Traze-me meu get — ela come da teruma até que o get chegue à sua posse. Recebe meu get para mim — está proibida de comer da teruma imediatamente. Recebe meu get para mim em tal lugar — ela come da teruma até que o get chegue àquele lugar. Rabi Eliezer proíbe imediatamente. — Uma mulher casada com um cohen tem o direito de comer da teruma enquanto o casamento estiver intacto; esse direito cessa no exato instante em que o divórcio se consuma. A mishná aplica esse princípio às três fórmulas já vistas nas mishnayot anteriores. Quando ela diz ao seu agente "traze-me meu get", ela o constitui apenas agente de entrega — uma extensão do marido, não dela —, de modo que o divórcio só se consuma quando o documento chega fisicamente à posse dela; até esse momento, ela permanece plenamente autorizada a comer da teruma. Mas quando ela diz "recebe meu get para mim", ela o constitui agente de recebimento pleno — sua própria extensão jurídica —, e o divórcio se consuma no instante em que o marido entrega o documento a esse agente, ainda que ela, fisicamente distante, sequer saiba disso; por isso a mishná determina que ela fica proibida de comer da teruma imediatamente a partir desse momento, pois há receio real de que o marido já tenha encontrado o agente e lhe entregado o get sem que ela tivesse conhecimento do momento exato. A terceira cláusula trata do caso intermediário, já visto na mishná anterior: se ela disse "recebe meu get para mim em tal lugar", condicionando a agência de recebimento a um local específico, ela continua comendo da teruma até que o get de fato chegue àquele lugar determinado — pois só ali a agência de recebimento é válida, e antes disso não há divórcio algum. Rabi Eliezer discorda dessa última cláusula: consistente com sua posição na mishná anterior — de que a menção do lugar pela esposa é mera indicação, e não condição vinculante —, ele sustenta que, uma vez que o agente pode ter recebido o get em qualquer lugar onde encontrou o marido, ela deve ser proibida de comer da teruma imediatamente, por receio de que o recebimento já tenha ocorrido fora do lugar mencionado.
Rambam, no Perush HaMishná, confirma que a halachá não segue Rabi Eliezer; Bartenura esclarece a razão prática do receio por trás da posição de Rabi Eliezer.
Rambam confirma, de forma sucinta, que a halachá segue a posição da maioria dos sábios: a esposa que designou seu agente de recebimento com um lugar específico como condição continua comendo da teruma até que o get de fato chegue àquele lugar determinado, e não antes.
Bartenura confirma que a mishná trata especificamente da esposa de um cohen, e que "até que chegue àquele lugar" reflete exatamente o que ela disse ao agente: que ele não seria seu agente de recebimento senão naquele lugar preciso. E explica a consistência lógica de Rabi Eliezer: como ele já sustenta, na mishná anterior, que a menção do lugar pela esposa é mera indicação — e não condição vinculante —, ele conclui aqui que, desde o momento em que o agente se separa da presença dela, ela já deve ser proibida de comer da teruma, por receio de que ele tenha encontrado o marido fora da cidade e recebido o get dele em outro lugar qualquer. A halachá, contudo, não segue Rabi Eliezer.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Guitin 65a-65b), além de Rambam e Bartenura.
Rashi confirma que a mishná pressupõe uma mulher casada com um cohen, e explica com precisão o mecanismo do receio por trás da posição de Rabi Eliezer: como ele já entende, na mishná anterior, que a menção do lugar pela esposa não é uma condição real — apenas uma indicação de onde encontrá-la —, ele conclui que o recebimento do get pode ter ocorrido em qualquer lugar onde o agente encontrou o marido, inclusive fora da cidade; por isso, assim que o agente se separa da presença da esposa para ir ao encontro do marido, já existe receio suficiente para proibi-la de comer da teruma, mesmo antes que o get retorne ao lugar combinado. E Rashi conecta essa posição à razão de fundo já explicada: como não é a esposa quem determina o próprio paradeiro de forma soberana e vinculante para efeitos do get, sua menção do lugar não passa de uma indicação prática.
Rambam reafirma que a halachá não segue Rabi Eliezer também neste ponto específico, mantendo a coerência com a posição já fixada na mishná anterior sobre a validade da condição de lugar estabelecida pela esposa.