Os fios do lençol, do lenço, do turtin e do pilyon de cabeça, seis dedos. Do afkarsin, dez. Os fios do sagós, e do rádid, e da túnica, e do talit, três dedos. Os fios da touca da anciã, e dos gumdin dos árabes, e do kulkin, e do fundá, e do maafóret, e do pargod — seus fios, em qualquer quantidade.
Esta mishná abre o Perek Vinte e Nove com o tema geral do capítulo: a medida de conexão (chibur) entre os fios de franja que se desprendem das extremidades e dos lados de um tecido e a própria peça de vestuário. Enquanto o fio se encontra dentro da medida especificada para cada tipo de peça, ele é considerado parte dela: se um deles se torna impuro, a peça inteira se torna impura, e vice-versa. Além dessa medida, o fio é tratado como independente, sem poder de transmitir ou receber impureza da peça principal. As medidas variam conforme o tipo de tecido e seu uso — seis dedos para lençóis e véus de cabeça, dez para o afkarsin, três para vestes mais grossas — e, para um grupo de peças menores e mais informais, qualquer comprimento de fio já é considerado conexão.
Sobre “nomei” (fios): chama-se de nimin tanto o fio quanto o conjunto de fios — é termo comum, pois um único fio se chama nimá, e muitos se chamam nimei. É costume do tecido que restem, em suas extremidades, fios que saem — a orla, chamada melel, como já se explicou; e também restam fios que saem das laterais do tecido, além da orla, e fios que saem sobre a própria superfície. E a palavra “nimin”, aqui, aplica-se a todos esses fios, referindo-se à medida de cada tipo de vestimenta: quando a vestimenta se torna impura, tornam-se impuros estes fios dentro da medida mencionada; e, da mesma forma, quando estes fios se tornam impuros dentro da medida, a vestimenta se torna impura com eles. A regra, portanto, é que as medidas mencionadas constituem conexão; o que exceder isso não é conexão.
“Lençol”: conhecido. “E lenço”: é o véu. “E turtin”: é o pilyon de cabeça, o pano que as mulheres colocam sobre a cabeça. “Afkarsin”: túnica estreita na região da cabeça, com os ombros abertos; ao vesti-la, unem-se os ombros por laçadas presas a um anel, como se veste no Egito. “Sagós, rádid, túnica, talit e touca”: conhecidos — e a touca recebe o nome de “touca da anciã” ou “touca de criança”, mas esta última não tem nome próprio. “Gumdin”: véu que se coloca sobre o rosto, chamado assim por medir, em geral, um côvado, da expressão “gomed seu comprimento” (Juízes 3) — este é o nome do côvado na linguagem do Talmud. “Kulkin”: tecido de pelo, cinto com que se prendem as roupas. “Fundá”: veste colada ao corpo, para impedir que as demais roupas se estraguem com o suor. “Maafóret”: traduzido de “e disfarçou-se com cinza” (I Reis 20). “Pargod”: cortina pendurada nas portas das casas, com duas abas que se unem para cobrir a entrada — e, por metáfora, disseram: “o pargod não se fecha diante deles”.
Sobre “nomei hassadin” [fios do lençol]: são os fios que saem do lençol, fios que costumam sair do tecido, seja das laterais, seja de cima, seja de baixo. Se um réptil impuro tocou nos fios, o lençol se torna impuro — desde que toque dentro da medida especificada nesta mishná; e, do mesmo modo, se o réptil tocou no lençol, os fios se tornam impuros até o ponto da medida especificada, e dali para fora permanecem puros, pois os fios não são conexão para toda a vestimenta senão até essa medida.
Sobre “turtin”: espécie de gorros. Sobre “pilyon”: lençol com que se envolve por completo. Sobre “afkarsin”: veste inferior, aberta pelos ombros, que se amarra ao vestir. Sobre “sagós”: veste de lã grossa, toda ela franjas, chamada em árabe “alborno's”. Sobre “rádid”: véu fino com que a mulher cobre a cabeça — “e cobriu-se com o véu” (Gênesis 24). Sobre “gumdin”: veste de um côvado por um côvado, com que os árabes cobrem o nariz e a boca em tempo de frio. Sobre “kulkin”: tecido de pelo, que tem fios. Sobre “fundá”: há quem explique como cinto oco e largo, e há quem explique como a veste inferior colocada sobre a pele para proteger as demais roupas do suor. Sobre “maafóret”: lenço com que se envolve a cabeça. Sobre “pargod”: cortina pendurada nas portas dos reis.
Sobre “em qualquer quantidade”: seja muita, seja pouca, é conexão; e todas as demais medidas especificadas nesta mishná valem até essa medida — o que exceder não é conexão, nem para impureza nem para aspersão.