Não se escreve em algo preso ao solo. Se o escreveu preso ao solo, e depois o destacou, o assinou e o entregou a ela — é válido. Rabi Yehuda o invalida, até que a sua escrita e a sua assinatura sejam feitas em algo já destacado. Rabi Yehuda ben Beteira diz: não se escreve nem sobre papel apagado, nem sobre couro não curtido, porque pode ser falsificado. Mas os sábios o validam. — A proibição inicial de escrever em algo preso ao solo decorre do fato de que tal suporte ainda carece de uma etapa essencial — ser destacado — antes de poder servir como documento de divórcio completo. Contudo, a mishná traz uma leniência importante: se o get foi de fato escrito enquanto o suporte ainda estava preso à terra, mas depois foi destacado, e só então assinado e entregue à mulher, a maioria dos sábios o considera válido, pois entendem que a exigência de "destacado" recai apenas sobre a parte essencial do documento — os nomes do casal e a data — e não sobre a fórmula padrão que pode ter sido redigida antes. Rabi Yehuda discorda e exige que toda a escrita e toda a assinatura, sem exceção, sejam feitas já com o suporte destacado. Já Rabi Yehuda ben Beteira levanta uma preocupação distinta: papel que já foi raspado ou apagado, ou couro que não passou por curtimento (diftera), poderiam ser adulterados depois da assinatura das testemunhas, permitindo apagar o texto original e escrever outro em seu lugar — por isso ele os proíbe como suporte para o get. Os sábios, no entanto, permitem esses materiais, por considerarem que, no caso específico do get, é a entrega diante de testemunhas — e não apenas a assinatura no documento — que efetivamente constitui e valida o divórcio.
Rambam, no Perush HaMishná, esclarece a distinção entre a fórmula padrão e a parte essencial do get, e decide a halachá contra Rabi Yehuda ben Beteira apenas quanto a documentos comuns.
Rambam explica a opinião permissiva dos sábios: se o get foi escrito preso ao solo, desde que se tenha deixado em branco o espaço para o nome do homem, o nome da mulher e a data — isto é, a parte essencial do documento — e esses elementos tenham sido escritos somente depois de o suporte já estar destacado, o get é válido. A halachá não segue Rabi Yehuda ben Beteira quanto aos gitin, mas, em relação aos demais documentos, exige-se de fato uma escrita que não possa ser falsificada — pois papel liso ou couro não curtido (diftera) podem ser raspados e reescritos —, e nesse ponto os sábios concordam com ele.
Perush de Rashi sobre a Guemará, além de Rambam e Bartenura.
Rashi discute o caso de um get escrito sobre um vaso com planta (עציץ): se o vaso for entregue junto com o get, tira-se o vaso inteiro e entrega-se à mulher, resolvendo a questão da ligação ao solo. Mas há uma preocupação adicional: teme-se que, no processo, alguém venha a cortar apenas a folha onde o texto está escrito — o que constituiria, tecnicamente, um ato de destacamento de algo que ainda estava preso ao solo, gerando a mesma dúvida halájica que a mishná discute quanto à ordem entre escrita, destacamento e assinatura.
Rambam reafirma a distinção entre a parte essencial e a fórmula padrão do get, e esclarece que a halachá segue os sábios quanto aos gitin, mas concorda com Rabi Yehuda ben Beteira em relação aos demais documentos.
Bartenura explica que não se escreve em algo preso ao solo porque falta ainda a etapa de destacamento. Esclarece o sentido de "escreveu-o preso": o "tofes" — toda a fórmula padrão do get, exceto o espaço do nome do homem, do nome da mulher e da data — foi escrito enquanto preso, e o "toref" — os nomes e a data — foi escrito somente depois de destacado, sendo por isso válido. Sobre o papel apagado, explica que ele pode ser raspado até o ponto das assinaturas das testemunhas e reescrito com outro conteúdo; e que na diftera (couro não curtido) o apagamento não é perceptível. Explica que os sábios permitem esses materiais apenas para gitin — porque entendem que são as testemunhas da entrega, e não as da assinatura, que efetivamente validam o divórcio — mas, quanto aos demais documentos, que dependem das testemunhas da assinatura, os sábios concordam com Rabi Yehuda ben Beteira. A halachá segue os sábios.