O corpo do get: "Eis que estás permitida a qualquer homem." Rabi Yehudá diz: também "e este te será da minha parte um livro de repúdio, e carta de separação, e get de dispensa, para ires te casar com qualquer homem que quiseres." O corpo do get de alforria: "Eis que és mulher livre", "eis que pertences a ti mesma." — A mishná define o núcleo mínimo, indispensável, de cada tipo de documento. Para o get de divórcio, basta a frase "estás permitida a qualquer homem" — é ela que efetivamente liberta a mulher e constitui, por si só, o corpo essencial do documento. Rabi Yehudá discorda, exigindo que o get também contenha a fórmula aramaica mais extensa e explícita, declarando que esse documento serve como "livro de repúdio, carta de separação e get de dispensa", autorizando-a a "ir se casar com qualquer homem que quiser" — pois, sem essa declaração explícita de que é precisamente este documento escrito que a divorcia, poder-se-ia pensar, erroneamente, que ela foi divorciada por mera declaração oral, e que o documento serve apenas como prova, não como o próprio instrumento do divórcio. Da mesma forma, para o get de alforria de uma escrava, o corpo essencial é a declaração "és mulher livre" ou "pertences a ti mesma" — fórmulas que, de modo análogo ao get de divórcio, libertam-na de fato de sua condição de escrava.
Rambam confirma que a halachá segue Rabi Yehudá quanto à fórmula obrigatória, e explica os dois tipos de condição envolvidos na validade do texto do get; Bartenura detalha o motivo pelo qual a frase aramaica adicional é necessária.
Rambam confirma que, embora o corpo essencial do get seja a frase "estás permitida a qualquer homem", a lei segue Rabi Yehudá: é necessário escrever também a frase adicional em aramaico, declarando que este documento é o instrumento pelo qual ela recebe sua liberdade. Rambam acrescenta um princípio mais amplo: o get pode ser escrito em qualquer língua e em qualquer tipo de escrita, desde que satisfaça duas condições — uma condição de linguagem (conter as expressões específicas exigidas na fórmula do get) e uma condição de escrita (não deixar dúvida alguma quanto à leitura correta do texto, seja por palavras faltantes, seja por letras deformadas em relação à forma convencionada por essa nação).
Bartenura explica a razão pela qual Rabi Yehudá exige a fórmula adicional: o documento precisa demonstrar explicitamente, em seu próprio texto, que é por meio dele — este documento escrito — que o marido a está divorciando. Se essa declaração não constar do texto, poder-se-ia concluir, erroneamente, que ele já a havia divorciado por meio de uma simples declaração verbal, e que o documento escrito serviria apenas como prova posterior desse divórcio verbal, e não como o próprio instrumento jurídico do divórcio — distinção com consequências práticas importantes. A halachá segue Rabi Yehudá.
Rashi, sobre a Guemará (Guitin 85a-85b), fixa a leitura exata da fórmula aramaica de Rabi Yehudá e do termo "sefer terichin".
Rashi define de forma sucinta a expressão "gufo shel get" (o corpo do get): trata-se do texto essencial que deve necessariamente ser escrito no documento — a fórmula mínima e indispensável sem a qual ele não cumpre sua função de divorciar.
Rashi traduz a fórmula aramaica de Rabi Yehudá palavra por palavra: "e este que te será da minha parte" equivale a dizer "e este é o livro que será teu, vindo de mim". E confirma, no mesmo sentido de Bartenura, que a razão de exigir os termos redundantes — "livro de repúdio", "carta de separação" e "get de dispensa" — é demonstrar de modo inequívoco, dentro do próprio texto, que é por meio deste documento específico que o marido a divorcia, e não por uma declaração verbal anterior da qual o documento seria mera prova.