Também as mulheres que não são confiáveis para dizer "morreu seu marido" são confiáveis para trazer seu get: sua sogra, a filha de sua sogra, sua coesposa, sua cunhada-levirato e a filha de seu marido. Qual a diferença entre o get e a morte? Que o escrito comprova. A própria mulher traz seu get, contanto que ela precise dizer: em minha presença foi escrito e em minha presença foi assinado. — Mesmo as mulheres que normalmente não são consideradas confiáveis para testemunhar "morreu o marido dela" — porque há suspeita de que a odeiem e queiram prejudicá-la, a saber: a sogra, a filha da sogra, a coesposa (rival), a cunhada-levirato (yevamá) e a enteada — são, no entanto, consideradas confiáveis para trazer o get de divórcio dela. A diferença é que, no caso do get, é o próprio documento escrito que comprova o divórcio, e a mulher que o traz apenas complementa essa prova; já na alegação de morte não há prova documental alguma, apenas o depoimento oral — por isso ali a suspeita de má intenção basta para desqualificá-las, mas aqui, onde o escrito já demonstra o fato, essa mesma suspeita não é suficiente para invalidar seu testemunho. Por fim, a própria mulher pode trazer seu próprio get perante o tribunal, desde que declare "foi escrito em minha presença e foi assinado em minha presença" — declaração exigida apenas em certas circunstâncias, como quando o get vem do exterior.
Rambam, no Perush HaMishná, remete ao que já explicou em Yevamot sobre por que essas mulheres não são confiáveis para testemunhar a morte, e esclarece quando exatamente se exige a declaração da própria mulher.
Rambam remete ao que já explicou no tratado Yevamot sobre a razão pela qual essas mulheres não são confiáveis para testemunhar a morte do marido. Explica que elas são, no entanto, confiáveis quanto ao get — inclusive um get vindo do exterior — e que, mesmo que o marido depois apareça e conteste a entrega, não se dá atenção a essa contestação, pois a razão da desconfiança original (a suspeita de más intenções) já não se aplica ao caso do get, comprovado pelo próprio escrito. Esclarece ainda que a exigência de a própria mulher declarar "escrito em minha presença e assinado em minha presença" só se aplica quando o marido lhe entregou o get sob a condição de que ela só se divorciasse perante um tribunal específico, fazendo ali essa declaração — caso em que o tribunal recebe o get de suas mãos depois da declaração e nomeia um mensageiro para devolvê-lo a ela. Sem essa condição, qualquer mulher de cuja mão saia um get, em qualquer lugar, já está divorciada, mesmo que as testemunhas do get não sejam conhecidas, e ela não precisa fazer aquela declaração.
Encerrando o Perek Bet, perush de Rashi sobre a Guemará (Guitin 23b), além de Rambam e Bartenura.
Rashi remete ao tratado Yevamot, onde já se explica, para cada uma dessas mulheres, por que se supõe que a odeiem e tenham intenção de prejudicá-la: a sogra e a filha da sogra, por rivalidade natural; a coesposa, por ciúme; a cunhada-levirato, porque teme que, se o marido dela morrer sem filhos, ela e a outra esposa se tornem coesposas rivais na obrigação de levirato. Por isso nenhuma delas é confiável para testemunhar a morte do marido — mas quanto ao get, explica Rashi, a diferença é que na morte não há prova além do depoimento oral, enquanto no get há o próprio documento escrito como prova, e por isso são confiáveis para trazê-lo. Rashi nota ainda que a declaração "escrito e assinado em minha presença" só é exigida fora da Terra de Israel; dentro da terra, a mulher não precisa fazer tal declaração.
Rambam reforça que a diferença essencial entre a confiabilidade para testemunhar a morte e a confiabilidade para trazer o get está na existência do documento escrito, que por si só comprova o divórcio — e explica que a exigência da declaração "escrito e assinado em minha presença" está condicionada apenas a certas circunstâncias específicas, e não é regra geral para toda mulher que traz seu próprio get.
Bartenura explica que sogra, filha da sogra, coesposa, cunhada-levirato e enteada não são confiáveis para dizer "morreu o marido dela", porque presume-se que a odeiam e têm intenção de prejudicá-la. Sobre a exigência de que a própria mulher declare "escrito em minha presença e assinado em minha presença", explica que isso se aplica especificamente quando o marido condicionou com ela, no momento em que lhe entregou o get, que ela só se divorciasse perante o tribunal de determinado lugar e fizesse ali essa declaração — e o tribunal toma o get de sua mão depois da declaração, nomeando um mensageiro que o devolve a ela. Mas uma mulher cujo get sai de sua mão em qualquer lugar que esteja, sem tal condição, já está divorciada, mesmo que o get não esteja autenticado por suas assinaturas, e ela não precisa fazer aquela declaração.
Com esta mishná encerra-se o Perek Bet de Massechet Guitin — sete mishnayot, tratando da declaração exigida do mensageiro que traz o get do exterior, dos materiais e superfícies sobre os quais o get pode ser escrito, dos requisitos de quem pode escrever e de quem pode trazer o get, e das mulheres normalmente desconfiadas para testemunhar a morte do marido que, ainda assim, são confiáveis para trazer o get de divórcio dela.