Get escrito em hebraico com testemunhas em grego, em grego com testemunhas em hebraico, uma testemunha hebraica e uma testemunha grega, escreveu escriba e testemunha — é válido. "Fulano, testemunha" — é válido. "Filho de fulano, testemunha" — é válido. "Fulano, filho de fulano", e não escreveu "testemunha" — é válido. E assim faziam os puros de espírito de Jerusalém. Escreveu seu apelido e o apelido dela — é válido. Get forçado: em Israel, é válido; e entre gentios, é inválido. E entre gentios, espancam-no e lhe dizem: "Faze o que Israel te diz" — e é válido. — A mishná encerra este bloco de leis formais reunindo diversas variações aceitáveis na redação do get: a língua do texto pode diferir da língua das testemunhas, sem que isso o invalide; e mesmo a fórmula de assinatura pode ser mínima — bastando o nome próprio seguido da palavra "testemunha", ou o nome do pai seguido de "testemunha", ou apenas o nome completo (próprio e patronímico) sem sequer a palavra "testemunha" — pois essa era, precisamente, a prática costumeira das pessoas de espírito mais refinado e cioso da linguagem em Jerusalém, que preferiam a formulação mais breve e elegante. Também é válido escrever, em vez do nome formal, o apelido de família do marido e da esposa. Por fim, a mishná trata do "get mecuseh" — o get que o marido é forçado a entregar contra sua vontade. Quando essa coação é exercida por um tribunal judeu, agindo dentro dos limites da lei (por exemplo, em casos em que a halachá determina que o tribunal deve obrigá-lo a divorciar), o get é válido, pois a coação legítima apenas revela e libera a vontade interior do marido, que no fundo deseja cumprir o que a lei exige dele. Mas quando a coação vem de gentios, por iniciativa própria, o get é inválido. Ainda assim, quando um tribunal judeu determina legitimamente que um homem deve divorciar sua esposa mas não dispõe de força coercitiva própria para obrigá-lo, é permitido recorrer a gentios para espancá-lo fisicamente, desde que eles ajam apenas como o "braço" executor da ordem do tribunal judeu, dizendo-lhe explicitamente "faze o que Israel te ordena" — e nesse caso o get, entregue sob essa forma específica de coação, é válido.
Rambam distingue com precisão os quatro níveis de coação possíveis — legítima ou ilegítima, por tribunal judeu ou por gentios — e seus diferentes efeitos sobre a validade do get e sobre a desqualificação do sacerdócio; Bartenura explica o receio por trás da exigência da palavra "testemunha".
Rambam distingue com precisão os diferentes graus de coação: se um tribunal judeu obriga o marido a dar o get — seja porque a lei exige isso nas situações em que se força o marido a divorciar, seja porque o divórcio já era devido por outra razão legal —, o get é válido, mesmo sendo forçado, e é válido para permitir que ela se case novamente, ainda que continue desqualificando-a do sacerdócio por causa do "cheiro" de coação irregular caso o tribunal tenha agido incorretamente. Se, por outro lado, foram gentios que o coagiram por iniciativa própria, o get é inválido em qualquer hipótese. Mas Rambam acrescenta um caso intermediário importante: se os gentios o coagiram até que ele dissesse "eu quero fazer o que o tribunal de Israel ordenar", e só depois disso o tribunal judeu efetivamente lhe ordenou que escrevesse o get, o documento é válido — pois, nesse ponto, a vontade declarada do marido já havia se transferido para a ordem legítima do tribunal judeu.
Bartenura explica que "escreveu escriba e testemunha" significa que tanto o escriba quanto uma testemunha assinaram o documento, o que conta como duas testemunhas válidas. Sobre os "puros de espírito de Jerusalém", explica que eram os homens de bom senso e discernimento refinado, que preferiam a fórmula de assinatura mais breve. Quanto ao get forçado, Bartenura confirma a distinção de Rambam: em Israel, é válido quando a coação foi exercida corretamente, segundo a lei — por exemplo, nos casos em que o próprio tribunal deve obrigar o marido a divorciar. Entre gentios, se a coação seguiu corretamente a determinação de um tribunal judeu legítimo, o get é inválido para casar-se novamente, mas ainda desqualifica-a do sacerdócio, por conservar ao menos o "cheiro" de um get; mas se a coação dos gentios foi feita sem qualquer base legal — puramente arbitrária —, o documento não tem sequer esse "cheiro" de get.
Rashi, sobre a Guemará (Guitin 87b-88b), explica a expressão "e assim faziam" e detalha o sentido preciso de "get forçado".
Rashi confirma que os "puros de espírito" de Jerusalém tinham por costume uma linguagem breve e econômica, assinando apenas "fulano, filho de fulano", sem sequer acrescentar a palavra "testemunha" ao final — um traço de estilo cuidadoso que a própria mishná registra como prática válida e até admirável. Sobre "chanicato" (o apelido), Rashi esclarece tratar-se do sobrenome ou apelido que identifica toda uma família, e não apenas o indivíduo.
Rashi define, na abertura desta última cláusula da mishná, que "get mecuseh" significa simplesmente um get entregue "à força" — sob coação —, preparando o terreno para a extensa discussão da Guemará sobre os diferentes graus e origens legítimas ou ilegítimas dessa coação.