Um galo que engoliu o sheretz e caiu no ar do forno é puro; e se morreu, é impuro. O sheretz que se encontrou no forno, o pão que está dentro dele é de segundo grau, pois o forno é de primeiro grau.
Enquanto o galo estiver vivo, o sheretz que ele engoliu está “engolido” dentro dele, e uma impureza engolida não transmite impureza a nada externo — por isso, se o galo vivo cai no ar do forno, o forno permanece puro, como se o sheretz não estivesse ali. Mas se o galo morre — tendo o sheretz ainda dentro dele, sem ter havido tempo suficiente de digestão entre a ingestão e a morte —, a barreira do corpo vivo desaparece, e o sheretz volta a ser considerado presente no ar do forno, contaminando-o. Já o segundo caso desta mishná ensina a hierarquia dos graus de impureza: o próprio sheretz é considerado av hatumá (fonte primária de impureza); o forno que ele contamina através do ar torna-se rishon (primeiro grau); e o pão que está dentro do forno, contaminado pelo forno já impuro, torna-se apenas sheni (segundo grau) — e não se considera, como se poderia pensar à primeira vista, que o sheretz tenha contaminado o pão diretamente, tornando-o também primeiro grau; a impureza passa em cadeia, do sheretz ao forno, e do forno ao pão.
Todo o tempo em que o galo está vivo, o sheretz que está em seu corpo não contamina, e quando ele morre, estando o sheretz em seu corpo, e o sheretz mesmo, sem ter havido tempo de digestão desde que o engoliu, chega ao ar do forno — e há casos em que contamina e há casos em que não contamina: exceto o galo que engoliu o sheretz e caiu no ar do forno, que é puro; mas se morreu, é impuro.
E disto se esclarece que a mishná já chama o primeiro de “rishon” (primeiro), porque o sheretz é av hatumá (fonte da impureza), e o forno é rishon (primeiro grau), e o pão que a ele está aderido é sheni (segundo grau); e já explicamos a razão deste ensinamento na introdução às nossas palavras, pois poderia vir ao coração que o pão fosse rishon, como mencionamos ali.
Sobre “e caiu no ar do forno, é puro”: todo o tempo em que o galo está vivo. Pois é impureza engolida, e não contamina.
Sobre “e se morreu, é impuro”: e trata-se do caso em que não passou o tempo de digestão desde que o engoliu até morrer; e a medida do tempo de digestão nas aves é de um dia para outro.
Sobre “o pão que está dentro dele é de segundo grau”: pois não consideramos o forno como se estivesse cheio de impureza, como se o sheretz tivesse tocado o pão; mas sim que o forno é de primeiro grau, pois o sheretz, que é av hatumá, caiu dentro dele e o tornou rishon; e o forno, sendo rishon, voltou e contaminou o pão, que se tornou sheni.