"Consagra-te a mim com este cálice de vinho" — e foi encontrado ser de mel; "com este de mel" — e foi encontrado ser de vinho; "com este dinar de prata" — e foi encontrado ser de ouro; "com este de ouro" — e foi encontrado ser de prata; "com a condição de que sou rico" — e foi encontrado ser pobre; "com a condição de que sou pobre" — e foi encontrado ser rico: ela não está consagrada. Rabi Shimon diz: se ele a enganou para melhor, ela está consagrada. — A mishná apresenta seis pares de casos, todos regidos pelo mesmo princípio: a declaração de kidushin precisa corresponder exatamente à realidade do objeto entregue ou da condição pessoal do noivo, sem exceção para o caso em que o engano beneficiaria a mulher. Assim, mesmo trocar vinho (mais valorizado para uso imediato) por mel, ou prata por ouro (objetivamente mais valioso), invalida o kidushin, porque a vontade da mulher se dirigiu especificamente ao objeto nomeado, e não a qualquer objeto de valor equivalente ou superior — talvez ela preferisse precisamente aquele item, por razões próprias. O mesmo vale para a declaração sobre riqueza: dizer-se rico e revelar-se pobre, ou vice-versa, anula o kidushin, pois a mulher pode ter consentido tendo em vista especificamente aquela condição declarada. Rabi Shimon, porém, discorda quanto aos casos de bens materiais (o cálice e o dinar): se o engano foi para melhor — ela recebeu algo de maior valor do que o prometido —, para ele o kidushin é válido, pois presume-se que a mulher, de modo geral, prefere receber mais do que menos. A halachá, contudo, não segue Rabi Shimon.
Rambam justifica em poucas palavras por que a halachá não segue Rabi Shimon: é perfeitamente possível que a intenção e a vontade da mulher recaíssem precisamente sobre o item de menor valor, por alguma razão particular — talvez ela precisasse justamente daquele item, e não do outro, ainda que objetivamente mais caro. Como a declaração de consagração precisa refletir com exatidão a vontade das partes, qualquer discrepância entre o que foi dito e o que foi efetivamente entregue anula o kidushin, independentemente de a troca representar ganho ou perda material.
Bartenura explica que a razão pela qual mesmo a troca de prata por ouro invalida o kidushin é que há quem prefira uma coisa e há quem prefira outra — a preferência pessoal não segue necessariamente o valor de mercado. Sobre a posição de Rabi Shimon, Bartenura estabelece um limite crucial: ele discorda apenas quanto ao engano em bens materiais (mamon), presumindo que, nesse âmbito, a mulher normalmente prefere receber mais. Mas quanto ao engano sobre linhagem (yuchasin) — como no caso seguinte, de quem se diz levita e se revela cohen — Rabi Shimon concorda que o kidushin é inválido mesmo quando o engano é "para melhor", pois a mulher pode legitimamente não desejar um marido de linhagem mais elevada do que o esperado, temendo que ele se sinta superior a ela por causa disso. A halachá não segue Rabi Shimon em nenhum dos dois casos.
Rashi detalha a distinção técnica entre "o cálice" e "o que está dentro dele": se o homem disse que a consagra com o cálice em si (e não com o líquido), ela não adquire o conteúdo, que não se soma ao valor da perutá; mas quando disse "com este vinho", entende-se que se refere ao conteúdo, e não ao recipiente, pois é costume beber o vinho e devolver o cálice ao seu dono. Sobre a troca de dinar de ouro por um de prata, Rashi explica o sentido de "kepeida" (objeção legítima): a mulher pode não ter desejado senão especificamente a moeda de prata, pois há quem prefira a prata — seja por não ter uso imediato para o ouro, seja por outra razão pessoal —, e essa preferência legítima é suficiente para anular o kidushin quando não atendida.