Os panos dos rolos, quer sejam decorados quer não sejam decorados, são impuros — palavras de Bet Shamai. Bet Hilel diz: os decorados são puros, e os que não são decorados são impuros. Rabban Gamliel diz: tanto estes quanto aqueles são puros.
O tema aqui é a capa que envolve o rolo de um livro sagrado, e se ela conta como objeto de uso pessoal, suscetível à impureza, ou como acessório exclusivo do rolo, isento. Bet Shamai considera toda capa, decorada ou não, como objeto de uso comum, porque as pessoas frequentemente a manuseiam junto com o livro. Bet Hilel distingue: a decoração denuncia que a capa foi feita especificamente para o rolo, isentando-a; a capa lisa, por não ter marca distintiva, permanece suscetível. Rabban Gamliel isenta ambas, por entender que a mera destinação ao rolo já basta para retirá-las do uso pessoal — e é essa a opinião que prevalece como halachá.
Quanto às capas bordadas e decoradas feitas para o rolo, elas não se tornam impuras, porque são destinadas exclusivamente aos rolos, e sua decoração testemunha sobre elas que não são para uso das pessoas, como já explicamos no vigésimo sétimo capítulo. Mas se não eram decoradas, não se destinam apenas aos rolos, porque são aptas para outras coisas; e Bet Shamai diz que, por costumarem ser levadas com o rolo, elas são consideradas para uso das pessoas. E a halachá é como Rabban Gamliel.
Sobre “as decoradas são puras”: porque sua decoração testemunha sobre elas que são destinadas exclusivamente aos rolos e não são para uso das pessoas; e tudo que não é para uso das pessoas é puro. Sobre “e as que não são decoradas”: também se destinam a outros usos, por isso são impuras. E Bet Shamai, que declara impuras tanto as decoradas quanto as não decoradas, entende que as capas de rolos são consideradas para uso das pessoas, pois são feitas para se manusear com elas constantemente.
Sobre “tanto estas quanto aquelas são puras”: pois, uma vez que as destinou aos rolos, já não são para uso das pessoas. E a halachá é como Rabban Gamliel.