E estes são os shetukim: todo aquele que reconhece sua mãe, mas não reconhece seu pai. Os assufim: todo aquele que foi recolhido do mercado e não reconhece nem seu pai nem sua mãe. Abba Shaul chamava os shetukim de bedukim. — O shetuki — literalmente, “o silenciado” — é a criança que sabe identificar sua mãe, mas cuja paternidade permanece desconhecida: quando pergunta por seu pai, é silenciada. O assufi — “o recolhido” — é mais radical ainda: uma criança encontrada abandonada na praça pública, sem que se saiba nada sobre nenhum dos dois pais. Ambos carregam dúvida real, não certeza, de serem mamzerim — por isso a mishná anterior os inclui apenas no círculo mais amplo de permissões, e a mishná seguinte tratará da distinção entre dúvida e certeza. Abba Shaul preferia chamar o shetuki de beduki — “o investigado” —, nome que aponta para a solução prática do problema: em vez de deixar a linhagem simplesmente incerta, investiga-se a própria mãe sobre a identidade do pai.
Rambam explica o termo “bedukim” de Abba Shaul: a Guemará pergunta o que significa esse nome, e responde que se trata daqueles cuja mãe é investigada — e, se ela declarar que se relacionou com um homem apto ao casamento com ela, o filho é considerado apto, como já foi explicado no início do tratado Ketubot. E a halachá segue Abba Shaul: a mãe deve ser investigada, e sua palavra, quando afirma ter-se relacionado com alguém apto, é aceita para legitimar o filho.
Bartenura acrescenta uma imagem viva à definição de shetuki: é a criança que chama por “papai” — buscando identificar o pai —, mas cuja mãe a silencia, recusando-se a responder. Quanto aos bedukim, confirma que se trata daqueles cuja mãe é interrogada sobre a paternidade; se ela afirma ter-se relacionado com um homem apto a desposá-la, o filho é reconhecido como apto. E a halachá segue Abba Shaul.