Todo o dia é válido para a leitura da Meguilá, e para a recitação do Hallel, e para o toque do shofar, e para tomar o lulav, e para a oração dos musafim, e para os musafim, e para a confissão dos touros, e para a confissão do dízimo, e para a confissão de Yom Kipur; para a semichá, para o abate, para a tenufá, para a hagashá, para o kemitzá e para a queima, para a melicá, e para a recepção do sangue, e para a aspersão, e para dar a beber à sotá, e para decapitar a novilha, e para a purificação do metzorá. — Embora se preze a agilidade em cumprir as mitzvot o quanto antes, todas essas — a leitura da Meguilá, o Hallel de Rosh Chodesh e das festas, o toque do shofar em Rosh Hashaná, tomar o lulav em Sucot, as orações e oferendas adicionais dos dias sagrados, as confissões verbais sobre os touros de expiação comunitária, sobre o dízimo e a de Yom Kipur, e todos os passos do serviço de oferendas no Templo — a colocação das mãos, o abate, o balançar, a aproximação, a retirada do punhado e sua queima, a decapitação da ave, a recepção e a aspersão do sangue —, bem como dar à sotá as águas amargas, decapitar a novilha do caso de homicídio não resolvido, e todo o processo de purificação do leproso — todas essas ações são válidas se realizadas a qualquer momento do dia, do nascer ao pôr do sol.
A Guemará deriva de "neste dia expiará por vós" que a confissão de Yom Kipur é uma "expiação por palavras" que deve ocorrer "de dia" — e generaliza esse princípio a todo o restante da lista: toda ação cujo preceito próprio é "o dia" é válida durante todo esse dia, do nascer ao pôr do sol, e não apenas na primeira hora. Cada item da longa enumeração da mishná recebe assim sua fonte específica na Torá — os serviços do altar (semichá, abate, tenufá) por analogia à oferenda do Templo, o shofar e o Hallel pela associação aos "dias determinados" das festas —, mas o princípio unificador, formulado explicitamente pela própria mishná seguinte, é que tudo cujo preceito é diurno vale o dia inteiro.
Rambam remete às fontes de cada confissão mencionada na mishná e situa o princípio dentro do sistema mais amplo dos serviços do Templo.
Bartenura identifica os dois touros da confissão e o sentido técnico de "kemitzá" e "hagashá"; Rashi observa que a mishná, apesar do princípio de agilidade nas mitzvot, ainda assim declara válido o dia inteiro.
"Todo o dia é válido para a leitura da Meguilá" e assim por diante: quanto à confissão do dízimo, já a expliquei no tratado Ma'asser Sheni — trata-se da declaração feita ao final de cada ciclo trienal de dízimos, afirmando que todas as obrigações relativas às ofertas foram cumpridas corretamente.
"E para a confissão dos touros" — refere-se ao touro trazido pelo sacerdote ungido por seu próprio erro de instrução, e ao touro trazido pela congregação por um erro coletivo de instrução; sobre ambos se confessa verbalmente o pecado que motivou sua oferenda, e essa confissão, como todo o restante da lista, é válida a qualquer hora do dia em que for pronunciada.
"Todo o dia é válido" — mesmo sabendo que vale o princípio de que os diligentes se apressam para as mitzvot, como está escrito "e Avraham se levantou de madrugada" (Bereshit 22:3), ainda assim, no que se refere à validade halachica estrita, todo o dia permanece válido para o cumprimento de cada um desses preceitos. A diligência em fazê-los cedo é uma virtude recomendada, não uma condição de validade.