O odre, sua medida é em novelos de trama. Se não recebe os de urdidura, ainda que receba os de trama, é impuro. A caixa de tigelas que não recebe tigelas, ainda que receba as travessas, é impura. O penico que não recebe líquidos, ainda que receba as fezes, é impuro. Rabão Gamliel declara puro, porque não se costuma guardá-lo.
Depois de fixar a medida geral da romã, a mishná examina três vasos cuja purificação depende de um critério diferente: enquanto ainda forem capazes de reter o objeto maior que costumam conter, permanecem impuros, mesmo que já não retenham o objeto menor. O odre de couro, medido primariamente pelos novelos finos de urdidura, continua impuro enquanto ainda retiver os novelos mais grossos de trama. A caixa de tigelas, ainda que já não retenha as tigelas propriamente ditas, permanece impura enquanto ainda reter as travessas maiores. E o penico, ainda que já não retenha líquidos, permanece impuro enquanto ainda reter as fezes sólidas. Rabão Gamliel discorda apenas quanto a este último caso, declarando puro o penico nessa condição, pois um vaso tão deteriorado já não costuma ser guardado para uso.
Sobre “novelos de urdidura”: são os fios da fiação dos quais se faz a urdidura, e são mais finos que os fios da trama. Sobre “o penico”: é o vaso no qual as crianças fazem suas necessidades, e “re’i” é o nome das fezes.
E eis que, nestes parágrafos, a expressão “ainda que” tem o sentido de que estes vasos recebem as medidas grandes e não recebem as pequenas, e por isso são impuros — e todos se entendem segundo o que lhes convém, até que o furo seja tão grande que já não receba nem a medida grande. E a ordem da mishná é esta: o odre, sua medida é em fios de trama; ainda que não receba os de urdidura, uma vez que recebe os de trama, é impuro. E assim se entende a medida do restante do parágrafo. E a lei não é como Rabão Gamliel.
Sobre “em novelos de urdidura”: a fiação da urdidura é mais fina que a da trama, como se demonstra em Ketubot, no capítulo “Af al pi” (fl. 64). E os novelos de urdidura são menores que os de trama.
Sobre “ainda que receba os de trama, é impura”: quer dizer: e ainda que não receba os de urdidura, se receber os de trama, é impura, pois sua medida é o furo do tamanho de sacar a trama, que é maior que o de sacar a urdidura. E do mesmo modo, “ainda que receba as travessas, é impuro” — isto é, ainda que o furo seja grande a ponto de não receber as tigelas, se recebe as travessas, que são maiores que as tigelas, ainda se chama próprio para seu primeiro uso, e é impuro.
Sobre “ainda que receba as fezes”: ainda que não receba os líquidos, se recebe as fezes, é impuro. “Beit hare’i” é o vaso no qual se fazem as necessidades, e nele há fezes e urina.
Sobre “porque não se costuma guardá-lo”: esta é nossa versão; e há quem leia “porque se costuma guardá-lo”, referindo-se ao que disse o primeiro sábio, que, se recebe a trama, as travessas e as fezes, é impuro, porque se costuma guardá-lo e preservá-lo, já que serve para isso. E a lei não é como Rabão Gamliel.