O sheretz que se encontrou no “olho” do forno, no “olho” da kirá, no “olho” do kupach — da borda interna para fora, é puro; e se estava no ar aberto, mesmo que fosse uma azeitona do morto, é puro. E se havia ali uma abertura de um palmo, tudo é impuro.
O ayin (“olho”) é o orifício que se faz na base do forno, da kirá ou do kupach para permitir a entrada de ar e de lenha, e que se abre e se fecha conforme a necessidade — daí o nome “olho”. Por não fazer parte do interior propriamente dito do forno, um sheretz encontrado nesse orifício, além da sua borda interna (isto é, do lado de fora, mais próximo da abertura externa), não contamina o forno, pois não está no ar interno do forno. Do mesmo modo, se o orifício está a céu aberto — não coberto por nenhuma tenda —, mesmo que ali se encontre uma azeitona de carne do morto, o forno permanece puro, pois falta a esse espaço a condição de “tenda” necessária para que a impureza do morto se propague. Mas se a espessura da borda do orifício tiver, ela mesma, a medida de um palmo por um palmo, formando assim uma pequena tenda sobre o que estiver embaixo dela, então essa espessura já é suficiente para servir de teto que propaga a impureza do morto para o interior do forno, e tudo — tanto o orifício quanto o forno inteiro — se torna impuro.
Fazem um furo na parte baixa do forno, da kirá e do kupach, por onde desce até o chão; por ele entra a lenha, e por ele entra também o ar; e quando o forno se aquece, tapam esse furo, para que o calor não escape totalmente — de modo que esse furo ora está tapado, ora está aberto, e por isso se chama “olho”, assim como o olho se abre e se fecha continuamente. E não há dúvida de que o próprio corpo do forno e da kirá tem alguma espessura.
E disse que, quando esse sheretz estava no furo, sob a espessura da parede do forno ou da kirá, o forno é puro, por o sheretz não estar no ar do forno, mas apenas no ar desse furo. Mas se na espessura do umbral desse furo — isto é, no umbral do forno, em sua construção — havia um palmo por um palmo, e havia uma azeitona do morto sob esse palmo por palmo, isto é, dentro do “olho” do forno, o “olho” do forno já se contaminou, e assim também o forno inteiro, pois um palmo por um palmo traz a impureza, por ser uma tenda, como se explicou em Ohalot: havendo uma azeitona do morto sob a tenda do morto, e essa tenda aberta para o ar do forno, o forno se contamina — e é o sentido de dizer “tudo é impuro”. E a mesma lei se aplica à kirá e ao kupach.
Sobre “no olho do forno”: é um buraco em forma de olho que se faz no forno para fazer sair a fumaça, e, quando se coloca o pão dentro do forno, tapa-se esse olho para que o calor não saia; e não é considerado como o interior do forno.
Sobre “se estava no ar”: em lugar descoberto, que não estava sob uma tenda — mesmo que uma azeitona do morto estivesse colocada em seu olho, o forno é puro, pois a impureza não entra dentro dele, uma vez que o olho não tem uma abertura de um palmo.
Sobre “e se havia ali uma abertura de um palmo”: que a espessura da borda externa do olho se projeta e faz tenda sobre a azeitona do morto, numa medida de um palmo por um palmo.
Sobre “tudo é impuro”: o olho e o forno, pois um palmo por um palmo de tenda traz a impureza.