O tronco que ele penteou, e tingiu de açafrão, e trabalhou em forma de face, Rabi Akiva declara impuro. E os sábios declaram puro, até que ele o entalhe. A cesta e a cestinha que se encheram de palha ou de borra de lã, e as prepararam para assento, são puras. Se as entrelaçou com junco ou com cordão, são impuras.
O kofet é um pedaço grosso e largo de madeira bruta, ainda sem forma definida de vaso. Se alguém o penteia (lixa e alisa a superfície), o tinge de açafrão e o trabalha até que pareça ter uma face lisa e agradável, Rabi Akiva já o considera um assento, e portanto impuro, pois entende que esse tratamento decorativo basta para conferir-lhe estatuto de vaso; os sábios, porém, entendem que esse mero acabamento superficial não retira a peça da categoria de pedaço de madeira comum, e só a consideram vaso apto para receber impureza quando nela se entalha, isto é, quando se esculpe efetivamente um lugar de assento — e a lei segue os sábios. Já a cesta e a cestinha, quando enchidas de palha ou de restos de lã e preparadas apenas para servirem de assento improvisado — sem qualquer alteração estrutural — permanecem puras, pois não foram feitas com essa finalidade e a intenção isolada do dono, sem ato concreto, não basta; a situação muda quando alguém as entrelaça na borda com junco ou cordão, à maneira de quem tece as camas, pois esse entrelaçamento fixa a palha ou a lã em seu lugar, tornando o conjunto verdadeiramente apto e estável para sentar-se — e, nesse caso, tornam-se impuras.
Já explicamos que o kofet é um pedaço de madeira. E disse que, quando se toma esse pedaço de madeira e o penteia, ou o tinge de açafrão, para fazer dele a face de uma parede, ele passa a ter forma de vaso e se torna impuro como se torna impuro um vaso de madeira; e os sábios dizem que ele não entra no âmbito dos vasos apenas pelo tingimento de açafrão, até que se entalhe nele um pouco, de modo que se use dele — e então será vaso. E já explicamos, no capítulo vinte, que a cesta e a cestinha e o que se lhes assemelha não se tornam impuras sob o título de assento. E disse que, quando as enchem de borra de lã — que são pedaços de lã e de linho — e as prepararam, sendo uma delas de borra, ainda mais tecerem uma trama sobre a boca dessa cesta ou dessa cestinha, então ela ficará apta para assento e se tornará impura por pisadela — e o Targum traduz “trama” por “sarda”. E a lei é como os sábios.
Sobre “tronco”: pedaço de madeira grosso e largo. E assim se depreende sua explicação na Tosefta. Sobre “que ele penteou”: que o desenhou. Sobre “e tingiu de açafrão”: pintou-o com açafrão. Sobre “e trabalhou em forma de face”: esculpiu-o com uma enxó e o alisou com uma plaina, para que dele se vissem faces bonitas. Sobre “Rabi Akiva declara impuro”: pois é considerado assento. Sobre “e os sábios declaram puro”: pois o consideram como um simples pedaço de madeira. Sobre “até que ele entalhe”: até que entalhe nele um lugar de assento. Sobre “prepararam-nas para assento, são puras”: da impureza por pisadela, pois não foram feitas para assento e sua intenção fica anulada perante a de qualquer pessoa. Sobre “entrelaçou-as com junco”: sobre sua boca, à maneira de quem entrelaça as camas. Sobre “são impuras”: pois a palha e a borra de lã não podem cair, e ficam aptas para assento.