Acima do zav, a zavá, pois ela contamina aquele que tem relação com ela. Acima da zavá, o metzora, pois ele contamina por entrada [numa casa]. Acima do metzora, o osso do tamanho de um grão de cevada, pois ele contamina por sete dias. Mais grave que todos estes, o morto, pois ele contamina por ohel (tenda), o que nenhum dos outros faz.
A mishná conclui a escala ascendente dos avot hatumá com quatro últimos degraus. A zavá supera o zav porque ela, ao contrário dele, contamina aquele que tem relação com ela com impureza de sete dias completos (assim como a impureza que ela mesma transmite), enquanto o parceiro do zav recebe apenas impureza comum de contato. Acima da zavá está o metzora, que introduz uma modalidade de contaminação inteiramente nova: a contaminação por “entrada” (biá) — quando o metzora entra numa casa, tudo o que está dentro dela se torna impuro, mesmo sem qualquer contato físico. Acima do metzora está o osso do tamanho de um grão de cevada, que introduz outra novidade: ele contamina por sete dias inteiros (como o próprio cadáver), enquanto o metzora, apesar de contaminar por entrada, não impõe esse prazo de sete dias por esse motivo específico. E, no topo absoluto de toda a escala, está o morto (met) — mais grave que todos os anteriores, pois somente ele contamina por “ohel”, isto é, por estar sob o mesmo teto ou cobertura que uma pessoa ou objeto, mesmo sem entrada direta e sem contato algum. Com este último grau, fecha-se a introdução do tratado à hierarquia completa das fontes de impureza, preparando o terreno para as mishnayot seguintes, que tratarão da hierarquia paralela das santidades.
Rambam observa que a lei da zavá é igual à da menstruada em matéria de impureza: quando um homem tem relação com uma zavá, ele fica impuro por sete dias inteiros, conforme já se estabeleceu sobre “e sua menstruação virá sobre ele”. Mas o zav, quando tem relação com uma mulher, não a torna fonte primária de impureza — apenas primeiro grau, como se ela tivesse tocado com a mão numa fonte impura; e o mesmo vale para quem tem relação com uma zavá: apenas se torna como quem tocou uma fonte primária, e não fonte primária ele mesmo.
Sobre o metzora, Rambam explica, apoiando-se em Massechet Nega'im, que quando ele entra numa casa, tudo o que está dentro dela se contamina, mesmo sem qualquer contato — conforme o versículo “fora do acampamento será sua morada”, do qual a tradição extrai que “sua morada é impura”, referindo-se à sua “entrada”. Essa lei aplica-se apenas ao metzora em seus “dias de conclusão” (isto é, durante o período ativo da lepra), não em seus “dias de contagem” (após a cura). Do fato de a mishná colocar o metzora acima da zavá, Rambam conclui que o metzora também contamina por carregamento como ela, e que também forma objeto de deitar como o zav e a zavá.
Sobre o osso do tamanho de um grão de cevada, Rambam remete ao início de Massechet Ohalot, onde se explica esta lei baseada em “e todo o que tocar num osso, ou numa sepultura, ficará impuro”. Explica que a mishná não menciona aqui a vaca ruiva, o bode enviado (sair hamishtaleach) nem os bodes queimados, pois estes não contaminam por contato nem por carregamento — apenas por um ato específico de manuseio, sem relação com a ordem crescente aqui estabelecida.
Bartenura explica: “pois ela contamina aquele que tem relação com ela” refere-se à impureza de sete dias — pois está escrito sobre a menstruada “e sua menstruação virá sobre ele, ficará impuro por sete dias”, e está escrito também sobre a zavá “como os dias de sua menstruação será impura”, ensinando-se por analogia que ela contamina aquele que tem relação com ela da mesma forma. Mas o zav não contamina sua parceira com impureza de sete dias, apenas com impureza de contato e carregamento.
Sobre “acima da zavá, o metzora”: porque o metzora forma objeto de deitar e de sentar como a zavá, e é ainda mais grave, pois contamina por entrada — quando entra numa casa, tudo o que está dentro fica impuro, mesmo sem contato, pois está escrito “fora do acampamento será sua morada”, ensinando que sua morada é impura. Daqui disseram: se o metzora se senta debaixo de uma árvore e um puro passa, o puro se contamina; mas se o puro está sentado debaixo da árvore e o metzora passa, o puro não se contamina. O mesmo vale para a veste ou pedra com a mancha da lepra. E isto se aplica apenas ao metzora em seus dias de reclusão definitiva (chilut), não em seus dias de contagem, isto é, após a tosquia e os pássaros, quando ele não contamina por entrada nem forma objeto de deitar e sentar.
Sobre “acima do metzora, o osso do tamanho de um grão de cevada, pois ele contamina impureza de sete dias”: pois está escrito “e lavareis vossas vestes no sétimo dia, e ficareis puros” — todas as impurezas com que vos contaminais por um morto não serão menores que sete dias. E ainda que o metzora seja mais grave que o osso do tamanho de um grão de cevada — pois o metzora contamina tudo o que está na tenda quando entra nela, e o osso não contamina por ohel — ainda assim, nesta escala particular, o osso é mais grave, pois contamina impureza de sete dias. E assim todos esses graus “acima” mencionados não significam que o segundo seja mais grave que o primeiro em tudo — há muitos casos em que o primeiro tem uma gravidade que o segundo não tem — mas apenas quanto ao aspecto específico enumerado é que o segundo é mais grave.
Sobre “mais grave que todos, o morto”: há entre os anteriores alguns mais graves que o morto em certos aspectos — pois o zav e a zavá formam objeto de deitar e de sentar, e contaminam sob uma pedra pesada, o que o morto não faz. Mas, nesta escala particular, o morto é o mais grave de todos, pois contamina por ohel. E aquilo em que o metzora contamina por entrada não é como a impureza de ohel: se ele apenas introduziu a mão numa casa contaminada, a casa permanece pura; e mesmo que ele entre inteiro exceto pelo nariz, permanece pura, pois entrada parcial não se chama entrada — até mesmo uma divisória protege a casa onde está o metzora, como se ensina em Nega'im, capítulo 13: se ele entra numa sinagoga, fazem-lhe uma divisória de dez palmos de altura, entrando ele primeiro e saindo por último. Já o morto contamina por ohel mesmo em circunstâncias equivalentes a essas. Há também outra distinção: entre metzora sentado e metzora passando, como explicado acima, o que não ocorre com o morto.