O koligrifon cuja pá foi removida é impuro por causa de seu dente; removeu-se seu dente, é impuro por causa de sua pá. O pincel de colírio cuja pá foi removida é impuro por causa do macho; removeu-se o macho, é impuro por causa da pá. O estilete de escrever cujo escritor foi removido é impuro por causa do apagador; removeu-se o apagador, é impuro por causa do escritor. O zoma-listra cuja pá foi removida é impuro por causa do garfo; removeu-se o garfo, é impuro por causa da pá. E assim também o dente da enxada. A medida de todos estes: o suficiente para realizar seu trabalho.
Esta mishná segue a mesma lógica da anterior, agora aplicada a pequenos utensílios domésticos e de escritório feitos de metal com duas pontas distintas e opostas. O koligrifon é uma ferramenta de forno: numa ponta tem dentes finos para retirar pão ou carne do fogo, na outra uma pá larga e chata para raspar cinzas e brasas. O pincel de colírio (michol) tem uma ponta afiada, chamada “macho”, para aplicar colírio no olho, e outra larga, a “pá”, para limpar o ouvido. O estilete de escrever (machtev) tem uma ponta fina como agulha para escrever sobre tábuas de cera — chamada “o escritor” — e outra larga e lisa para apagar o que foi escrito — chamada “o apagador”. O zoma-listra é um utensílio de cozinha: uma ponta em forma de pá recolhe a gordura do caldeirão, a outra, em forma de garfo, levanta a carne. Em todos estes casos, mesmo que uma das duas pontas seja removida, o instrumento continua apto ao uso pela ponta restante, e por isso permanece impuro; o mesmo se aplica ao dente da enxada, que serve tanto para revolver a terra quanto para unir as peças do arado. A mishná fecha fixando a medida mínima para que qualquer destas ferramentas ainda seja considerada útil: o suficiente para desempenhar seu trabalho característico.
Sobre “o koligrifon”: é um instrumento de ferro alongado; uma de suas pontas é semelhante a um círculo chato, com o qual se raspa a cinza do fogão e do forno; e a outra ponta tem dentes finos de ferro, que se enfiam em algo que está sobre o fogo para retirar dele carne ou pão. A ponta chata e redonda chama-se “pá”, e os dentes na outra ponta chamam-se “dentes”.
Sobre “o pincel de colírio”: uma de suas pontas é redonda, para cortar como uma faca; a outra ponta tem uma pequena pá para retirar o colírio, ou para limpar o ouvido, ou outros usos. A ponta redonda chama-se “macho”, e a outra chama-se “pá”.
Sobre “o estilete de escrever”: uma estilete de metal; numa ponta escrevem-se e gravam-se letras, chamada “o escritor”; a outra ponta é larga e afiada, semelhante a uma faca, com a qual se raspa o que for preciso apagar junto à escrita, chamada “o apagador”.
Sobre “o zoma-listra”: um instrumento de ferro feito para assar carne; numa ponta tem uma pá chata, semelhante a uma rede, sobre a qual se coloca a carne ou a ave, aproximando-a um pouco do fogo até assar o que está sobre ela — essa ponta chama-se “pá”; a outra ponta tem três hastes finas de ferro, nas quais se enfia a carne para assá-la sobre o fogo — essa ponta chama-se “garfo”.
Sobre “o dente da enxada”: tem duas pontas; com uma revolve-se a terra, e com a outra afiam-se as ferramentas que arão — que se unem, uma junto à outra, como se fossem duas partes ligadas; e quando uma se perde e a outra permanece, esta permanece apta ao uso próprio e por isso é impura, sendo possível realizar com ela o trabalho ainda que de forma alternativa.
Sobre “o koligrifon”: instrumento em cuja uma ponta há algo como dentes, com os quais se enfia no pão ou na carne para retirá-los do forno; e na outra ponta, raspa-se com ele brasas e cinza do forno.
Sobre “removeu-se sua pá”: o lado largo, feito como uma pá, com o qual se raspa a cinza.
Sobre “é impuro”: por causa da outra ponta, que tem os dentes apropriados para seu uso.
Sobre “o pincel de colírio”: uma ponta é afiada, semelhante a algo masculino, para pintar o olho com colírio; e a outra ponta é larga, para limpar o ouvido.
Sobre “o estilete de escrever”: uma ponta é afiada como agulha, para escrever sobre uma tábua de cera; e a outra ponta é espessa e lisa, para apagar a escrita gravada na cera e alisá-la, de modo que fique apta para se escrever nela de novo.
Sobre “zoma-listra”: uma ponta é uma pá feita para receber a gordura da panela e transferi-la; a outra ponta é como um garfo, para levantar a carne.
Sobre “e assim também o dente da enxada”: com uma ponta revolve-se a terra, e com a outra unem-se as ferramentas do arado uma com a outra.
Sobre “a medida de todos estes”: se se removeu uma das pontas, é preciso que reste, na outra, medida suficiente para segurar, de modo que ainda seja apta a realizar seu trabalho.