Disse a dois: Deem um get à minha esposa; ou a três: Escrevam um get e deem à minha esposa — eis que estes devem escrever e dar. Disse a três: Deem um get à minha esposa — eis que estes devem dizer a outros que escrevam, porque os constituiu um beit din — palavras de Rabi Meir. E esta halachá trouxe Rabi Chanina, homem de Ono, da prisão: Recebi a tradição de que, quando se diz a três: Deem um get à minha esposa, eles devem dizer a outros que escrevam, porque os constituiu um beit din. Disse Rabi Yossei: Designamos o mensageiro; também nós recebemos a tradição de que, mesmo que se diga ao grande beit din de Jerusalém: Deem um get à minha esposa — eles devem aprender e escrever e dar. Disse a dez: Escrevam um get para minha esposa — um escreve e dois assinam. [Se disse:] Todos vocês escrevam — um escreve e todos assinam. Portanto, se um deles morrer, eis que este get é nulo. — A mishná examina como o número de pessoas designadas e a formulação exata das palavras do marido determinam quem pode delegar a tarefa a outros. Quando o marido diz a apenas dois "deem um get à minha esposa", ou a três "escrevam um get e deem", em ambos os casos eles próprios devem escrever e entregar o documento — não podem repassar a tarefa a terceiros, pois o marido lhes deu uma instrução direta e específica de execução pessoal, e não os constituiu formalmente como um tribunal com poder de delegação. A situação muda quando o marido diz especificamente a três pessoas apenas "deem um get à minha esposa" — sem instruí-los a "escrever" eles mesmos: segundo Rabi Meir, ao dirigir-se a exatamente três pessoas (o número mínimo de um beit din) com essa formulação particular, o marido as constituiu, ainda que implicitamente, como um tribunal formal, e um tribunal tem autoridade para dizer a outros — mesmo escribas ou testemunhas que não estavam entre os três originais — que escrevam e entreguem o get em seu nome. Essa mesma halachá, conta a mishná, foi transmitida por Rabi Chanina, homem de Ono, que a trouxe consigo de dentro da prisão, citando-a como tradição recebida de seus próprios mestres. Rabi Yossei então acrescenta uma tradição complementar, ainda mais ampla: nós também recebemos uma tradição — através do mensageiro que designamos para comunicar-se com Rabi Chanina — de que mesmo que o marido dissesse ao próprio grande Sinédrio de Jerusalém "deem um get à minha esposa", os membros do tribunal, mesmo que não soubessem escrever get pessoalmente, deveriam aprender a escrevê-lo, e então escrevê-lo e entregá-lo eles mesmos — pois, sendo o tribunal máximo, não haveria a quem delegar a tarefa. Finalmente, a mishná trata do caso de dez homens instruídos pelo marido: se ele disse "escrevam um get para minha esposa" (sem "todos vocês"), basta que um deles escreva o documento e dois assinem como testemunhas — pois o marido não exigiu a participação de todos igualmente. Mas se ele disse explicitamente "todos vocês escrevam", entendendo-se que desejava o envolvimento pessoal de cada um dos dez no processo, então, embora fisicamente apenas um escreva o texto, todos os dez devem assinar como testemunhas, pois essa foi sua condição expressa. E justamente por essa razão — porque o marido condicionou a validade do get à participação de todos os dez —, se um deles morrer antes da assinatura completa, o get inteiro se torna nulo, pois a condição exigida por ele não pode mais ser cumprida.
Rambam, no Perush HaMishná, detalha como cada instrução deve ser esclarecida na prática, e confirma a halachá segundo Rabi Yossei; Bartenura distingue com precisão quando um grupo age como agentes e quando age como tribunal.
Rambam explica algo que poderia parecer surpreendente: não é impossível que os membros do próprio grande Sinédrio não fossem hábeis na escrita técnica de um get, pois a condição de integrar o tribunal é ser versado em sabedoria — e não necessariamente ser escriba profissional; por isso a mishná prevê que "aprendam" a escrevê-lo. Rambam também esclarece o mecanismo de "todos vocês escrevam": quando o marido não especifica de outra forma, todos os dez assinam, mas apenas dois deles assinam pela condição legal de testemunhas propriamente ditas — os demais assinam por exigência da condição pessoal que o marido impôs, e não porque sejam tecnicamente necessários como testemunhas. A halachá segue Rabi Yossei.
