Uma sevakhá que se começou a fazer a partir de sua boca permanece pura até que se termine sua kurkurta. Se a começou a partir de sua kurkurta, permanece pura até que se termine sua boca. Sua shavis é impura por si mesma. Seus fios são impuros por conexão. Uma sevakhá que se rasgou — se não contém a maior parte do cabelo, é pura.
A mishná final do capítulo trata da rede de cabelo em processo de fabricação, de sua diadema ornamental e de seus fios de amarração. Enquanto a peça está sendo tecida — seja de cima para baixo, seja de baixo para cima —, ela permanece pura até que toda a obra esteja concluída, pois um utensílio incompleto ainda não é considerado pronto para uso. A diadema, por ser destinada a ser removida e recolocada em outra rede, é julgada como objeto independente, suscetível à impureza por si mesma. Os fios de amarração, ao contrário, não têm existência funcional própria: tornam-se impuros apenas por estarem conectados à rede impura, nunca por si sós. E, por fim, uma rede rasgada que já não consegue conter a maior parte do cabelo perde sua função e, com ela, sua suscetibilidade à impureza.
“Boca”: é a que segura o utensílio em sua parte superior e sua cabeça. “E sua kurkurta”: são as bordas que ficam na parte superior da cabeça e em seu meio. “E shavis”: é um utensílio ligado a ela por cima, para ornamento, derivado de “os shavisim e os sahronim” (Isaías 3); e assemelha-se à aparência do ouro. E nosso princípio é que todo ornamento é impuro, como se explicou no décimo primeiro capítulo.
“E seus fios”: os fios com os quais se ata a rede sobre o cabelo; quando a rede se torna impura, tornam-se impuros estes fios — e este é o sentido de sua expressão “por conexão”; mas se os fios se tornaram impuros por si mesmos, não [se transmite à rede]. E “a maior parte do cabelo” refere-se ao cabelo da cabeça.
Sobre “kurkurta”: bordas e base, como as “bases dos utensílios”. Sobre “até que se termine sua boca”: sua borda superior; pois ela não desce para a impureza até que se termine toda a sua obra. Sobre “shavis”: da expressão “os shavisim e os sahronim” — enfeite que se faz sobre a rede para ornamento, que fica sobre a testa e circunda de orelha a orelha. E é considerado também por si mesmo, porque é feito para ser removido dali e colocado em outra rede.
Sobre “seus fios”: com os quais se ata a rede sobre a cabeça. Sobre “são impuros por conexão”: pois, se a rede se tornou impura, os fios se tornaram impuros juntamente com ela; mas os fios sem a rede não receberiam impureza. Sobre “se não contém a maior parte do cabelo”: da cabeça, é pura.
Com esta décima mishná, encerra-se o Perek Vinte e Oito de Massechet Keilim — capítulo que dá continuidade à seção final do tratado, dedicada aos critérios finos que determinam a suscetibilidade e a purificação dos vasos de tecido e de couro.
O capítulo abre (28:1–28:2) com dois casos de redução de medida por manuseio ou uso: o pedaço de tecido transformado em bola, cuja costura pode diminuí-lo abaixo da medida mínima, e o resíduo menor que três palmos destinado a usos domésticos específicos — tapar o banho, sacudir a panela, limpar o moinho —, cuja suscetibilidade depende do grau de disponibilidade que se lhe atribui, tema da disputa entre Rabi Eliezer, Rabi Yehoshua e Rabi Akiva.
As mishnayot 28:3 a 28:4 tratam de objetos que perdem sua condição de vestimenta por servirem a outro propósito: as bandagens medicinais (aspelanit e meluggemá) que se sujam e se anulam sobre o pano, e as capas dos rolos de livros, cuja suscetibilidade ao uso pessoal é disputada entre Bet Shamai, Bet Hilel e Rabban Gamliel.
As mishnayot 28:5 a 28:6 estabelecem o princípio central da mudança de nome: um utensílio transformado em outro da mesma categoria funcional mantém sua impureza anterior, mas transformado em categoria distinta, purifica-se — princípio aplicado tanto aos utensílios de couro (odre, tapete, alforje) quanto ao remendo costurado sobre cesta, pano, saco ou couro, cada material determinando se o remendo se anula ou permanece fonte de impureza.
As mishnayot 28:7 a 28:9 exploram os limites da medida de três por três — a bainha do tecido, o remendo costurado por um, dois ou mais lados, as roupas remendadas dos pobres, o manto rasgado, os tecidos extremos de grossura e finura — e concluem com uma série de objetos de uso feminino e de trabalho, como a almofada dos carregadores, o filtro de vinho, a rede de cabelo da anciã e a veste de rede, que ilustram o critério da aptidão real para servir de assento ou de vestimenta.
O capítulo fecha (28:10) com a rede de cabelo em fabricação, sua diadema ornamental e seus fios de amarração — últimos exemplos da regra de que um utensílio incompleto permanece puro até que toda a sua obra esteja concluída.
O estudo de Massechet Keilim prossegue agora para o Perek Vinte e Nove, penúltimo capítulo deste, o mais extenso tratado de toda a Mishná.