Seder Tehorot · Massechet Keilim · Perek Vinte e Dois · Mishná 10 de 10 — última do capítulo

A aslah, o trascal e os bancos do banho

הָאַסְלָה, טְמֵאָה מִדְרָס וּטְמֵא מֵת
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · המִשְׁנָה

A última mishná do Perek Vinte e Dois: a aslah e o trascal quando couro e ferro se separam, os bancos e tábuas do banho, a disputa entre Rabi Akiva e os sábios, e a grade (kankelin)

A aslah é impura por pisadela e impura por impureza de morto. Se se separou, o couro é impuro por pisadela, e o ferro é impuro por impureza de morto. O trascal cuja cobertura é de couro, é impuro por pisadela e impuro por impureza de morto. Se se separou, o couro é impuro por pisadela, e o trascal é puro de tudo. Os bancos que estão no banho, cujas duas pernas são de madeira, é impuro. Uma de madeira e uma de pedra, é puro. As tábuas que estão no banho, que foram lavradas, Rabi Akiva declara impuras, e os sábios declaram puras, pois não são feitas senão para que as águas corram por baixo delas. A grade que tem nela lugar de recepção de roupa, é impura. E a que é feita como colmeia, é pura.

A última mishná do capítulo reúne uma série de vasos compostos de partes de matérias diferentes, unidas ou separáveis. A aslah — um assento redondo de ferro coberto de couro, usado na latrina — é impura tanto por pisadela do zav (pois é apta para sentar-se) quanto por impureza de morto (por sua parte de metal); e, quando o couro se separa do ferro, cada material conserva apenas a impureza que lhe é própria: o couro, apto para sentar-se sozinho, permanece impuro por pisadela; o ferro, que já não serve de assento sem o couro, permanece impuro apenas por impureza de morto, própria dos vasos de metal. O trascal — uma pequena cesta de salgueiro descascado, revestida de couro — segue o mesmo padrão enquanto unido; mas, separado o couro, o couro continua impuro por pisadela, ao passo que o trascal, por ser pequeno demais para servir de assento e não ter paredes que o tornem apto a outros usos, torna-se totalmente puro. Os bancos de mármore do banho, quando têm as duas pernas de madeira, tornam-se impuros por pisadela nessas pernas quando o zav se senta; mas, se apenas uma das pernas é de madeira e a outra de pedra, o banco inteiro é considerado como se fosse todo de pedra — e os vasos de pedra não recebem impureza alguma — e por isso permanece puro. Sobre as tábuas alisadas do banho, colocadas para que as pessoas se sentem enquanto a água escoa por baixo delas, Rabi Akiva as considera assento e por isso impuras; os sábios, ao contrário, entendem que sua função original não é servir de assento, mas apenas permitir a passagem da água, e por isso as declaram puras — e a lei segue os sábios. Por fim, a grade usada para defumar roupas: se possui um compartimento que efetivamente recebe e contém as roupas, é considerada vaso de recepção e por isso impura; mas, se é feita como uma colmeia, atravessada de um lado a outro sem reter nada em seu interior, permanece pura.

הָאַסְלָה, טְמֵאָה מִדְרָס וּטְמֵא מֵת. פֵּרְשָׁה, הָעוֹר טָמֵא מִדְרָס, וְהַבַּרְזֶל טָמֵא טְמֵא מֵת. הַטְּרַסְקָל שֶׁחִפּוּיוֹ שֶׁל עוֹר, טָמֵא מִדְרָס וּטְמֵא מֵת. פֵּרְשָׁה, הָעוֹר טָמֵא מִדְרָס, וְהַטְּרַסְקָל טָהוֹר מִכְּלוּם. סַפְסָלִין שֶׁבַּמֶּרְחָץ וּשְׁתֵּי רַגְלָיו שֶׁל עֵץ, טָמֵא. אַחַת שֶׁל עֵץ וְאַחַת שֶׁל אֶבֶן, טָהוֹר. הַנְּסָרִין שֶׁבַּמֶּרְחָץ שֶׁשִּׁגְּמָן, רַבִּי עֲקִיבָא מְטַמֵּא וַחֲכָמִים מְטַהֲרִין, שֶׁאֵינָם עֲשׂוּיִן אֶלָּא שֶׁיִּהְיוּ הַמַּיִם מְהַלְּכִין תַּחְתֵּיהֶן. קַנְקֵילִין שֶׁיֶּשׁ בָּהּ בֵּית קַבָּלַת כְּסוּת, טְמֵאָה. וְהָעֲשׂוּיָה כְּכַוֶּרֶת, טְהוֹרָה

Halachot · הַלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Keilim 22:10
אַסְלָה. כַּדּוּר מִבַּרְזֶל וּבוֹ מָקוֹם יֵשְׁבוּ עָלָיו…

