Aquele que casa com sua yevamá, e sua tzará foi e se casou com outro, e se descobre que esta era ailonit: ela sai deste e daquele, e todos esses caminhos se aplicam a ela. — Diferentemente da mishná anterior, que tratava de uma tzará isenta pela mera existência teórica de uma arayá entre as viúvas, esta mishná trata de um caso em que o levirato foi de fato realizado: o cunhado tomou sua yevamá em casamento por ibum, consumando a união conforme a lei. Como a mitzvá do ibum, uma vez cumprida com uma das viúvas, libera automaticamente todas as demais tzarot desse mesmo marido falecido para se casarem livremente com quem quiserem, a tzará da yevamá foi e se casou com outro homem, confiando plenamente nessa liberação. Mas então se descobre que a própria yevamá com quem o ibum foi realizado era, na verdade, uma ailonit — fisiologicamente incapaz de conceber. Como a obrigação do ibum, segundo a lei subjacente a este caso, não se aplica de fato a uma mulher ailonit (pois todo o instituto do levirato existe para perpetuar o nome do irmão falecido por meio de descendência, algo estruturalmente impossível com uma ailonit), o "ibum" que o cunhado realizou com ela nunca foi um ibum válido, e portanto nunca liberou verdadeiramente a tzará do vínculo levirato que ainda a prendia a ele. Consequentemente, ao se casar com outro homem sem chalitzá, a tzará caiu na mesma situação de dupla ligação matrimonial já vista nas mishnayot anteriores, e toda a mesma cadeia de penalidades se aplica a ela — reforçando que nem mesmo a consumação física do ibum, e não apenas sua isenção teórica, é suficiente para proteger a tzará quando a premissa da ailonit se revela falsa.
Rambam, no Perush HaMishná, remete à mesma exceção da mamzerut já explicada; Bartenura precisa por que a consumação do ibum não liberou verdadeiramente a tzará.
Rambam remete, de forma sucinta, à mesma ressalva já explicada na mishná anterior sobre a natureza da mamzerut aplicada nesse contexto: toda a lista de penalidades se aplica à tzará, com a mesma exceção técnica quanto à origem exata do status do filho, já detalhada no comentário à mishná 8:6.
Bartenura explica que a base da liberação inicial da tzará é o princípio de que a consumação da união com uma das yevamot já libera automaticamente todas as demais tzarot dela — mas, como a yevamá com quem o ibum foi realizado era ailonit, seu "ibum" não é reconhecido como ibum válido, e por isso, na verdade, a tzará nunca foi liberada, tendo se casado com outro homem sem a chalitzá que ainda lhe era exigida.
Rambam e Bartenura, conforme acima. A Guemará sobre esta mishná (Guitin 80b) não traz, na versão de Rashi disponível para esta edição, comentário específico separado das explicações já citadas.
Rambam mantém a explicação sucinta, indicando que o tratamento completo desta mishná se apoia inteiramente na análise já desenvolvida para o caso paralelo da mishná anterior, sem introduzir nenhuma distinção adicional relevante além da que já foi detalhada ali.
Bartenura esclarece os dois vínculos exatos dos quais a tzará precisa se libertar: o do segundo homem com quem se casou por engano, e o do primeiro yavam — o cunhado que a esperava por levirato e cujo direito sobre ela nunca chegou a ser extinto de forma válida, já que o ibum realizado com a yevamá ailonit não teve efeito legal genuíno.