Este é teu get se eu morrer; este é teu get se eu morrer desta doença; este é teu get depois da morte — não disse nada. Desde hoje se eu morrer, desde agora se eu morrer — eis que este é get. Desde hoje e depois da morte — get e não get. Se ele morreu, faz chalitzá e não faz ibum. Este é teu get desde hoje se eu morrer desta doença — e ele se levantou e andou pelo mercado, e adoeceu e morreu, avaliam-no: se morreu por causa da primeira doença, eis que este é get; e se não, não é get. — Um princípio central do direito do get é que ele não pode ter efeito depois da morte do marido — só um homem vivo pode divorciar sua esposa. Por isso, quando o marido diz apenas "este é teu get se eu morrer", ou "se eu morrer desta doença", ou "depois da minha morte", ele não disse absolutamente nada, pois toda essa formulação aponta para um efeito que só se ativaria após sua morte, quando já não há mais poder de divorciar. A situação muda radicalmente quando ele acrescenta a palavra "desde hoje" ou "desde agora": "este é teu get desde hoje se eu morrer" ou "desde agora se eu morrer" são fórmulas válidas, porque estabelecem que o efeito do get, quando a condição se cumprir com a morte, retroagirá ao momento presente da entrega — de modo que, tecnicamente, o divórcio já estava em vigor desde então, e não apenas depois da morte. Mas se ele combina as duas fórmulas — "desde hoje e depois da morte" — fica em dúvida qual delas expressava sua real intenção: se pretendia principalmente "desde hoje", é get válido; se pretendia principalmente "depois da morte", não é válido. Por essa incerteza, se o marido morre sem filhos, a viúva deve fazer chalitzá — pois talvez o get seja inválido e ela ainda esteja presa ao vínculo do levirato —, mas não pode fazer ibum, pois talvez o get seja válido, e seria proibido a um cunhado casar com uma mulher já divorciada. A mishná fecha com um caso prático: se o marido disse "este é teu get desde hoje se eu morrer desta doença", e depois se levantou, pareceu recuperado, andou pelo mercado, mas então adoeceu novamente e morreu — os juízes devem avaliar cuidadosamente a causa real da morte: se ele morreu por causa da continuidade da primeira doença (que nunca o abandonou verdadeiramente), o get é válido, pois a condição original se cumpriu; mas se ele sarou completamente da primeira doença e depois morreu de uma causa nova e distinta, o get não é válido, pois a condição estabelecida não se cumpriu.
Rambam, no Perush HaMishná, funda a regra na ausência de get depois da morte e detalha as consequências práticas da dúvida — inclusive quanto à impureza de contato e à quebra de votos; Bartenura acrescenta a razão específica de cada fórmula.
Rambam funda a regra no princípio de que não há get depois da morte: quando o marido diz apenas "se eu morrer", o sentido natural da expressão aponta para depois da morte, a menos que ele esclareça com "desde agora" ou "desde hoje". Quando diz as duas fórmulas juntas, gera-se uma dúvida real quanto à sua intenção. Rambam observa ainda que essa é uma aplicação de um princípio mais amplo: em todos os casos de dúvida sobre kidushin ou gerushin, a mulher faz chalitzá mas não faz ibum — a solução dupla que resolve a incerteza sem violar nenhuma das duas possibilidades.
Bartenura explica que "se eu morrer desta doença" tem o sentido de "a partir desta doença e em diante" — ou seja, o efeito só começaria quando a doença se agravasse ao ponto da morte, o que significa, na prática, que o get só entraria em vigor depois de sua morte. E explica a dupla cautela do caso de dúvida: a viúva faz chalitzá porque talvez o get não seja válido e ela ainda esteja presa ao cunhado; mas não pode fazer ibum, porque talvez o get seja válido, tornando-a divorciada de seu falecido marido — e nesse caso, unir-se ao irmão dele seria uma relação proibida sob pena de carét.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Guitin 72a), além de Rambam e Bartenura.
Rashi confirma que "se eu morrer" sem qualificação alguma significa "quando eu vier a morrer" — e como não existe get que entre em vigor depois da morte, essa formulação não produz efeito jurídico algum. E explica que "desta doença" implica um efeito contínuo a partir do agravamento da doença; como o marido acaba morrendo em decorrência dela, o get, mesmo com essa formulação mais específica, só teria vigor a partir do momento da morte — e por isso continua sendo inválido.
Rambam reafirma o princípio "não há get depois da morte" como fundamento de toda a mishná, e acrescenta uma observação importante sobre as consequências práticas: todo aquele que entrega um get condicional ou datado para o futuro fica proibido de se recluir com a esposa durante todo esse período intermediário — o marido deve manter-se separado dela desde o momento em que o get é escrito, e se duas testemunhas atestarem que ele se recludiu com ela nesse período, o get se torna nulo.
Bartenura explica com precisão o mecanismo da dúvida na fórmula combinada: talvez a intenção real do marido fosse condicional — "desde hoje, se eu morrer" —, caso em que, cumprida a condição com a morte, o get vale retroativamente desde o momento da entrega; ou talvez "depois da morte" represente uma retratação daquilo que ele disse primeiro ("desde hoje"), como se ele tivesse mudado de ideia no meio da própria frase, tornando o get inválido, já que não disse claramente "desde hoje se eu morrer".