Sobre “aslah”: uma peça redonda de ferro, com um lugar para se sentar sobre ela no momento da necessidade, para a latrina, e sobre ela há uma cobertura de couro com que se reveste. Sobre “trascal”: uma pequena cesta, com uma cobertura de couro também presa a ela; e, quando a cobertura é removida, ela fica sem serventia para nada — nem para sentar-se sobre ela, por seu tamanho pequeno, nem para colocar nela algo, por faltarem os lados. Sobre “a cadeira dos banhos”: são de mármore; e disse que, se era uma laje de mármore com duas pernas de madeira, e o zav se sentou sobre essa cadeira, ela se torna impura — quer dizer, suas pernas se tornam objeto de deitar-se, ainda que o próprio mármore não se torne impuro; e, se uma das duas pernas também fosse de pedra, então tudo é puro, pois é considerada uma cadeira de pedra. E disseram “que ele as lavrou”, como quem diz que as alisou. E a intenção é que, quando estendem sobre elas uma tábua, e os banheiros se sentam sobre elas, e as águas correm por baixo, dizem os sábios que elas não se tornam impuras por pisadela do zav, pois sua função é fazer com que as águas corram por baixo; e as fazem de canas, e por cima lançam as roupas, e acendem o fogo com defumações até que as roupas se defumem; e o seu nome, em língua aramaica, é “kankelin”. E, se tinha nela dois lugares que recebiam as roupas, torna-se como um vaso de recepção; e, se foi feita como uma colmeia, que atravessa de ambos os lados, ela não se torna impura. E a lei é como os sábios.

Bartenura · Keilim 22:10
הָאַסְלָה. בֵּית מוֹשָׁב שֶׁל בַּרְזֶל מְכֻסֶּה עוֹר…

Sobre “a aslah”: lugar de assento de ferro, coberto de couro, e sentam-se sobre ele na latrina. Sobre “se separou”: o couro do ferro. Sobre “o couro é impuro por pisadela”: pois o couro, por si só, é apto para sentar-se, e o ferro sem o couro não é apto para sentar-se, mas é apto para outros usos. Sobre “trascal”: pequena cesta feita de salgueiro descascado, e sobre ela se come pão. Sobre “e o trascal é puro de tudo”: pois, por seu tamanho pequeno, não é apto para sentar-se; nem para outros usos, pois não tem paredes laterais. Sobre “bancos que estão no banho”: são de mármore. Sobre “que têm duas pernas de madeira, é impuro”: se o zav se sentou sobre ele, tornam-se impuras as pernas de madeira, por causa do assento; mas o próprio banco é puro, pois os vasos de pedra não têm impureza alguma, nem por palavras da Torá, nem por palavras dos sábios. Sobre “e uma de pedra, é puro”: pois é como se o banco fosse todo de pedra. Sobre “que ele as lavrou”: que as talhou e as ajustou com a plaina. Sobre “para que as águas corram por baixo delas”: e não são feitas para sentar-se, mas as pessoas se sentam ali para não se sujarem com as águas dos banhos que saem. E a lei é como os sábios. Sobre “kankelin”: vaso sob o qual se coloca fogo e enxofre, para defumar as roupas que estão sobre ele. Sobre “que tem nela lugar de recepção de roupa”: que tem um lugar de recepção para receber as roupas que estão sobre ela. Sobre “como colmeia”: atravessada de ambos os lados.

Perush — os Mefarshim · הַמְפָרְשִׁים

Massechet Keilim não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado.

Encerramento do Perek Vinte e Dois · סיום הפרק

וְהָעֲשׂוּיָה כְּכַוֶּרֶת, טְהוֹרָה

Com esta décima mishná, encerra-se o Perek Vinte e Dois de Massechet Keilim — capítulo que, ao longo de dez mishnayot, tratou da mobília doméstica: mesas, cadeiras, bancos, baús e cestas, sempre voltado à questão de quando a remoção parcial de suas peças rouba ou preserva sua condição de vaso apto a receber impureza.

As duas primeiras mishnayot (22:1–2) trataram da mesa e do delupki: quando reduzidos ou revestidos de mármore, permanecem impuros se resta lugar para os copos — ou, segundo Rabi Yehudá, para pedaços de comida; e, quando perdem as pernas uma a uma, tornam-se puros até restarem como tábua apta a uso, quando então Rabi Yosei dispensa a necessidade de intenção explícita.

As mishnayot 22:3 a 22:7 desenvolveram o mesmo princípio para bancos e cadeiras: o safsal que perde as cabeceiras permanece puro, salvo se sua espessura alcança um tefach; a cadeira da noiva e a cadeira fixada na gamela dividiram Beit Shamai e Beit Hilel; a cadeira sem peças salientes permaneceu impura por seu costume de uso inclinado; a cadeira de três painéis manteve-se impura com qualquer painel remanescente, exceto pela condição de largura de Rabi Shimon; e a remoção de duas peças lado a lado, somada ao princípio de Rabi Yehudá sobre a anulação do secundário quando se anula o principal, fechou o quadro das disputas sobre assentos.

A mishná 22:8 voltou-se ao baú (shidá), impuro enquanto conserva a parte superior ou a inferior, e puro, segundo os sábios, quando ambas são removidas; e mencionou, à parte, o assento improvisado do lapidador. A mishná 22:9 tratou do tronco de madeira trabalhado e decorado, puro até ser efetivamente entalhado como assento, e da cesta que só se torna impura quando fixada com entrelaçamento firme.

A última mishná, 22:10, fechou o capítulo com vasos de matérias mistas — a aslah e o trascal, cujo couro e metal, uma vez separados, retêm cada um sua própria impureza —, os bancos e tábuas do banho, e a grade de defumar roupas, pura ou impura conforme tenha ou não verdadeiro lugar de recepção.

O estudo de Massechet Keilim prossegue agora para o Perek Vinte e Três, que continuará explorando as leis de impureza dos vasos ao longo dos oito perakim que ainda restam deste, o mais extenso tratado de toda a Mishná.