Os cestos de madeira, a partir de quando se veda a borda e se apara. E os de ramos de tamareira, ainda que não se apararam por dentro, são impuros, porque assim os deixam. A caleá, a partir de quando se veda a borda, se apara, e se completa a alça de suspensão. O recipiente para jarros, e o recipiente para copos, ainda que não se apararam por dentro, são impuros, porque assim os deixam.
Depois de estabelecer, na mishná anterior, o critério de acabamento para a cama e o berço, esta mishná aplica o mesmo tipo de pergunta — a partir de quando um vaso recém-fabricado se torna suscetível à impureza — aos cestos tecidos de vime e materiais semelhantes. Os cestos de madeira comuns tornam-se suscetíveis quando se lhes veda a borda, isto é, quando se completa a orla que prende toda a tecedura, e quando se aparam as pontas e lascas salientes que restaram do trançado. Já os cestos feitos de ramos de tamareira dispensam este segundo passo: tornam-se suscetíveis mesmo sem o aparo interno, porque é costume deixá-los assim, sem incomodar quem os usa. A caleá — um cesto de junco — exige um terceiro requisito além da vedação e do aparo: que se complete também a corda pela qual se pendura. E, por fim, os recipientes usados para guardar jarros e copos seguem a mesma regra dos cestos de ramos de tamareira: tornam-se suscetíveis ainda que não tenham sido aparados por dentro, pois este é o seu acabamento costumeiro.
Sobre “a partir de quando se veda a borda”: é quando se faz a orla que une toda a tecedura e a impede de se estragar e se desfazer; e é da mesma expressão de (Deuteronômio 25) “não vedarás a boca do boi”, que é o atar de sua boca. E o costume dos vasos que se tornam impuros é serem de junco, ou palha, ou vime, e semelhantes a estes, como os cestos; e os demais deixam uma parte daquilo com que se tece o vaso saliente sobre sua superfície, por dentro do vaso ou por fora; e quando o artesão termina de fazer este vaso, cortam-se todas estas pontas com ferro; e o corte destas pontas se chama “kenivá”, como se diz “yekanev” ou “kinev”. E o que se usa destes exemplos quer dizer o corte das pontas do vime e do junco depois de completo o vaso, e não precisaremos voltar a nos ocupar da explicação do sentido destas palavras. E saibas que o cesto, a caleá e a colmeia têm todos a mesma forma, que nós chamamos “o cesto”, e apenas variam pela diferença da matéria de que são feitos, e pelo tamanho, grande ou pequeno.
Sobre “e o de tâmara”: quer dizer o que se faz de ramos de tamareira; e o sentido de “porque assim os deixam” é que é costume das pessoas deixá-los assim, e não é costume das pessoas cortar estas pontas.
Sobre “e o recipiente para jarros”: é semelhante ao que chamam no Egito de “os kenonim”; e “leguinin” é o plural de “legin”; e “recipiente para copos” é a base para copos.
Sobre “os cestos de madeira”: a partir de quando se completa sua fabricação.
Sobre “a partir de quando se veda a borda”: quando a pessoa faz um cesto grande ou pequeno e completa sua orla, isto é a “vedação”.
Sobre “e se apara”: depois de completar a orla, e restam lascas — pontas de cascas salientes —, corta-as e apara-as; isto é o “aparo”.
Sobre “de tâmara”: cestos feitos de ramos de tamareira.
Sobre “porque assim os deixam”: sem aparo.
Sobre “caleá”: cesto de junco.
Sobre “a alça de suspensão”: que se complete a corda com a qual se pendura.
Sobre “recipiente para jarros”: vaso no qual se colocam jarros para guardar.
Sobre “recipiente para copos”: vaso no qual se guardam copos.