Quem traz um get de terras distantes e adoeceu — constitui um tribunal e o envia, e diz diante deles: "em minha presença foi escrito e em minha presença foi assinado". E o último mensageiro não precisa dizer "em minha presença foi escrito e em minha presença foi assinado", mas diz: "sou mensageiro do tribunal". — O get trazido de fora da Terra de Israel exige que o mensageiro testemunhe perante a mulher (ou o tribunal) que viu pessoalmente sua escrita e assinatura — pois presume-se que os guitin do exterior não foram assinados por testemunhas conhecidas localmente, e essa declaração supre a falta de confirmação sobre a validade das assinaturas. Por isso, quando esse mensageiro adoece no caminho, ele não pode simplesmente entregá-lo a outra pessoa para que o leve adiante — isso apagaria seu testemunho pessoal. Em vez disso, ele deve comparecer perante um tribunal, fazer ali sua declaração formal, e o próprio tribunal, já convencido da validade do get, constitui um novo mensageiro para completar a entrega. Esse mensageiro final não precisa repetir a declaração de "em minha presença foi escrito e assinado" — pois ele não presenciou a escrita —, bastando que se identifique como enviado por aquele tribunal, cuja palavra já basta.
Rambam, no Perush HaMishná, esclarece que a cadeia de mensageiros pode se estender por muitos elos, todos perante tribunal.
Rambam explica que o segundo mensageiro, se também precisar repassar a missão, pode nomear um terceiro — e assim sucessivamente, ainda que a cadeia chegue a mil mensageiros — desde que cada um deles seja nomeado pelo anterior perante um tribunal. Ele reafirma que, na Terra de Israel, não há necessidade dessa formalidade do tribunal, como já explicara anteriormente: a exigência de constituir tribunal é exclusiva do get vindo de fora da terra, precisamente porque ali existe a declaração "em minha presença foi escrito e assinado" que precisa ser formalmente registrada.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Guitin 29b), além de Rambam e Bartenura.
Rashi explica que o motivo de constituir um tribunal é que o primeiro mensageiro precisa declarar perante eles "em minha presença foi escrito e assinado" — declaração que o mensageiro seguinte, que não presenciou a escrita, jamais poderia fazer. Uma vez que o tribunal ouve essa declaração e a aceita, presume-se que agiu corretamente ao nomear o novo mensageiro, e este pode simplesmente afirmar "sou mensageiro do tribunal", sem repetir o testemunho original. Rashi acrescenta que essa cadeia pode se estender: um segundo mensageiro pode nomear um terceiro, e assim por diante, sempre perante tribunal — e, se o primeiro mensageiro morrer antes de o get chegar às mãos da mulher, toda a cadeia de nomeações se anula, pois todos derivam sua autoridade dele.
Rambam contrasta esta mishná com a anterior: fora da Terra de Israel, a exigência do tribunal decorre diretamente da necessidade de registrar formalmente a declaração "em minha presença foi escrito e assinado" — algo que não existe para o get trazido dentro da terra, onde o mensageiro doente pode simplesmente nomear outro por si mesmo.
Bartenura confirma que, uma vez que o primeiro mensageiro fez sua declaração perante o tribunal, presume-se que este agiu com o devido cuidado ao autorizar o próximo mensageiro — que por sua vez pode nomear um terceiro, e assim sucessivamente, mesmo até cem elos, desde que cada nomeação ocorra perante tribunal, exatamente como a mishná ensina que nenhum mensageiro além do primeiro precisa dizer "em minha presença foi escrito e assinado", bastando afirmar "sou mensageiro do tribunal".