Escreveu em nome de um reino que não é apropriado; em nome do reino da Média; em nome do reino da Grécia; para a construção do Templo; para a destruição do Templo; estava no oriente e escreveu no ocidente; no ocidente e escreveu no oriente — ela sai deste e daquele, e precisa de get deste e daquele; e não tem nem ketubá, nem frutos, nem sustento, nem roupas gastas, nem deste nem daquele. Se tomou deste e daquele, devolverá. E o filho é mamzer deste e daquele. E nem um nem outro se tornam impuros por ela; e nem um nem outro têm direito nem aos seus achados, nem à obra de suas mãos, nem à anulação de seus votos. Se era filha de Israel, torna-se desqualificada do sacerdócio; filha de levita, do dízimo; filha de sacerdote, da teruma. E os herdeiros deste e os herdeiros daquele não herdam sua ketubá. E se morreram, o irmão deste e o irmão daquele fazem chalitzá e não fazem ibum. Mudou seu nome e o nome dela, o nome da cidade dele e o nome da cidade dela — ela sai deste e daquele, e todos esses caminhos se aplicam a ela. — Esta mishná abre um bloco novo dentro do perek: em vez de tratar do modo de entrega do get, ela trata de defeitos formais no próprio corpo do documento — especificamente na data e no lugar de escrita — capazes de invalidá-lo completamente, ainda que a entrega tenha sido perfeita. No tempo da mishná, era exigido datar documentos legais, incluindo o get, segundo o calendário oficial do reino sob cuja autoridade se vivia, por respeito à soberania local. Se o marido, em vez disso, datou o get segundo um "reino que não é apropriado" — um poder sem legitimidade reconhecida no lugar —, ou segundo o antigo reino da Média, ou o já extinto reino grego, ou contando os anos a partir da construção ou da destruição do Templo em vez do sistema oficial vigente, o get é inválido por violar essa exigência formal. O mesmo vale se o marido registrou o lugar de escrita de forma falsa — dizendo-se no oriente quando escreveu no ocidente, ou vice-versa. A mishná então descreve, com riqueza de detalhe, a situação trágica que se segue quando uma mulher, sem saber do defeito, se casa com um segundo homem com base nesse get inválido: como o primeiro casamento nunca terminou de fato, ela se encontra agora casada com dois homens ao mesmo tempo, e precisa de um get de cada um deles para se libertar de ambos os vínculos. Como penalidade por essa situação — mesmo não tendo culpa direta —, ela perde todo o direito de receber a ketubá, os frutos de seus bens que os maridos consumiram, o sustento, ou o valor de roupas gastas, tanto do primeiro quanto do segundo marido; e se já havia recebido algo, precisa devolver. Qualquer filho nascido dessa segunda união (celebrada enquanto ela ainda estava, sem saber, casada com o primeiro) é mamzer — um status que, segundo a opinião subjacente a esta cláusula, resulta de qualquer desvio da fórmula padrão de dating estabelecida pelos sábios para os gittin. Sacerdotes não podem se tornar impuros por ela quando morrer, como fariam por uma esposa legítima; nem um nem outro marido tem direito a seus achados, ao produto de seu trabalho, ou ao poder de anular seus votos. Se ela era filha de Israel, essas duas uniões inválidas a desqualificam de se casar com um sacerdote; se filha de levita, perde o direito ao dízimo; se filha de sacerdote, perde o direito à teruma. Os herdeiros de nenhum dos dois maridos herdam sua ketubá, e se ambos morrerem, os irmãos de cada um fazem chalitzá com ela, mas não podem realizar o ibum, pois sua situação matrimonial permanece irremediavelmente ambígua. A mishná fecha com um segundo tipo de defeito, análogo ao da data e do lugar: se o marido escreveu, por engano ou distração, um nome diferente do seu ou do dela, ou o nome errado da cidade dele ou dela, o get é igualmente inválido, e toda a mesma cadeia de consequências se aplica.
Rambam, no Perush HaMishná, explica a razão do decreto sobre a data do reino e localiza a opinião de Rabi Meir por trás da cláusula do mamzer; Bartenura precisa quando o get é considerado datado por "reino que não é apropriado" e remete a explicação completa da lista de penalidades a Yevamot.
Rambam explica que os sábios instituíram a exigência de datar os gittin segundo o reinado vigente no local por causa da "paz do reino" — para não parecer desrespeito à autoridade local — e por isso invalidaram o get datado segundo reinos já extintos, como a Média e a Grécia, ou segundo sistemas ligados ao Templo. Quanto ao mamzer, Rambam esclarece que essa é a opinião de Rabi Meir, para quem qualquer desvio da fórmula padrão de dating gera esse status severo — mas a halachá não segue essa opinião em toda sua extensão, e sim apenas nos casos de nome trocado.
Bartenura ilustra "reino que não é apropriado" com o exemplo de alguém na Babilônia que data o get segundo os anos do reino de Edom, que ali não exerce autoridade nem tem reconhecimento formal — daí "não apropriado". E remete ao tratado de Yevamot, no capítulo "Ha'ishá Rabá", para a explicação completa e detalhada de toda a longa lista de penalidades que a mishná aqui apenas enumera de forma sucinta.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Guitin 80a-80b), que explica a razão da perda do dízimo e da teruma, e localiza a opinião de Rabi Meir por trás do decreto do reino — além de Rambam e Bartenura.
Rashi explica que a perda do direito ao dízimo pela filha de levita é uma penalidade rabínica — não uma consequência automática do status da mulher —, conforme detalhado no tratado de Yevamot. Quanto à filha de sacerdote perder o direito à teruma, Rashi remete ao tratado de Sotá, onde a repetição tríplice da palavra "contaminada" no versículo sobre a sotá é lida como fonte para três contextos distintos de impureza que afastam a mulher da teruma: um em relação ao marido, um em relação ao amante, e um relativo à própria teruma — mostrando que a exclusão da teruma nesta mishná se apoia na mesma estrutura exegética.
Rashi identifica que a invalidação do get por defeito na data, ligada à "paz do reino", reflete especificamente a opinião de Rabi Meir — não um consenso unânime dos sábios — e explica o termo "santer" (mencionado na discussão paralela da Guemará sobre limites e fronteiras) como o oficial idoso encarregado de conhecer com precisão os limites de propriedade de cada campo, citando a fonte plena no tratado de Bava Batra.
Rambam fecha sua explicação com a decisão prática final: apesar de a cláusula do mamzer refletir originalmente a opinião ampla de Rabi Meir, a halachá restringe esse status severo apenas ao caso de nome ou cidade trocados — e não a todo e qualquer desvio da fórmula padrão de dating, como o próprio Rabi Meir sustentaria.
Bartenura confirma que a cláusula do mamzer, tomada em sua extensão literal, reflete a opinião de Rabi Meir de que qualquer alteração da fórmula fixa estabelecida pelos sábios para os gittin já basta para gerar esse status — e observa explicitamente que essa opinião ampla não é a halachá final, reforçando o mesmo ponto já indicado por Rambam.