Aquele a quem tomou o kurdiakos, e disse: Escrevam um get para minha esposa — não disse nada. Disse: Escrevam um get para minha esposa, e o tomou o kurdiakos, e voltou e disse: Não escrevam — suas últimas palavras não são nada. Emudeceu, e disseram-lhe: Escreveremos um get para tua esposa? — e ele inclinou a cabeça, examinam-no três vezes; se disse sobre o não, não, e sobre o sim, sim, eis que estes devem escrever e dar. — A mishná abre o Perek Zayin com uma série de casos em que a capacidade mental do marido no momento exato da ordem determina a validade do get. O kurdiakos é uma forma de insanidade temporária, causada segundo a Guemará pela embriaguez de vinho novo tirado direto do lagar — um estado de confusão mental passageira e reconhecível, do qual a pessoa se recupera. Se o marido, já tomado por esse estado, ordena escrever o get, sua ordem não vale absolutamente nada, pois ele não estava em condições de tomar uma decisão halachicamente válida — não há necessidade sequer de considerar suas palavras. Mas se ele deu a ordem enquanto ainda lúcido, e só depois foi tomado pelo kurdiakos e, nesse estado alterado, tentou retratar-se dizendo "não escrevam", essa retratação tardia não tem nenhum valor, porque foi proferida fora de um estado de sanidade — a ordem original, dada com plena lucidez, permanece válida, e os escribas podem prosseguir com a escrita do get com base nela. A mishná passa então a um caso diferente: o do marido que emudeceu — perdeu a capacidade de falar, mas não necessariamente a lucidez mental. Quando lhe perguntam se deseja que escrevam um get para sua esposa e ele apenas inclina a cabeça em sinal afirmativo, essa resposta não verbal não é aceita de imediato como prova suficiente de sua vontade consciente; por isso, examinam-no três vezes com perguntas variadas, algumas com resposta esperada negativa e outras com resposta esperada positiva. Somente se ele responder consistentemente — inclinando a cabeça de um certo modo para "não" quando a resposta correta é não, e de outro modo para "sim" quando a resposta correta é sim — é que sua competência mental fica demonstrada, e então podem escrever e entregar o get com base nesses sinais.
Rambam, no Perush HaMishná, define com precisão médica o que é o kurdiakos e explica por que não se pergunta novamente ao marido depois que ele se recupera; Bartenura detalha o mecanismo do exame por sinais de cabeça.
Rambam explica que o kurdiakos é uma doença que surge do preenchimento excessivo das cavidades do cérebro, o que perturba a mente por essa razão — sendo uma espécie das doenças que causam queda ou convulsão. E quando a mishná diz que suas últimas palavras não são nada, o sentido é que não precisamos voltar a perguntar-lhe, depois que sair de sua doença, se ele mantém suas palavras originais ou não — a ordem inicial, dada com lucidez, já é suficiente e definitiva; apenas não se escreve o get enquanto durar esse estado de confusão. E "inclinou a cabeça" significa que ele faz um sinal com a cabeça que constitui uma resposta correta à pergunta, e o examinam com todos os tipos possíveis de verificação, na medida do que for viável.
Bartenura explica que o kurdiakos é o estado em que a mente da pessoa fica perturbada por causa de uma espécie de espírito que domina quem bebe vinho recém-tirado do lagar. Sobre "não é preciso voltar a perguntar-lhe": não é necessário retornar e questioná-lo depois que sua mente se assenta — basta escrever o get apoiando-se em suas primeiras palavras; mas enquanto sua mente ainda estiver perturbada, não se escreve o get. "Inclinou" significa que ele se curvou, fez um gesto de assentimento. E "examinam-no" significa que o questionam com outras perguntas diversas, para confirmar que sua resposta corresponde de fato ao que lhe é perguntado, e não é apenas um movimento aleatório.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Guitin 67b), que abre o Perek Zayin, além de Rambam e Bartenura.
Rashi identifica o kurdiakos como o nome de uma força demoníaca que domina aquele que bebe muito vinho ainda novo, recém-saído do lagar. E explica que "não disse nada" significa que sua mente não está assentada — ou seja, não está em condições de emitir uma declaração halachicamente vinculante, e por isso a ordem dada nesse estado é tratada como se nunca tivesse sido pronunciada.
Rambam esclarece a etiologia médica do kurdiakos: trata-se de um distúrbio que resulta do excesso de acúmulo nas cavidades do cérebro, que por essa razão perturba a mente — enquadrando-o entre as doenças que causam quedas ou convulsões, um estado reconhecível e transitório do qual a pessoa se recupera.
Bartenura confirma que o kurdiakos é causado por um espírito que domina quem bebe vinho recém-saído do lagar, e esclarece que o exame das três vezes se faz com perguntas variadas e diferentes entre si, de modo a confirmar que a resposta do marido reflete de fato compreensão consciente, e não um movimento involuntário e sem sentido.