Seder Kodashim · Massechet Meilá · Perek Guimel · Mishná 4 de 8

As cinzas do altar interno e da menorá

דִּשּׁוּן מִזְבֵּחַ הַפְּנִימִי וְהַמְּנוֹרָה
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná trata de dois resíduos do serviço diário — as cinzas do altar interno e da menorá, e pombas consagradas fora do tempo próprio para sua espécie — e regista, em ambos os casos, a opinião dissidente de Rabi Shimon

As cinzas do altar interno e da menorá: não se desfruta delas nem há meilá nelas. Aquele que consagra as cinzas antes (de retiradas): há meilá nelas. Rolinhas cujo tempo ainda não chegou, e pombinhos cujo tempo já passou: não se desfruta deles nem há meilá neles. Rabi Shimon diz: rolinhas cujo tempo ainda não chegou — há meilá nelas; e pombinhos cujo tempo já passou — não se desfruta deles nem há meilá neles.

A primeira parte da mishná trata das cinzas retiradas diariamente do altar interno (de ouro, onde se queimava o incenso) e da menorá (os restos das mechas consumidas). Depois de removidas e depositadas junto ao altar externo, essas cinzas não têm mais valor algum — nem se desfruta delas, nem há meilá se alguém as usa —, ao contrário das cinzas do altar externo, sobre as quais a Torá determina explicitamente um lugar de depósito, e que por isso conservam responsabilidade de meilá. Mas se alguém consagra o valor dessas cinzas antes de serem retiradas para fora, ou seja, declara “o valor destas cinzas seja consagrado” enquanto ainda estão dentro do serviço, há meilá em quem delas se beneficiar, pois o dano causado ao Templo pela perda daquele valor já consagrado é real, mesmo que a mitzvá do depósito já tenha sido cumprida depois. A segunda parte trata de rolinhas (tur) consagradas antes de atingirem a idade mínima exigida, e pombinhos (bnei ioná) consagrados depois de ultrapassarem a idade máxima permitida — em ambos os casos, aves fora do período em que sua espécie é apta ao altar. Para os sábios, sem essa aptidão presente não há sequer meilá, pois faltam à ave tanto o valor de oferenda quanto o de resgate, já que defeitos não desqualificam aves como desqualificam animais. Rabi Shimon discorda apenas quanto às rolinhas ainda jovens: como elas se tornarão aptas mais adiante, já há nelas, desde já, uma santidade suficiente para gerar meilá — mas concorda que os pombinhos que já envelheceram, sem esperança de voltar a ser aptos, permanecem sem meilá como ensinam os sábios.

דִּשּׁוּן מִזְבֵּחַ הַפְּנִימִי וְהַמְּנוֹרָה, לֹא נֶהֱנִין וְלֹא מוֹעֲלִין. הַמַּקְדִּישׁ דִּשּׁוּן בַּתְּחִלָּה, מוֹעֲלִים בּוֹ. תּוֹרִים שֶׁלֹּא הִגִּיעַ זְמַנָּן, וּבְנֵי יוֹנָה שֶׁעָבַר זְמַנָּן, לֹא נֶהֱנִים וְלֹא מוֹעֲלִים. רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר, תּוֹרִין שֶׁלֹּא הִגִּיעַ זְמַנָּן, מוֹעֲלִין בָּהֶן. וּבְנֵי יוֹנָה שֶׁעָבַר זְמַנָּן, לֹא נֶהֱנִין וְלֹא מוֹעֲלִין:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Meilá 3:4

Rambam explica que o dishun mencionado é a cinza, e o dishun da menorá são as pontas queimadas dos pavios que se consomem nela. E disse Rabi Shimon: as rolinhas cujo tempo ainda não chegou — já que são aptas a serem oferecidas mais adiante, há meilá nelas; e os sábios dizem: já que não são aptas a serem oferecidas agora, não há meilá nem se desfruta delas. E não segue a halachá a opinião de Rabi Shimon.

Bartenura · Meilá 3:4
דִּשּׁוּן מִזְבֵּחַ הַפְּנִימִי וְהַמְּנוֹרָה. הַדֶּשֶׁן שֶׁלָּהֶם וּשְׁיָרֵי הַפְּתִילוֹת שֶׁל מְנוֹרָה, הָיָה מוֹצִיא וּמַנִּיחָן אֵצֶל הַמִּזְבֵּחַ הַחִיצוֹן, וְאַחַר שֶׁהוֹצִיא שָׁם לֹא נֶהֱנִין וְלֹא מוֹעֲלִים, דִּבְהָנֵי לֹא כְתִיב וְשָׂמוֹ אֵצֶל הַמִּזְבֵּחַ כְּמוֹ בְדִשּׁוּן מִזְבַּח הָעוֹלָה: הַמַּקְדִּישׁ דִּשּׁוּן בַּתְּחִלָּה מוֹעֲלִים בּוֹ. הָכִי קָאָמַר, הַמַּקְדִּישׁ דְּמֵי דִשּׁוּן, בַּתְּחִלָּה קֹדֶם שֶׁהוֹצִיאוֹ לָעֲזָרָה יֶשׁ בּוֹ מְעִילָה: תּוֹרִים שֶׁלֹּא הִגִּיעַ זְמַנָּן מוֹעֲלִין בָּהֶן. כֵּיוָן דִּלְקַמָּן מֵחֲזוּ, אִית בְּהוּ מְעִילָה הַשְׁתָּא. וְאֵין הֲלָכָה כְּרַבִּי שִׁמְעוֹן:

Bartenura explica, sobre “as cinzas do altar interno e da menorá”: o dishun delas e os restos dos pavios da menorá eram retirados e depositados junto ao altar externo; e, depois de ali depositados, não se desfruta deles nem há meilá, pois a respeito destes não está escrito “e o colocará junto ao altar” como está escrito a respeito das cinzas do altar da oferenda de subida. Sobre “aquele que consagra as cinzas antes, há meilá nelas”: isto quer dizer que aquele que consagra o valor das cinzas antes de serem retiradas ao pátio tem responsabilidade de meilá. Sobre “rolinhas cujo tempo ainda não chegou, há meilá nelas” (segundo Rabi Shimon): já que mais adiante se tornarão aptas, já há nelas meilá desde agora; e não segue a halachá a opinião de Rabi Shimon.

Perush — os Mefarshim · פֵּרוּשׁ הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רַשִׁ"י
Meilá 12a, sobre a Guemará desta mishná
אלא דישון מזבח הפנימי מנלן — שהיה מניחו אצל מזבח החיצון ושיהו מועלין בו לאחר שבא עם תרומת הדשן:

Rashi explica, sobre a pergunta da Guemará “mas de onde aprendemos o dishun do altar interno?”: que ele era depositado junto ao altar externo, e que passa a haver meilá nele depois que vem juntar-se à teruma do dishun (a porção separada das cinzas do altar externo, que a Torá manda depositar junto ao altar).