Quem deixa frutos para separar sobre eles teruma e dízimos, dinheiro para separar sobre ele o segundo dízimo — separa sobre eles com a presunção de que existem. Se se perderam, eis que ele se preocupa de um momento a outro — palavras de Rabi Elazar ben Shamua. Rabi Yehudá diz: em três períodos verificam o vinho, no vento leste ao término da festa, na saída do broto da flor, e no momento da entrada da água no agrás. — Um proprietário pode reservar certos frutos, dizendo "a teruma e os dízimos de meus outros frutos estarão contidos nestes que separei", ou reservar uma soma em dinheiro para servir de resgate ao segundo dízimo de sua produção — e então continuar a comer o restante como se já estivesse acertado, contanto que os frutos ou o dinheiro reservados de fato existam. Enquanto não há informação em contrário, presume-se que continuam existindo. Mas se, ao verificar, descobre que se perderam, ele não pode simplesmente presumir que a perda ocorreu naquele instante — deve temer retroativamente, por um período de vinte e quatro horas antes da verificação, que a perda já tivesse ocorrido, e assim precisa separar novamente teruma e dízimos de tudo o que consumiu presumindo-se coberto durante esse intervalo; essa é a opinião de Rabi Elazar ben Shamua. Rabi Yehudá, tratando especificamente do vinho reservado para esse fim, propõe que ele seja verificado ativamente em três momentos do calendário agrícola — quando o vento leste sopra ao final de Sucot, quando aparece o broto da flor da videira, e quando a água entra na uva ainda verde —, momentos de mudança climática em que o vinho corre maior risco de azedar e tornar-se vinagre, inapto para servir de base à separação.
Rambam, no Perush HaMishná, explica com precisão o alcance temporal de "meet le'et" e confirma que a halachá segue Rabi Yehudá.
Rambam explica que "de um momento a outro" (meet le'et) significa: a partir da hora em que a pessoa foi procurar os frutos ou o dinheiro reservados e os encontrou perdidos, retroage-se vinte e quatro horas. Por isso, tudo o que ele separou dentro dessas vinte e quatro horas anteriores é considerado tevel (não tecnicamente separado) e precisa ser separado novamente, pois presume-se que a perda já tinha ocorrido; mas tudo o que separou antes desse período é considerado corretamente acertado, pois presume-se que os frutos ou o dinheiro reservados ainda existiam naquele momento. E a halachá final é que tudo o que foi separado durante essas vinte e quatro horas fica em dúvida, não sendo considerado corretamente acertado. Quanto à opinião de Rabi Yehudá, Rambam explica que ele entende que o vinho deve ser verificado ativamente nesses três momentos do ano, porque são épocas em que ele tende a se deteriorar — evitando assim que se separe, sem saber, vinagre em vez de vinho. Rambam conclui que a halachá segue Rabi Yehudá.
Encerrando o Perek Guimel, perush de Rashi sobre a Guemará (Guitin 31a), além de Rambam e Bartenura.
Rashi explica que o proprietário confia nos frutos ou no dinheiro que reservou, comendo os demais frutos não separados de sua produção sob a garantia de que "a teruma deles está contida naqueles que reservei para esse fim" — e assim procede continuamente, sem necessidade de nova declaração a cada vez. Sobre os três momentos indicados por Rabi Yehudá, Rashi explica: o vento leste que sopra ao término da festa de Sucot marca a virada do ano agrícola; a "saída do broto da flor" (semadar) é quando a flor cai e os cachos de uva aparecem em ordem, ainda minúsculos; e "a entrada da água no agrás" ocorre quando o grão, antes do tamanho de um grão de trigo duplo (chamado bóser, uva verde), começa a reter umidade crescente, já sendo possível espremer dele algum líquido — todos momentos de transição climática em que o vinho reservado corre maior risco de se deteriorar.
Rambam resume a conclusão prática da disputa: tudo o que foi separado nas vinte e quatro horas anteriores à descoberta da perda permanece em dúvida — não é considerado corretamente acertado, precisamente porque há incerteza real sobre o momento exato em que os frutos ou o dinheiro se perderam. Já quanto à opinião de Rabi Yehudá sobre a verificação ativa do vinho em três momentos do ano, Rambam confirma que a halachá segue essa posição, como forma prática de prevenir o problema antes que ele ocorra.
Bartenura explica que a expressão "de um momento a outro" refere-se ao momento da verificação: quando o proprietário busca os frutos ou o dinheiro reservados e os encontra perdidos, ele teme que a perda já tivesse ocorrido desde o dia anterior, na mesma hora — e, se separou teruma ou dízimos de outros frutos dentro desse intervalo de vinte e quatro horas, precisa separá-los novamente por dúvida. Além desse período, porém, os sábios não estenderam a preocupação, apoiando-se na presunção de continuidade (chazacá). Bartenura confirma ainda os três momentos indicados por Rabi Yehudá para verificar o vinho, concluindo que a halachá segue sua opinião.
Com esta mishná encerra-se o Perek Guimel de Massechet Guitin — oito mishnayot, tratando da exigência de que todo get seja escrito para o nome da mulher específica, dos formulários-padrão de documentos e sua exceção para guitin, da presunção de vida do marido em diversos cenários (get perdido, cerco, tempestade, julgamento), dos procedimentos do mensageiro doente dentro e fora da Terra de Israel, e da presunção de continuidade aplicada a empréstimos e a frutos ou dinheiro reservados para teruma e dízimos.