A madeira que serve ao metal é impura. E o metal que serve à madeira é puro. Como assim? A fechadura de madeira cujo dente (pin) é de metal, mesmo que seja apenas um, é impura. A fechadura de metal cujo dente é de madeira é pura. O anel de metal cujo sinete é de coral (almog) é impuro. O anel de coral cujo sinete é de metal é puro. O dente engastado na lâmina (tas), na fechadura, e na chave é impuro por si só.
Esta mishná enuncia um princípio geral e o aplica a três casos concretos. O princípio: quando um objeto composto de metal e madeira é classificado segundo qual material serve ao outro — se a madeira é a parte principal e o metal apenas a auxilia, o conjunto se rege pela lei da madeira e é impuro (pois vasos simples de madeira não são impuros por si, mas aqui a presença do metal principal os torna impuros); se, ao contrário, o metal é a parte principal e a madeira apenas o auxilia, o conjunto segue a lei do metal, que exige que o próprio objeto seja de metal para receber impureza, e por isso permanece puro. No primeiro caso, a fechadura de madeira: os pequenos dentes metálicos (pin) que se encaixam nela para abrir a porta são a parte funcional, ainda que a estrutura seja de madeira; por isso, mesmo que haja um único dente de metal, a fechadura inteira é impura, pois os dentes são considerados o essencial e a madeira apenas os serve. Mas se a fechadura em si é de metal e apenas seus dentes são de madeira, ela é pura, pois a madeira ali é secundária. O mesmo raciocínio se aplica ao anel: se o aro é de metal e a pedra de sinete é de coral, o anel é impuro, pois o aro metálico é a parte principal; mas se o aro é de coral e apenas o sinete é de metal, o anel é puro. Por fim, a mishná esclarece que o dente metálico isolado — seja o de uma lâmina, o de uma fechadura, ou o de uma chave — é sempre impuro por si mesmo quando removido, pois, diferentemente do dente fixo na fechadura de madeira (que depende do conjunto), o dente solto continua servindo sozinho para seu propósito.
Sobre “o pin”: são os dentes da chave com que se abre a porta; sua forma é conhecida.
Sobre “o coral” (almog): é o “corel”, que cresce no fundo do mar — só duvida disso quem nunca o viu ao sair do mar, pois então é muito mole, antes que o ar o endureça e o torne semelhante a uma pedra; e deriva-se das “madeiras de almuguim” mencionadas na Escritura.
Sobre “o dente na lâmina”: o dente que está numa tábua ou num pedaço de madeira que se destaca entre nós, pois esse dente é separável; e quando é de metal, é um utensílio por si só.
Sobre “o pin”: são os dentes da chave com que se abre a porta. E a forma dessa chave é conhecida no reino do Egito e em toda a Terra de Israel.
Sobre “mesmo que seja apenas um, é impura”: e ainda que os dentes por si sós, sem a fechadura, sejam puros, uma vez fixados na fechadura tornam-se impuros; de todo modo, os dentes são considerados o essencial, e a fechadura serve a eles.
Sobre “coral” (almog): é o “corali”, que cresce no fundo do mar; em seu início é mole, antes que o ar o endureça, e gravam nele um selo. E na Escritura: “madeiras de almuguim”.
Sobre “o dente na lâmina”: não se assemelha ao dente da fechadura, pois este dente serve por si só, o que não ocorre com o pin; por isso é impuro por si mesmo.