Antigamente, ele convocava um tribunal em outro lugar e o anulava. Rabban Gamliel Hazaken instituiu que não façam assim, pelo bem da ordem social. Antigamente, ele mudava seu nome e o dela, o nome de sua cidade e o nome da cidade dela. E Rabban Gamliel Hazaken instituiu que se escreva: "fulano, e toda alcunha que tiver", "fulana, e toda alcunha que tiver" — pelo bem da ordem social. — A primeira parte descreve a prática antiga descrita na mishná anterior: o marido que quisesse anular o get, sem alcançar pessoalmente o mensageiro nem a esposa, convocava três pessoas para servirem de tribunal em qualquer lugar onde estivesse e declarava o get anulado diante delas — um ato válido, mas que ninguém além dele e daquele tribunal improvisado sabia ter ocorrido. Rabban Gamliel Hazaken proibiu essa prática porque ela criava um risco grave: o mensageiro, sem saber que o get fora anulado, continuava a entregá-lo à esposa, que se casava de boa-fé pensando estar legalmente divorciada — quando, na verdade, ainda era casada, e os filhos que viesse a ter do segundo marido seriam mamzerim. A segunda parte trata de um problema distinto: como muitas pessoas eram conhecidas por nomes diferentes em lugares diferentes — um nome na terra onde moravam antes, outro no lugar onde o get estava sendo escrito — o escriba, antigamente, registrava apenas o nome usado no local da escrita, sem se preocupar em mencionar o outro. Rabban Gamliel Hazaken instituiu que se escrevesse explicitamente "e toda alcunha que tiver", tanto para o marido quanto para a esposa, de modo que, mesmo que o get chegasse a um lugar onde as pessoas conhecessem apenas o outro nome do casal, ninguém pudesse alegar que aquele get não pertencia a ela — evitando assim que se lançasse dúvida sobre a validade do divórcio e, por extensão, sobre a legitimidade de eventuais filhos futuros.
Rambam, no Perush HaMishná, explica o perigo concreto de mamzerut por trás de cada uma das duas takanot; Bartenura detalha as condições práticas para escrever os múltiplos nomes.
Rambam explica que "o bem da ordem social" da primeira takaná refere-se precisamente ao caso em que o marido deposita uma declaração de coação (modaá) sobre o get perante um tribunal, ou o anula depois de já escrito — diante de dois ou mais, ou mesmo mudando seu nome e o dela — e a esposa acaba se casando sem saber que o get está anulado, de modo que os filhos nascidos dessa segunda união seriam mamzerim, pois ela permanece tecnicamente casada com o primeiro marido. Por isso, Rambam relata, quem anula um get dessa forma secreta era açoitado — como também aquele que deposita uma declaração de coação sobre um get sem avisar as partes envolvidas. Quanto à segunda cláusula, Rambam esclarece que ela só se aplica quando a pessoa é conhecida por dois nomes distintos em dois lugares diferentes, ou quando se escreve o nome mais conhecido acompanhado da fórmula "e toda alcunha que tiver" — mas se, por exemplo, o homem se chama Yitzchak e no get está escrito "Avraham, e toda alcunha que tenho", o get é inválido.
Bartenura descreve a prática antiga: quando alguém tinha dois nomes — um usado na sua terra de origem e outro na terra onde o get estava sendo escrito —, o escriba costumava divorciar a esposa apenas com o nome usado no local da escrita, sem se preocupar em registrar o outro. Rabban Gamliel Hazaken instituiu que a fórmula "e toda alcunha que tiver" fosse acrescentada exatamente para evitar que, ao chegar a um lugar onde as pessoas o conheciam apenas pelo outro nome, os filhos de sua esposa (caso ela viesse a se casar de novo) sofressem a difamação de que ela nunca fora legitimamente divorciada. Bartenura precisa ainda a regra prática: se a pessoa é conhecida por dois nomes em dois lugares diferentes — um no lugar da escrita, outro no lugar da entrega —, o get só é válido se registrar ambos; mas se é conhecida por dois nomes no mesmo lugar e o escriba registrou apenas um deles, o get é válido em retrospecto (embora, a princípio, ambos devessem ser escritos). Porém, se o nome foi efetivamente trocado por outro — e não apenas omitido —, o get é inválido mesmo que a fórmula "e toda alcunha que tenho" tenha sido acrescentada.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Guitin 32b-33b para a primeira cláusula; 34b para a segunda), além de Rambam e Bartenura.
Rashi identifica a takaná de Rabban Gamliel Hazaken como a "takaná dos mamzerim" — para que não haja mamzerim em Israel — precisamente porque a Guemará observa que a nova exigência (bater na porta em busca do mensageiro ou enviar outro atrás dele, publicamente) também gera, como efeito colateral, uma "takaná das agunot": ao obrigar o marido a se esforçar mais para anular o get — indo pessoalmente atrás do mensageiro ou enviando um substituto —, essa dificuldade extra o desestimula de anular levianamente, protegendo a esposa de ficar presa (aguná) numa situação ambígua. Sobre a segunda cláusula, Rashi confirma o quadro descrito por Bartenura: quando a pessoa tinha dois nomes — um na terra de origem, outro no lugar onde o get era escrito — o escriba antigo usava apenas o nome local, sem registrar o outro, o que abria a porta para dúvidas futuras sobre a identidade das partes.
Rambam relata que, em consequência da gravidade da takaná, a tradição registra que o Amora Rav açoitava tanto quem anulava um get em segredo quanto quem depositava uma declaração de coação sobre um get sem avisar adequadamente as partes envolvidas — sinal de que os sábios trataram a violação dessa takaná com extrema seriedade, dado o risco de mamzerut que ela previne.
Bartenura descreve concretamente a prática que a takaná veio proibir: o marido não anulava o get na presença da esposa nem do mensageiro, mas sim onde quer que estivesse, convocando três pessoas ali mesmo para servirem de tribunal e declarando o get anulado diante delas — um procedimento tecnicamente válido, porém completamente invisível para quem continuava a caminho com o documento em mãos. Bartenura confirma que, em razão da takaná de Rabban Gamliel, os sábios chegaram a açoitar quem anulasse o get dessa forma ou depositasse uma declaração de coação sobre ele sem transparência.