Aquele que diz [a um agente]: Recebe este get para minha esposa, ou: Leva este get à minha esposa — se quiser retratar-se, pode retratar-se. A mulher que disse [a um agente]: Recebe meu get para mim — se ele [o marido] quiser retratar-se, não pode retratar-se. Portanto, se o marido lhe disse: Não quero que a recebas para ela, mas sim leva e dá a ela — se quiser retratar-se, pode retratar-se. Rabban Shimon ben Gamliel diz: também aquela que diz: Toma meu get para mim — se ele quiser retratar-se, não pode retratar-se. — A mishná distingue dois tipos de agência em torno do get. Quando o próprio marido designa um agente — dizendo-lhe "recebe este get para minha esposa" ou "leva este get à minha esposa" — esse agente permanece, do início ao fim, um agente do marido, encarregado apenas de fazer o documento chegar à posse dela; por isso o marido conserva o direito de mudar de ideia e cancelar a missão a qualquer momento antes que o get de fato alcance as mãos da esposa. A situação se inverte quando é a própria esposa quem designa o agente, dizendo-lhe "recebe meu get para mim": nesse caso, ao entregar o documento a esse agente, o marido já entregou o get à extensão jurídica da própria esposa, pois o agente age agora em nome dela, e não dele — o divórcio se consuma de imediato, sem que reste ao marido qualquer poder de retratação. A mishná então esclarece uma consequência prática dessa distinção: se o marido, sabendo disso, disser expressamente ao agente escolhido pela esposa "não quero que o recebas em nome dela, mas apenas que o leves e entregues a ela", ele transforma, por sua própria vontade, o estatuto do agente — de agente de recebimento da esposa para agente de entrega do marido —, e assim recupera o direito de retratação até a entrega efetiva. Rabban Shimon ben Gamliel amplia ainda mais o alcance da primeira categoria: mesmo que a esposa não use o verbo técnico "receber", mas apenas diga ao agente "toma meu get para mim", essa expressão já basta para constituí-lo agente de recebimento em nome dela — e a halachá segue essa opinião mais abrangente.
Rambam, no Perush HaMishná, remete ao princípio já estabelecido no Perek Bet e confirma a halachá segundo Rabban Shimon ben Gamliel; Bartenura explica o fundamento de que o get é uma "dívida" da esposa, que não pode ser imposta a ela sem seu conhecimento.
Rambam remete ao princípio já estabelecido no Perek Bet: quando um agente de recebimento tem o get em mãos, é como se já tivesse chegado à posse da própria esposa, pois ele é seu representante pleno. E a halachá segue Rabban Shimon ben Gamliel, que ensinou que a expressão "toma meu get para mim" também constitui linguagem de recebimento, equivalente a "recebe meu get para mim".
Bartenura explica por que o marido pode retratar-se quando é ele quem designa o agente: o get é, em certo sentido, uma "dívida" que recai sobre a esposa — pois ela perde o direito à ketubá em certas circunstâncias e muda seu estatuto pessoal —, e não se pode impor uma dívida a uma pessoa sem seu conhecimento e consentimento; por isso o marido conserva o controle sobre o processo enquanto o get não chega à posse dela. Já quando é a própria esposa quem constitui o agente, ele se torna como a própria mão dela, e ela é divorciada imediatamente no momento em que ele recebe o documento. E "toma meu get para mim" é linguagem de recebimento, e a halachá segue Rabban Shimon ben Gamliel.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Guitin 62b), abrindo o Perek Vav, além de Rambam e Bartenura.
Rashi explica o mecanismo exato de cada cláusula. Quando o marido é quem deseja retratar-se — no caso do agente que ele mesmo designou —, ele pode fazê-lo, porque o get é uma dívida que recai sobre a esposa, e não se pode designar um agente para prejudicar alguém sem seu consentimento. Mas quando é a esposa quem designou o agente e o marido tenta retratar-se após a entrega a ele, não pode mais fazê-lo: uma vez que ela o constituiu seu agente, ele é como a própria mão dela, e ela é divorciada imediatamente no momento em que esse agente recebe o documento. E Rashi explica o mecanismo de "portanto": como já ficou estabelecido que o marido não pode mais retratar-se depois que o agente da esposa recebe o get, sua única saída é dizer expressamente a esse mesmo agente, antes da entrega: "não quero que o recebas em nome dela, para que sejas como a mão dela — mas sim que sejas meu agente, para levá-lo até a mão dela." E "toma meu get para mim" é, segundo Rashi também, linguagem de recebimento.
Rambam situa esta mishná dentro do princípio geral de agência jurídica já apresentado no Perek Bet do tratado: o agente de recebimento devidamente autorizado é uma extensão jurídica plena de quem o designou, de modo que o momento em que ele recebe o documento é juridicamente idêntico ao momento em que a própria destinatária o receberia.
Bartenura reforça a mesma razão: o get é considerado, tecnicamente, uma dívida sobre a esposa, e o princípio geral do direito talmúdico é que não se pode obrigar alguém — mesmo para o seu próprio benefício futuro, como a liberdade do divórcio — sem seu conhecimento e consentimento prévios.