Bartenura esclarece a distinção central: quando o marido se dirige apenas a dois — número insuficiente para constituir um tribunal —, mesmo sem dizer explicitamente "escrevam", eles devem escrever pessoalmente, sem poder delegar a um escriba externo, pois o marido os designou como agentes e testemunhas diretas, não como tribunal com poder de mandar terceiros. Já quando se dirige a três, dizendo apenas "deem" (sem "escrevam"), o número exato — mínimo de um beit din — muda a natureza jurídica do grupo: eles se tornam um tribunal e, como tal, podem dizer a outras testemunhas e escribas que escrevam, assinem e entreguem o get em seu nome, porque foi assim que o marido os constituiu.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Guitin 66a-66b), encerrando o Perek Vav, além de Rambam e Bartenura.
Rashi confirma a distinção nuclear entre dois destinatários e três: quando são apenas dois, mesmo sem instrução explícita de "escrever", eles devem assinar pessoalmente, sem poder repassar a tarefa, pois o marido não os constituiu tribunal, mas simples testemunhas designadas. E quando são três, mas o marido explicitamente lhes disse "escrevam e deem" — e não apenas "deem" —, eles continuam sendo simples testemunhas, e não tribunal, apesar de reunirem o número mínimo necessário: pois a formulação explícita de "escrevam" já demonstra que o marido pretendia que eles agissem pessoalmente, e não como órgão delegante. Sobre a tradição trazida da prisão, Rashi esclarece que se trata da própria prisão de Rabi Akiva, e que Rabi Chanina Ish Ono a transmitiu em seu nome. E sobre a réplica de Rabi Yossei, Rashi explica que "designamos o mensageiro" significa que eles próprios enviaram um mensageiro a Rabi Chanina, autorizando-o a transmitir também essa segunda halachá na casa de estudo. Por fim, Rashi confirma que, se os membros do grande Sinédrio não soubessem escrever pessoalmente o get, eles deveriam aprender a fazê-lo até serem capazes de escrevê-lo com as próprias mãos.
Rambam encerra confirmando que a decisão final da mishná segue Rabi Yossei, cuja tradição amplia ainda mais o alcance do princípio de Rabi Meir: até mesmo o tribunal máximo de Jerusalém, se instruído apenas com "deem", teria a obrigação de aprender a escrever e executar pessoalmente o get, precisamente por não haver, acima dele, qualquer outro tribunal a quem delegar a tarefa.
Bartenura confirma que a tradição citada por Rabi Chanina Ish Ono remonta ao próprio Rabi Akiva, que estava então preso. E esclarece o sentido de "designamos o mensageiro": os sábios da academia disseram a Rabi Chanina que agisse como seu mensageiro para transmitir também esta segunda tradição — a de Rabi Yossei, ainda mais ampla — na casa de estudo. Finalmente, Bartenura fecha a mishná — e todo o Perek Vav — confirmando que, mesmo os mais eruditos, se não soubessem escrever um get pessoalmente, deveriam aprender a fazê-lo até serem capazes de redigi-lo com as próprias mãos.
Com esta mishná encerra-se o Perek Vav de Massechet Guitin — sete mishnayot dedicadas à figura do agente (shaliach) na entrega e no recebimento do get: o poder de retratação do marido conforme o tipo de agência designada; as duas duplas de testemunhas exigidas quando a esposa designa seu próprio agente, e o caso da jovem noiva; a incapacidade jurídica da menor para constituir agente, e a diferença entre indicar um lugar e condicioná-lo; as consequências práticas dessas distinções para o direito de comer da teruma; a clareza de linguagem exigida nas ordens de divórcio, e a evolução histórica sobre quem, em perigo iminente, basta dizer "escrevam"; o contraste entre o homem em risco de vida e o homem saudável que zomba, e o caso da queda do telhado; e o encerramento com a distinção entre grupos de agentes e tribunais formais, e o get que se torna nulo pela morte de um dos dez assinantes exigidos.