Aquele que foi lançado num poço e disse: Todo aquele que ouvir sua voz, que escreva um get para sua esposa — eis que estes devem escrever e dar. O saudável que disse: Escrevam um get para minha esposa — quis brincar com ela. Houve um caso de um homem saudável que disse: Escrevam um get para minha esposa — e subiu ao topo do telhado e caiu e morreu. Disse Rabban Shimon ben Gamliel: disseram os sábios: se caiu por si mesmo, eis que é get; se o vento o empurrou, não é get. — A mishná abre com um caso ainda mais radical do que os da mishná anterior: alguém lançado num poço, temendo morrer ali, que grita para que quem quer que ouça sua voz escreva um get para sua esposa — mesmo sem conhecer pessoalmente quem o escuta, nem esses conhecerem a ele. Ainda assim, precisamente porque essa pessoa especificou seu próprio nome, o de sua esposa e todos os detalhes necessários, a urgência extrema da situação — a beira da morte, sem saber se sobreviverá — já demonstra intenção plena de que o get seja escrito e entregue, de modo que quem ouvir deve escrevê-lo e providenciar sua entrega, mesmo sem conhecer o homem. Em contraste absoluto, a mishná apresenta o caso do homem saudável (bari) que, sem qualquer circunstância de perigo, diz apenas "escrevam um get para minha esposa", sem acrescentar "e deem": como não há urgência alguma que explique por que ele não completou a instrução, presume-se que ele "quis zombar dela" — ou seja, fez uma declaração vazia, sem intenção séria de divórcio, talvez por raiva momentânea ou provocação, e nenhum get válido deve ser escrito com base nisso. A mishná então relata um caso concreto que testa esse princípio: um homem saudável disse "escrevam um get para minha esposa" e, em seguida, subiu ao topo do telhado — e caiu e morreu. Rabban Shimon ben Gamliel relata a decisão dos sábios sobre esse caso ambíguo: se ele caiu por iniciativa própria (revelando, com esse ato final, que sua intenção desde o início era pôr fim à própria vida e, portanto, também ao casamento — seu fim comprova seu começo), o get é válido; mas se foi o vento que o empurrou contra sua vontade — um acidente que nada revela sobre sua intenção original ao pedir o get —, permanece a presunção inicial de zombaria, e o get é inválido.
Rambam, no Perush HaMishná, explica o critério de "o fim revela o início" e confirma a halachá segundo Rabban Shimon ben Gamliel; Bartenura esclarece o texto elíptico da mishná sobre o caso do telhado.
Rambam esclarece o princípio geral: presume-se zombaria apenas quando não existe nenhuma circunstância que revele a verdadeira intenção do marido — e é exatamente esse o ponto que o relato concreto do homem que subiu ao telhado e caiu vem ilustrar, pois ali existe, sim, um fato posterior capaz de revelar a intenção original. A halachá segue Rabban Shimon ben Gamliel.
Bartenura precisa que o homem no poço mencionou seu próprio nome e o nome de sua cidade, para que quem o ouvisse pudesse identificá-lo e agir corretamente. E confirma que a presunção de zombaria decorre precisamente do fato de ele não ter dito "e deem" — sem essa palavra, falta a instrução de entrega. Sobre o caso do telhado, Bartenura explica que o texto da mishná está elíptico, faltando uma frase intermediária, e deveria ser lido assim: "e se seu fim comprovou seu início, eis que é get — e houve também um caso de um homem saudável [que subiu ao telhado etc.]." A halachá segue Rabban Shimon ben Gamliel.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Guitin 66a), além de Rambam e Bartenura.
Rashi confirma que a validade do get para quem grita do poço depende de ele ter mencionado seu próprio nome e o de sua cidade — sem isso, ninguém saberia a quem atribuir o get. Sobre a presunção de zombaria, Rashi reafirma que ela decorre exatamente da ausência da palavra "deem". E sobre o caso da queda do telhado, Rashi explica com precisão o raciocínio jurídico: se ele caiu por iniciativa própria, isso prova que sua intenção, desde o início, já era pôr fim à vida — e seu fim comprova seu começo —, de modo que sua situação passa a ser equiparada à daqueles mencionados na mishná anterior, o que embarca ao mar e o moribundo, cuja simples ordem "escrevam" já basta para constituir get válido.
Rambam resume o critério central da mishná: a presunção de zombaria vale apenas na ausência de qualquer indício objetivo da intenção real do marido, e cede diante de qualquer fato posterior capaz de revelá-la — como demonstra o caso concreto relatado na própria mishná.