Quem traz um get na Terra de Israel não precisa dizer diante de mim foi escrito e diante de mim foi assinado. Se há contestadores contra ele, ratifica-se por suas assinaturas. Quem traz um get do exterior e não pode dizer diante de mim foi escrito e diante de mim foi assinado — se há testemunhas sobre ele, ratifica-se por suas assinaturas. — Dentro da própria Terra de Israel, onde caravanas e viajantes são frequentes e as assinaturas das testemunhas costumam ser reconhecíveis, o emissário não precisa fazer nenhuma declaração especial — o get é aceito como qualquer outro documento. Mas se o marido vier contestar, afirmando que o documento é falsificado, ele não pode simplesmente ser aceito: o tribunal precisa ratificá-lo, ou seja, confirmar que a assinatura das testemunhas nele é autêntica, seja porque as próprias testemunhas comparecem para reconhecê-la, seja porque outras pessoas a reconhecem. A segunda parte trata do caso oposto: um emissário que trouxe o get do exterior — onde a declaração seria normalmente exigida — mas que, por algum motivo, não consegue mais fazê-la, por exemplo, porque ficou mudo ou porque morreu antes de declarar. Nesse caso, se o documento tiver testemunhas assinadas, ele ainda pode ser validado por meio da ratificação de suas assinaturas, exatamente como qualquer documento comum.
Rambam, no Perush HaMishná, esclarece o que se entende por "contestadores" e por que dois deles têm força para impedir a ratificação.
Rambam explica que "contestadores" designa o caso em que o marido contesta, afirmando que não se divorciou e que o get é falsificado — ou que o desqualifica por algum outro motivo de invalidade — e que só é possível sustentar essa contestação dessa maneira, pois o princípio recebido é que uma contestação válida requer pelo menos duas pessoas. Por isso, se houvesse dois contestadores afirmando que o get é inválido, a ratificação por assinaturas não bastaria mais, pois haveria duas testemunhas contra duas, e a mulher permaneceria em sua condição de casada por dúvida. Quanto a "não pode dizer", Rambam explica que se trata de alguém acometido por algum impedimento que o impossibilita de falar.
Rambam e Bartenura; para esta mishná não foi localizado perush de Rashi diretamente correspondente na Guemará.
Rambam desenvolve o conceito de contestação dupla como o único mecanismo capaz de anular a ratificação por assinaturas, e explica que "não pode dizer" refere-se a uma condição sobrevinda que impede a fala do emissário — deixando implícito que, se ele ainda pudesse declarar, deveria fazê-lo.
Bartenura explica que "contestadores" refere-se ao marido contestando que o get é falsificado, e que a ratificação se dá quando as próprias testemunhas atestam sua assinatura, ou quando outras testemunhas a reconhecem. Sobre "não pode dizer", dá o exemplo de um emissário que entregou o get à mulher enquanto ainda tinha plena capacidade, mas não teve tempo de fazer a declaração antes de ficar surdo-mudo. Acrescenta ainda que, nos dias de hoje, quem traz um get — tanto na Terra de Israel quanto fora dela — precisa entregá-lo diante de duas testemunhas e fazer a declaração; mas se a assinatura das testemunhas for reconhecível no próprio local da entrega e o get puder ser ratificado por suas assinaturas, a declaração não é necessária.