Dois que enviaram dois gitin idênticos e se misturaram: dá-se ambos a esta e ambos àquela. Por isso, se um deles se perdeu, o segundo fica anulado. Cinco que escreveram uma fórmula geral dentro do get — "fulano divorcia fulana, e fulano, fulana" — com as testemunhas embaixo: todos são válidos, e se dá a cada uma delas. Se foi escrito um modelo para cada um, com as testemunhas embaixo: aquele junto ao qual as testemunhas são lidas é válido. — A mishná trata primeiro do caso de dois homens de mesmo nome, casados com mulheres também de mesmo nome, que enviaram, cada um, um get para sua esposa por meio de um agente — e os dois documentos, sendo idênticos em toda a redação, se misturaram, de modo que não se sabe mais qual pertence a qual mulher. A solução é entregar ambos os documentos a ambas as mulheres: cada uma recebe seu get de fato, ainda que não se saiba qual dos dois é exatamente o seu. Como consequência dessa solução, se um dos dois documentos se perde antes de ambos serem entregues, o outro perde toda a validade — pois já não há mais como garantir que ele pertence a qualquer uma das duas mulheres em particular. Em seguida, a mishná trata do caso de cinco maridos que redigiram um único documento coletivo, com uma fórmula geral listando todos os casais de uma vez, e as assinaturas das testemunhas ao final: nesse caso, todos os "gitin" contidos nesse documento único são válidos, e o mesmo pergaminho deve ser entregue, sucessivamente, a cada uma das cinco mulheres. Mas se, em vez disso, o escriba escreveu uma fórmula completa e separada para cada casal individualmente, com as testemunhas assinando apenas uma vez ao final de tudo, apenas aquele parágrafo junto ao qual as assinaturas das testemunhas se encontram fisicamente próximas é considerado válido — pois só dele se pode dizer, com certeza, que as testemunhas realmente testemunharam.
Rambam define com precisão a diferença entre "kelal" (fórmula geral com uma só data) e "tofes" (modelo repetido com data própria para cada casal); Bartenura confirma a mesma distinção e explica por que o get de dois nomes idênticos se anula quando um se perde.
Rambam explica com um exemplo prático a diferença entre as duas formas de redigir o documento coletivo: no formato "kelal" (fórmula geral), o escriba escreve uma única data no início — por exemplo, "no segundo dia da semana" — seguida da lista completa de todos os casais que estão se divorciando naquele mesmo dia, e só então completa os demais elementos do texto uma única vez para todos. Já no formato "tofes" (modelo), o escriba escreve uma data própria para cada casal individualmente — "no segundo dia da semana, fulano divorciou fulana", completando ali mesmo todo o texto do get daquele casal — e então recomeça o processo do zero para o próximo casal, como se fossem, na prática, vários gitin distintos e completos escritos um atrás do outro no mesmo pergaminho, com as testemunhas assinando apenas ao final de tudo.
Bartenura confirma que os "dois gitin idênticos" da primeira parte da mishná são idênticos especificamente quanto aos nomes das partes — dois maridos homônimos, casados com duas esposas também homônimas. E explica por que a perda de um deles anula totalmente o outro: uma vez que os dois documentos originais se misturaram e já não se sabe qual pertencia a qual mulher, a única solução viável era entregar ambos a ambas; mas, perdido um deles, não há mais como saber a quem pertence o documento restante, tornando-o inútil como get para qualquer uma das duas. Bartenura repete, de forma sucinta, a mesma distinção de Rambam entre kelal (data única para todos) e tofes (data própria para cada casal).
Rashi, sobre a Guemará (Guitin 86b), confirma a mesma leitura da mishná e explica por que, no caso do "tofes", só o get junto ao qual as testemunhas estão fisicamente ligadas é válido.
Rashi confirma, na mesma linguagem sucinta de Bartenura, que os dois gitin da mishná são idênticos quanto aos nomes — dois homens e duas mulheres homônimos entre si — e que a razão pela qual o get restante se anula, uma vez perdido o outro, é a impossibilidade de determinar com certeza a qual das duas mulheres ele efetivamente pertence.
Rashi esclarece o critério prático para determinar qual dos parágrafos do "tofes" é válido: trata-se sempre daquele que está imediatamente acima das assinaturas das testemunhas — o último parágrafo escrito, mais próximo delas. Todos os parágrafos anteriores, ainda que completos em sua própria redação, ficam inválidos, pois há sempre a possibilidade real de que as testemunhas tenham testemunhado apenas sobre o último casal listado, e não sobre os demais.