De que maneira? Caiu o dia catorze na segunda-feira, aldeias e cidades grandes leem nesse mesmo dia, e as muradas no dia seguinte. — Quando o catorze cai numa segunda-feira, não há nenhuma complicação: aldeias e cidades grandes leem no próprio catorze, e as cidades muradas leem no quinze, a data padrão de cada grupo, sem necessidade de qualquer ajuste.
Caiu na terça ou na quarta-feira, as aldeias antecipam para o dia da reunião e as cidades grandes leem nesse mesmo dia, e as muradas no dia seguinte. — Se o catorze cai na terça ou na quarta-feira, as aldeias não podem esperar até o próprio catorze — precisam antecipar para a segunda-feira anterior, seu dia de reunião mais próximo — enquanto cidades grandes e muradas seguem cada uma sua data normal.
Caiu na quinta-feira, aldeias e cidades grandes leem nesse mesmo dia, e as muradas no dia seguinte. — Quando o catorze cai numa quinta-feira, que é ela mesma um dia de reunião, as aldeias não precisam antecipar nada — leem junto com as cidades grandes no próprio catorze, e as muradas no quinze seguinte.
Caiu na véspera de Shabat, as aldeias antecipam para o dia da reunião, e as cidades grandes e as muradas leem nesse mesmo dia. — Se o catorze cai numa sexta-feira, as aldeias antecipam para a quinta-feira anterior, seu dia de reunião; mas cidades grandes e muradas leem ambas no próprio catorze — as muradas não podem esperar até Shabat, o dia seguinte, porque a leitura da Meguilá nunca ocorre em Shabat.
Caiu em Shabat, aldeias e cidades grandes antecipam e leem no dia da reunião, e as muradas no dia seguinte. — Quando o próprio catorze cai em Shabat, nem aldeias nem cidades grandes podem ler nesse dia — ambas antecipam para a quinta-feira anterior, seu dia de reunião comum; e as cidades muradas, cujo dia seria o quinze, leem no domingo seguinte, já que também elas não podem ler em Shabat.
Caiu depois do Shabat, as aldeias antecipam para o dia da reunião, e as cidades grandes leem nesse mesmo dia, e as muradas no dia seguinte. — Se o catorze cai num domingo, as aldeias antecipam para a quinta-feira anterior; mas as cidades grandes leem no próprio domingo, catorze, e as muradas no quinze seguinte, uma segunda-feira — sem qualquer obstáculo de Shabat no caminho.
A expressão "e não passará" é a base pela qual a Guemará explica por que a leitura nunca é adiada para depois do quinze, apenas antecipada. Se o catorze cai numa sexta-feira, e as cidades muradas não podem ler em Shabat, seria tecnicamente mais simples adiar a leitura para o domingo seguinte — mas isso tornaria o dia de leitura o dezesseis de Adar, ultrapassando o limite que o verso fixa com a palavra "não passará". Por isso a mishná resolve o conflito sempre pelo mesmo caminho: quando o Shabat ameaça empurrar a leitura para além do quinze, ela é antecipada para antes do catorze, nunca adiada para depois do quinze — a permissão de variar as datas, dada pelos Sábios, nunca pode contradizer o limite bíblico explícito.
Rambam explica por que, quando o catorze cai em Shabat, a leitura das cidades grandes é adiantada e não adiada.
Bartenura explica por que nunca se lê a Meguilá em Shabat e por que, hoje, ninguém mais antecipa a leitura; Rashi detalha o caso da véspera de Shabat.
"De que maneira? Caiu o dia catorze na segunda-feira, etc.": já explicamos que o dia da reunião é a segunda e a quinta-feira, e que a Meguilá não se lê em Shabat. Por isso, quando o catorze cai em Shabat — dia em que é impossível lê-la — as cidades grandes são deslocadas para o dia da reunião mais próximo, que é a quinta-feira anterior; e não se lê na própria sexta-feira, pois, uma vez que a leitura já foi deslocada de sua data original, é deslocada até o dia de reunião completo, não apenas um dia adiante.
"Caiu catorze na véspera de Shabat": cidades grandes e muradas leem nesse mesmo dia, pois não há leitura da Meguilá em Shabat — decreto para que ninguém a tome na mão e a carregue quatro amot em domínio público, imaginando erroneamente que é permitido; e se a leitura fosse adiada até o domingo seguinte, seria o dezesseis de Adar, e o próprio verso já diz "e não passará" — o limite bíblico não admite esse adiamento.
E essa permissão de os habitantes das aldeias anteciparem sua leitura ao dia da reunião só valia quando Israel habitava tranquilamente sua terra e os mensageiros do tribunal saíam para anunciar quando o tribunal havia santificado o novo mês. Mas em nosso tempo, quando o povo já se guia pela leitura da Meguilá para contar os trinta dias até Pêssach — se as aldeias antecipassem sua leitura, acabariam contando o Pêssach a partir do fim desses trinta dias de leitura antecipada, e se encontrariam comendo chametz nos últimos dias de Pêssach; por isso hoje ninguém mais lê senão em seu tempo próprio.
"Caiu catorze na véspera de Shabat, cidades grandes e muradas leem nesse mesmo dia" — porque não há leitura da Meguilá em Shabat, decreto para que ninguém a tome na mão e a carregue quatro amot em domínio público; e se alguém perguntasse: que adiem as cidades muradas até depois de Shabat — isso resultaria no dezesseis de Adar, e o próprio verso diz "e não passará".
"Caiu depois do Shabat, as aldeias antecipam para o dia da reunião" — pois nesse caso o dia da reunião resulta ser o onze; e não se encontra mais que isso, porque não se antecipa de um dia de reunião a outro dia de reunião anterior — a antecipação chega apenas até o dia de reunião mais próximo do catorze, nunca além dele.