Não se recluda com ele senão na presença de testemunhas, mesmo um escravo, mesmo uma escrava, exceto sua própria escrava, porque seu coração está à vontade com ela, com sua escrava. O que é ela nesses dias? Rabi Yehuda diz: como mulher casada para todos os seus assuntos. Rabi Yossei diz: divorciada e não divorciada. — Esta mishná dá continuidade direta ao caso da anterior — o marido doente que entregou à esposa um get condicionado a "desde hoje, se eu morrer desta doença". Enquanto a condição não se cumpre — isto é, enquanto ele ainda está vivo, e não se sabe se acabará morrendo desta doença ou se recuperará —, existe o risco real de que o marido, ainda tecnicamente casado (ou talvez já divorciado, não se sabe), venha a ter relações com ela sem que isso seja percebido como problemático por nenhum dos dois; por isso a halachá exige que ela não se recluda com ele a sós, senão na presença de testemunhas que possam atestar que nada indevido ocorreu. Essa exigência de testemunhas se estende de modo notavelmente amplo: aceita-se até mesmo um escravo ou uma escrava como testemunha de reclusão nesse contexto específico — pessoas que normalmente não teriam status pleno de testemunhas em questões halachicamente mais sérias, mas que aqui bastam para atestar simplesmente que o casal não ficou a sós. A única exceção é a própria escrava pessoal da esposa, precisamente porque, sendo tão próxima e íntima do dia a dia da senhora, o coração da esposa "está à vontade" com ela — ou seja, a esposa não sentiria nenhum constrangimento em agir livremente na presença dessa escrava específica, o que anula a função protetora da testemunha. A mishná então levanta a questão central: qual é exatamente o status jurídico da mulher durante esses dias de incerteza, antes que se saiba se o marido morrerá desta doença (validando o get) ou não (invalidando-o)? Rabi Yehuda sustenta a posição mais conservadora: ela continua sendo como uma mulher plenamente casada para todos os seus assuntos — presume-se a continuidade do casamento até que a condição se cumpra com certeza. Rabi Yossei, por outro lado, sustenta que ela já está em um estado de incerteza ativa desde o momento da entrega do get: "divorciada e não divorciada" — um estado intermediário e ambíguo que reflete diretamente a mesma dúvida vista na mishná anterior.
Rambam, no Perush HaMishná, esclarece que esta mishná se conecta diretamente à anterior e detalha as consequências práticas do status intermediário; Bartenura precisa o mecanismo exato da disputa entre Rabi Yehuda e Rabi Yossei.
Rambam esclarece que todo aquele que entrega um get condicional ou datado para o futuro fica proibido de se recluir com a esposa durante todo esse período — deve manter-se separado dela desde o momento em que o get é escrito, e se duas testemunhas atestarem que ele se recludiu com ela, o get se torna nulo. E enumera as várias consequências práticas do status de "divorciada e não divorciada": o marido continua obrigado a sustentá-la, mas já não pode anular os votos dela (como faria com uma esposa plena), e não deve tornar-se impuro por ela como faria por uma esposa comum — regras intermediárias que refletem a própria incerteza do seu status.
Bartenura esclarece um ponto técnico importante: a pergunta "o que é ela nesses dias?" não se refere ao primeiro caso da mishná anterior — "desde hoje se eu morrer" —, pois nesse caso, quando ele efetivamente morre, fica claro retroativamente que o get era válido desde o momento da entrega, e quem tivesse relações com ela nesse ínterim estaria isento de qualquer transgressão. A disputa real trata de uma formulação distinta, em que o marido diz, no momento de entregar o get: "que sejas divorciada por ele a partir de qualquer momento em que eu esteja no mundo, se eu morrer" — uma fórmula que deixa em aberto qual exato momento antes da morte é o que ativa o get, gerando a incerteza contínua que opõe Rabi Yehuda a Rabi Yossei.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Guitin 73a), além de Rambam e Bartenura.
Rashi explica que a proibição de reclusão se aplica ao marido que entregou o get dizendo "desde hoje, se eu morrer": ele não deve recluir-se com ela, porque, segundo uma opinião, há preocupação de que, se vier a ter relações com ela nesse período, esteja na verdade realizando um novo ato de kidushin (e não apenas relações conjugais comuns), o que exigiria um segundo get para dissolvê-lo. Mesmo segundo a opinião que não teme essa possibilidade, de todo modo ela já é, tecnicamente, uma mulher solteira em potencial — e é proibido reclusão com qualquer mulher solteira, independentemente da questão do kidushin.
Rambam reforça a proibição geral de reclusão em todo caso de get condicional ou datado, e conclui informando qual é a decisão halachica final: a mulher é tratada como divorciada para todos os efeitos práticos, sob a condição de que o marido efetivamente venha a morrer — cumprindo-se então retroativamente a condição estabelecida no momento da entrega do get.
Bartenura explica o cerne exato da disputa: Rabi Yehuda entende que o get só entra em vigor no momento imediatamente próximo à morte, e antes disso ela continua sendo plenamente mulher casada — daí "como mulher casada para todos os seus assuntos". Rabi Yossei, porém, entende que, desde o momento em que o get lhe foi entregue, cada instante seguinte já traz consigo a dúvida de se aquele é justamente o momento imediatamente anterior à morte — e por isso o get já é, desde já, um get em estado de dúvida permanente, o que produz o status intermediário de "divorciada e não divorciada".