Deixou parte do get e o escreveu na segunda coluna, com as testemunhas embaixo — é válido. Assinaram as testemunhas no topo da coluna, na lateral, ou atrás, em get simples — é inválido. Cercou o topo de um junto ao topo do outro, com as testemunhas no meio — ambos são inválidos. O fim de um junto ao fim do outro, com as testemunhas no meio — aquele junto ao qual as testemunhas são lidas é válido. O topo de um junto ao fim do outro, com as testemunhas no meio — aquele ao final do qual as testemunhas são lidas é válido. — A mishná define as posições válidas e inválidas para as assinaturas das testemunhas. Se o escriba, por falta de espaço, deixou de terminar o texto do get numa coluna e o completou numa segunda coluna do mesmo pergaminho, com as testemunhas assinando logo abaixo dessa segunda coluna, o documento é válido, pois as assinaturas seguem naturalmente o fim do texto. Mas se as testemunhas assinaram no topo da coluna, na margem lateral, ou no verso de um get "simples" (não dobrado) — cujas testemunhas deveriam, por natureza, assinar dentro do próprio corpo do documento — o get é inválido, pois essas posições não se seguem organicamente ao texto e sugerem que a assinatura poderia ter sido acrescentada depois, sem relação real com aquele texto específico. A mishná então trata do caso de dois gitin distintos, dispostos de modo que suas extremidades se encontram — topo com topo, ou fim com fim — com uma única fileira de testemunhas assinando entre os dois. Quando os dois topos se encontram no meio, ambos os documentos ficam inválidos, pois a assinatura das testemunhas, em ambos os casos, corre em direção contrária ao início do texto, e não ao seu final, como seria de se esperar de uma assinatura regular. Quando são os dois finais que se encontram no meio, é válido aquele get junto ao qual as testemunhas são lidas na direção correta — do começo ao fim do próprio texto. E quando um topo encontra o fim do outro, vale aquele get ao final do qual as testemunhas estão posicionadas.
Rambam considera o texto desta mishná suficientemente claro em si mesmo, sem necessidade de comentário adicional; Bartenura, ainda assim, esclarece a terminologia técnica de cada posição descrita.
Rambam observa, com sua concisão habitual diante de textos autoexplicativos, que esta mishná já é inteiramente clara em seus próprios termos e dispensa comentário adicional — um raro momento de silêncio no Perush HaMishná, reservado às passagens cujo sentido técnico não deixa margem para dúvida.
Bartenura traduz cada termo técnico da mishná: "a segunda coluna" é a coluna adjacente, na mesma largura do pergaminho; "na lateral" refere-se à margem em branco à direita ou à esquerda do texto do get; "atrás, em get simples" refere-se a um get não dobrado, cujas testemunhas deveriam por natureza assinar dentro do próprio corpo do texto, e não no verso; e "cercou" significa que os dois documentos foram unidos, colocados um junto ao outro. Sobre o critério final, Bartenura precisa que "aquele ao final do qual as testemunhas são lidas" significa que o topo da assinatura das testemunhas está voltado para o final do texto — e não que os pés das letras da assinatura estejam voltados para o topo do texto —, e nesse caso o get é válido.
Rashi, sobre a Guemará (Guitin 87b), confirma e detalha a mesma terminologia técnica, com atenção especial ao critério de leitura da assinatura na direção do texto.
Rashi confirma a leitura técnica exata: a "segunda coluna" é a coluna imediatamente contígua no pergaminho; "na lateral" designa as margens em branco de cada lado do texto; e "atrás, em get simples" refere-se especificamente ao formato não dobrado do documento, cujas testemunhas — por definição — devem assinar dentro do corpo do próprio texto, e não em seu verso.
Rashi explica o verbo "cercou" (hikif) com uma comparação vívida — o mesmo termo usado para "encostar dois barris um no outro" —, indicando que os dois topos dos gitin foram simplesmente justapostos, sem relação orgânica de continuidade textual. Quando isso acontece com os dois topos, nenhum dos dois documentos pode reivindicar que a assinatura das testemunhas "se lê com ele" na direção correta do texto, e por isso ambos são inválidos. Já quando os dois finais se encontram, o topo das letras da assinatura das testemunhas se volta naturalmente para aquele get, na mesma direção de escrita habitual de quem assina — e por isso, nesse caso, o documento é válido.