Com tudo se pode escrever: com tinta, com tintura, com sicra, com goma e com sulfato de cobre, e com toda coisa que seja permanente. Não se escreve nem com líquidos, nem com sucos de frutas, nem com nenhuma coisa que não seja permanente. Sobre tudo se pode escrever: sobre a folha da oliveira e sobre o chifre da vaca — e entrega-lhe a vaca; sobre a mão do escravo — e entrega-lhe o escravo. Rabi Yosei HaGelili diz: não se escreve nem sobre coisa que tenha em si sopro de vida, nem sobre os alimentos. — A exigência central quanto ao material de escrita é que ele seja duradouro — capaz de permanecer legível — pois um get escrito com algo que se apaga ou evapora não cumpre o requisito de ser um documento estável. Já quanto à superfície, a mishná permite, em princípio, escrever sobre praticamente qualquer coisa, incluindo a folha destacada de uma oliveira ou o chifre de uma vaca viva — mas, nesses dois últimos casos, impõe uma condição adicional: o marido deve entregar à esposa não apenas o texto do get, mas o próprio objeto sobre o qual ele foi escrito, pois não é permitido cortar o chifre da vaca depois de concluída a escrita, já que a Torá exige que o get seja escrito e entregue nas mãos da mulher sem etapas intermediárias adicionais. O mesmo vale para a mão do escravo, que deveria então ser entregue junto com o próprio escravo. Rabi Yosei HaGelili discorda quanto às superfícies, sustentando que não se pode escrever sobre algo vivo ou sobre alimentos, derivando essa restrição do fato de a Torá chamar o get de "sefer" — um livro ou documento — o que, para ele, exclui coisas dotadas de sopro de vida e coisas comestíveis; os sábios, porém, não aceitam essa restrição.
Rambam, no Perush HaMishná, identifica os materiais mencionados e decide a halachá conforme os sábios contra Rabi Yosei HaGelili.
Rambam identifica os materiais mencionados na mishná: deyo (tinta) é chamado em árabe al-midad; sikra é um barro vermelho (al-magra); komos é um tipo de terra escurecedora (al-za'ab); kankantom também é uma terra escurecedora, usada como sulfato. Explica que se deve entregar a vaca junto com o get porque não se pode cortar o chifre depois de concluída a escrita — pois a Torá exige "escrever e entregar em suas mãos" como um único processo, e quem ainda precisasse cortar o chifre, além de escrever e entregar, não cumpriria esse requisito. Quanto a Rabi Yosei HaGelili, Rambam explica que ele deriva sua restrição da palavra "sefer" (livro), que para ele exclui coisas vivas e coisas comestíveis; mas os sábios entendem que a palavra, sem artigo definido, permite qualquer material. A halachá segue os sábios.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Guitin 20a-21b), além de Rambam e Bartenura.
Sobre a exigência de que o get seja "כְּרִיתֻת" (documento de corte/ruptura), Rashi liga essa palavra diretamente à passagem de Devarim "e lhe escreverá um documento de divórcio", explicando que o documento deve ser escrito especificamente para essa mulher. Sobre a questão de por que a mishná precisa dizer explicitamente que se entrega a vaca junto com o get, Rashi discute a diferença entre um homem experiente, que sabe que precisa transferir a propriedade do chifre por completo e conscientemente para que o documento valha, e uma mulher, que pode não compreender plenamente essa exigência e tratar o assunto apenas como uma pergunta casual — o que afetaria a validade da aquisição. E sobre a impossibilidade de simplesmente cortar a mão do escravo depois de escrito o get, Rashi explica que isso envolveria mutilar o corpo do escravo, algo que o dono não está autorizado a fazer — e que, se o fizesse, o próprio ato de mutilar as extremidades do escravo já lhe concederia a liberdade, tornando a comparação com o chifre da vaca ainda mais reveladora quanto à exigência de entregar o suporte junto ao documento.
Rambam identifica os materiais de escrita citados e reforça, com base em Devarim 24:1, a razão pela qual se deve entregar a vaca ou o escravo junto com o get, concluindo que a halachá segue os sábios contra Rabi Yosei HaGelili.
Bartenura identifica komos como resina de árvore (seiva) e kankantom como um sulfato usado em tintura. Explica que a folha da oliveira mencionada deve estar destacada da árvore, e que se entrega a vaca porque não se pode cortar o chifre depois de concluída a escrita. Expõe a lógica de Rabi Yosei HaGelili — que deriva de "sefer" a exclusão de coisas vivas e alimentos — e a réplica dos sábios, concluindo que a halachá segue os sábios.