O animal grande é adquirido pela entrega (mesirá), e o pequeno pelo levantamento (hagbahá) — palavras de Rabi Meir e Rabi Eliezer. E os sábios dizem: o animal pequeno é adquirido pela tração (meshichá). — A mishná trata dos modos de aquisição de animais — bois, vacas e demais animais grandes de um lado, ovelhas, cabras e demais animais pequenos de outro. Segundo Rabi Meir e Rabi Eliezer, o animal grande é adquirido quando o vendedor o entrega ao comprador — seja passando-lhe a corda ou o cabresto, seja fazendo o animal segui-lo por meio de um gesto —, enquanto o animal pequeno, por poder ser fisicamente erguido do chão, só é adquirido por esse levantamento. Os sábios discordam quanto ao animal pequeno: para eles, mesmo sendo fisicamente possível levantá-lo, ele é adquirido pela tração (meshichá) — o comprador o puxa um pouco em direção a si —, pois um animal pequeno tende a se agarrar ao chão com as patas, tornando o ato de tração igualmente eficaz e mais natural do que o levantamento completo.
Rambam e Bartenura registram, quase nas mesmas palavras, a decisão prática — a halachá segue os sábios — e fixam os princípios gerais sobre onde cada modo de aquisição é eficaz.
Rambam decide expressamente que a halachá segue os sábios: tanto o animal pequeno quanto o grande são adquiridos pela tração — e com maior razão pelo levantamento, que é ainda mais eficaz. Estabelece então os princípios gerais válidos para toda a Mishná: a tração adquire num beco lateral de domínio público (simta) e num pátio pertencente a ambas as partes; a entrega adquire no domínio público propriamente dito e num pátio que não pertence a nenhuma das partes; e o levantamento adquire em qualquer lugar, sendo o modo mais universal de todos.
Bartenura confirma a mesma decisão halachá — meshichá funciona tanto para animais pequenos quanto grandes — e acrescenta uma regra importante de exclusividade: aquilo que, por sua natureza, é adquirido por entrega não se adquire por tração, e aquilo que é adquirido por tração não se adquire por entrega; cada categoria de bem tem seu modo próprio e específico de aquisição, que não se substitui livremente por outro.
Rashi sobre a Guemará (Kidushin 25b) confirma a base da mesirá e a distinção entre hagbahá e meshichá; Bartenura explica por que o animal pequeno, apesar de poder ser levantado, é adquirido por tração.
Rashi explica que a entrega (mesirá) consiste em o vendedor passar o animal ao comprador segurando-o pela corda que lhe circunda o pescoço ou pelo próprio pelo, exatamente como descrito numa baraita anterior sobre o escravo cananeu; e observa que, para o animal grande, a tração isolada não é suficiente como modo de aquisição, já que não é seu costume natural ser conduzido à frente do comprador dessa forma. Já para o animal pequeno, segundo Rabi Meir e Rabi Eliezer, apenas o levantamento — e não a tração — completa a aquisição.
Bartenura explica o raciocínio dos sábios: embora, em princípio, seja fisicamente possível levantar um animal pequeno do chão, a lei o trata como adquirível por tração porque, na prática, esse tipo de animal tende constantemente a se firmar com as patas no solo — o que torna a tração o ato mais natural e representativo de domínio sobre ele, tanto quanto o levantamento completo seria para outros bens. É por essa razão prática, e não por uma distinção jurídica essencial, que o animal pequeno se equipara aos demais bens móveis adquiridos por meshichá.