Seder Tehorot · Massechet Keilim · Perek Vinte e Oito · Mishná 10 de 10 — última do capítulo

A rede de cabelo em fabricação, sua diadema, seus fios, e o encerramento do Perek Vinte e Oito

סְבָכָה שֶׁהִתְחִיל בָּהּ מִפִּיהָ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · המִשְׁנָה

Décima e última mishná do Perek Vinte e Oito: a rede de cabelo em fabricação, sua diadema, seus fios, e a rede rasgada

Uma sevakhá que se começou a fazer a partir de sua boca permanece pura até que se termine sua kurkurta. Se a começou a partir de sua kurkurta, permanece pura até que se termine sua boca. Sua shavis é impura por si mesma. Seus fios são impuros por conexão. Uma sevakhá que se rasgou — se não contém a maior parte do cabelo, é pura.

A mishná final do capítulo trata da rede de cabelo em processo de fabricação, de sua diadema ornamental e de seus fios de amarração. Enquanto a peça está sendo tecida — seja de cima para baixo, seja de baixo para cima —, ela permanece pura até que toda a obra esteja concluída, pois um utensílio incompleto ainda não é considerado pronto para uso. A diadema, por ser destinada a ser removida e recolocada em outra rede, é julgada como objeto independente, suscetível à impureza por si mesma. Os fios de amarração, ao contrário, não têm existência funcional própria: tornam-se impuros apenas por estarem conectados à rede impura, nunca por si sós. E, por fim, uma rede rasgada que já não consegue conter a maior parte do cabelo perde sua função e, com ela, sua suscetibilidade à impureza.

סְבָכָה שֶׁהִתְחִיל בָּהּ מִפִּיהָ, טְהוֹרָה, עַד שֶׁיִּגְמֹר אֶת קוּרְקוּרְתָּהּ. הִתְחִיל בָּהּ מִקּוּרְקוּרְתָּהּ, טְהוֹרָה, עַד שֶׁיִּגְמֹר אֶת פִּיהָ. שָׁבִיס שֶׁלָּהּ, טָמֵא בִפְנֵי עַצְמוֹ. הַחוּטִין שֶׁלָּהּ, טְמֵאִין מִשּׁוּם חִבּוּר. סְבָכָה שֶׁנִּקְרְעָה, אִם אֵינָהּ מְקַבֶּלֶת אֶת רֹב הַשֵּׂעָר, טְהוֹרָה:

Halachot · הַלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Keilim 28:10
פי' הסבכה הוא אשר יחזיק הכלי בעליונו וראשו…

“Boca”: é a que segura o utensílio em sua parte superior e sua cabeça. “E sua kurkurta”: são as bordas que ficam na parte superior da cabeça e em seu meio. “E shavis”: é um utensílio ligado a ela por cima, para ornamento, derivado de “os shavisim e os sahronim” (Isaías 3); e assemelha-se à aparência do ouro. E nosso princípio é que todo ornamento é impuro, como se explicou no décimo primeiro capítulo.

“E seus fios”: os fios com os quais se ata a rede sobre o cabelo; quando a rede se torna impura, tornam-se impuros estes fios — e este é o sentido de sua expressão “por conexão”; mas se os fios se tornaram impuros por si mesmos, não [se transmite à rede]. E “a maior parte do cabelo” refere-se ao cabelo da cabeça.

Bartenura · Keilim 28:10
קוּרְקוּרְתָּהּ. שׁוּלַיִם וְתַחְתִּית, כְּמוֹ קַרְקְרוֹת הַכֵּלִים…

Sobre “kurkurta”: bordas e base, como as “bases dos utensílios”. Sobre “até que se termine sua boca”: sua borda superior; pois ela não desce para a impureza até que se termine toda a sua obra. Sobre “shavis”: da expressão “os shavisim e os sahronim” — enfeite que se faz sobre a rede para ornamento, que fica sobre a testa e circunda de orelha a orelha. E é considerado também por si mesmo, porque é feito para ser removido dali e colocado em outra rede.

Sobre “seus fios”: com os quais se ata a rede sobre a cabeça. Sobre “são impuros por conexão”: pois, se a rede se tornou impura, os fios se tornaram impuros juntamente com ela; mas os fios sem a rede não receberiam impureza. Sobre “se não contém a maior parte do cabelo”: da cabeça, é pura.

Perush — os Mefarshim · הַמְפָרְשִׁים

Massechet Keilim não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado.

Encerramento do Perek Vinte e Oito · סיום הפרק

זֶה הַכְּלָל, כֹּל שֶׁשִּׁנָּהוּ לִשְׁמוֹ, טָמֵא; לְשֵׁם אַחֵר, טָהוֹר. סְבָכָה שֶׁהִתְחִיל בָּהּ מִפִּיהָ, טְהוֹרָה עַד שֶׁיִּגְמֹר אֶת קוּרְקוּרְתָּהּ

Com esta décima mishná, encerra-se o Perek Vinte e Oito de Massechet Keilim — capítulo que dá continuidade à seção final do tratado, dedicada aos critérios finos que determinam a suscetibilidade e a purificação dos vasos de tecido e de couro.

O capítulo abre (28:1–28:2) com dois casos de redução de medida por manuseio ou uso: o pedaço de tecido transformado em bola, cuja costura pode diminuí-lo abaixo da medida mínima, e o resíduo menor que três palmos destinado a usos domésticos específicos — tapar o banho, sacudir a panela, limpar o moinho —, cuja suscetibilidade depende do grau de disponibilidade que se lhe atribui, tema da disputa entre Rabi Eliezer, Rabi Yehoshua e Rabi Akiva.

As mishnayot 28:3 a 28:4 tratam de objetos que perdem sua condição de vestimenta por servirem a outro propósito: as bandagens medicinais (aspelanit e meluggemá) que se sujam e se anulam sobre o pano, e as capas dos rolos de livros, cuja suscetibilidade ao uso pessoal é disputada entre Bet Shamai, Bet Hilel e Rabban Gamliel.

As mishnayot 28:5 a 28:6 estabelecem o princípio central da mudança de nome: um utensílio transformado em outro da mesma categoria funcional mantém sua impureza anterior, mas transformado em categoria distinta, purifica-se — princípio aplicado tanto aos utensílios de couro (odre, tapete, alforje) quanto ao remendo costurado sobre cesta, pano, saco ou couro, cada material determinando se o remendo se anula ou permanece fonte de impureza.

As mishnayot 28:7 a 28:9 exploram os limites da medida de três por três — a bainha do tecido, o remendo costurado por um, dois ou mais lados, as roupas remendadas dos pobres, o manto rasgado, os tecidos extremos de grossura e finura — e concluem com uma série de objetos de uso feminino e de trabalho, como a almofada dos carregadores, o filtro de vinho, a rede de cabelo da anciã e a veste de rede, que ilustram o critério da aptidão real para servir de assento ou de vestimenta.

O capítulo fecha (28:10) com a rede de cabelo em fabricação, sua diadema ornamental e seus fios de amarração — últimos exemplos da regra de que um utensílio incompleto permanece puro até que toda a sua obra esteja concluída.

O estudo de Massechet Keilim prossegue agora para o Perek Vinte e Nove, penúltimo capítulo deste, o mais extenso tratado de toda a Mishná.