"Eis que estás permitida a qualquer homem, exceto a meu pai e a teu pai, a meu irmão e a teu irmão, a um escravo e a um gentio, e a qualquer um com quem ela não tenha kidushin" — é válido. "Eis que estás permitida a qualquer homem, exceto uma viúva ao Cohen Gadol, uma divorciada ou chalutzá ao Cohen comum, uma mamzeret ou netiná a um israelita, uma filha de israelita a um mamzer ou a um natin", e a qualquer um com quem ela tenha kidushin, mesmo que em transgressão — é inválido. — A mishná ensina o critério que separa uma exceção inofensiva de uma que compromete todo o get: se o homem excluído é alguém com quem, de qualquer maneira, não haveria kidushin válido — como um parente proibido por incesto, um escravo ou um gentio — então excluí-lo da permissão não retira nada de real, pois ela já estava impedida de se casar com ele independentemente do get; o documento permanece, portanto, pleno e válido, já que na prática ele a permitiu a todo homem com quem ela poderia legitimamente se casar. Mas se o homem excluído é alguém com quem ela poderia contrair kidushin — ainda que em transgressão, como um mamzer, um natin, ou os casos de proibições sacerdotais especiais (a viúva proibida ao Sumo Sacerdote, a divorciada ou chalutzá proibida ao sacerdote comum) — então a exceção retira algo real da permissão, e o get, por não a liberar integralmente, é inválido.
Sobre esta mishná, Rambam não acrescenta comentário próprio no Perush HaMishná além do texto já claro; Bartenura explica por que a exceção da viúva ao Cohen Gadol retira algo real do get, mesmo o kidushin com ele sendo proibido.
Bartenura explica por que a exceção da viúva ao Cohen Gadol é diferente das exceções da primeira parte da mishná: em geral, o kidushin tem efeito mesmo em uniões proibidas por proibições negativas simples (chayavei lavin) — de modo que, tecnicamente, uma viúva poderia contrair kidushin com um Cohen comum ou outro homem proibido por lavin regular. Mas no caso específico da viúva com o Sumo Sacerdote, o kidushin simplesmente não tem efeito nenhum, por causa de uma proibição de união (issur ishut) especial que recai sobre ela. Ainda assim — e este é o ponto central — como o kidushin efetivamente "pega" (é juridicamente eficaz) na maioria dos outros casos de chayavei lavin listados na mishná (a divorciada com o Cohen comum, a mamzeret com o israelita, etc.), excluir esses homens da permissão do get retira algo juridicamente real da liberdade da mulher, e por isso o get fica incompleto e inválido.
Rashi, sobre a Guemará (Guitin 85a), fecha o raciocínio da mishná explicando cada uma das categorias de exceção listadas na segunda parte.
Rashi confirma e detalha a explicação de Bartenura: o princípio, estabelecido no primeiro capítulo de Kidushin, é que o kidushin tem efeito jurídico mesmo em uniões proibidas por proibições negativas simples — mas não no caso da viúva com o Sumo Sacerdote, cuja proibição decorre de um issur ishut (uma proibição de vínculo conjugal) mais grave. Ainda assim, exatamente porque nos demais casos listados — quando a mulher é solteira e o homem excluído lhe é proibido apenas por uma transgressão de lei negativa — o kidushin de fato tem validade jurídica, a exclusão desse homem retira algo real da permissão concedida pelo get, tornando-o, nas palavras de Rashi, um "shiur": um get que reserva, que não entrega tudo, e por isso é inválido.