A medida do vaso de barro para se purificar: o feito para alimentos, sua medida é em azeitonas. O feito para líquidos, sua medida é em líquidos. O feito para isto e para aquilo, aplica-se a ele o rigor, em azeitonas.
O Perek Bet fechou com a distinção entre o que é e o que não é interior verdadeiro de um vaso de barro; o Perek Guimel abre com a pergunta complementar: uma vez que o vaso já era suscetível à impureza, que tamanho de buraco basta para que ele deixe de sê-lo, como se estivesse quebrado? A resposta depende da finalidade do vaso. Se foi feito para alimentos sólidos, sua medida é a de uma azeitona: só quando o buraco for grande o bastante para uma azeitona cair por ele é que o vaso perde sua condição de receptáculo. Se foi feito para líquidos, basta um buraco menor, do tamanho que permite a passagem de líquido. E se foi feito para ambos os usos — como uma panela em que se cozinham tanto alimentos quanto seu caldo — aplica-se a ele a medida mais rigorosa, a da azeitona, mesmo que já esteja furado o bastante para deixar sair o líquido.
Rambam explica que a mishná define a medida do buraco que, uma vez aberto num vaso de barro, faz com que ele não mais se torne impuro, porque já não lhe resta interior. Quanto à expressão “aplica-se a ele o rigor”: significa que o julgamos pela via mais severa, e ele não deixa de receber impureza — mesmo já estando furado o bastante para que líquido saia por ali — até que se abra nele um buraco pelo qual saia também a azeitona; só então deixa de receber impureza.
Sobre “a medida do vaso de barro para se purificar”: quer dizer que, a partir dali, ele não mais recebe impureza; e se já estava impuro, torna-se puro, como se tivesse se quebrado por inteiro, pois já não serve mais para seu uso nem é considerado um interior verdadeiro. Mesmo que este jarro fosse destinado a figos secos e nozes, e tenha sido furado o bastante para que uma azeitona passasse, está puro, contanto que não tenha sido depois redestinado a conter romãs ou coisa semelhante; mas, se foi redestinado a conter romãs, permanece impuro até que se abra nele um buraco pelo qual passe uma romã — e, a partir de então, não volta mais a receber impureza.
Sobre “sua medida é em líquidos”: trata-se de um buraco tal que, quando se coloca o vaso sobre líquidos, estes entram por ele para dentro do vaso — um buraco maior do que o necessário para a mera saída de líquido.
Sobre “para isto e para aquilo”: como uma panela em que se cozinha carne; ainda que nela não se coloque alimento sem líquido, e ela já não sirva para líquido, por estar furada o bastante para deixá-lo escoar, mesmo assim seguimos o rigor, e ela não se purifica até que se abra nela um buraco pelo qual saiam azeitonas.