventos futuros incertos, inclusive a própria morte.
Rambam, no Perush HaMishná, resume a consequência prática do primeiro caso — a viúva presa ao levirato até o fim dos doze meses; Bartenura formula o mesmo raciocínio já visto na quarta mishná deste perek, aplicado agora ao prazo de doze meses.
Rambam resume a consequência prática do primeiro caso da mishná: como o get não é válido se o marido morre antes de se confirmar definitivamente que não retornará, a viúva permanece presa ao vínculo do levirato, e não pode se casar com outro homem senão por meio de chalitzá — e mesmo essa liberação só pode ocorrer depois que se completarem os doze meses, quando finalmente se confirma que o marido não voltaria de qualquer forma.
Bartenura explica que, sem a palavra "desde agora", o sentido natural da fórmula é que o get só teria efeito depois de completados os doze meses — e, como o marido morreu antes disso, o get nunca chegou a entrar em vigor, restando a esposa presa ao vínculo do levirato como qualquer viúva sem get.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Guitin 76b), além de Rambam e Bartenura. Esta mishná e a seguinte (7:9) formam, no Talmud Bavli, uma única unidade de mishná e guemará, encerrada em 77a antes de "הזורק גט", que abre o Perek Chet.
Rashi confirma a leitura direta da mishná: como o marido não disse "desde agora", o sentido natural da fórmula é que o get só teria efeito depois de completados os doze meses — e, tendo ele morrido dentro desse prazo, antes que o get pudesse entrar em vigor, a esposa permanece sujeita ao levirato, como se nenhum get tivesse sido dado.
Rambam reforça a consequência de que a viúva não pode se casar com outro homem senão por chalitzá, e apenas depois de completados os doze meses — reafirmando que a estrutura temporal da condição é o que determina, em última instância, se o get chegou ou não a produzir efeito antes da morte do marido.
Bartenura repete a mesma explicação central, enfatizando que toda a distinção entre os dois casos da mishná gira em torno de uma única palavra — "desde agora" — cuja presença ou ausência determina se o efeito do get retroage ao momento da entrega ou permanece suspenso até o fim do prazo estabelecido.