A terceira mishná percorre uma série de casos que determinam se o pão da todá se consagra ou não junto com o abate do animal — o lugar do pão, se já formou crosta no forno, a intenção do abate (fora de tempo ou lugar, ou não em nome próprio) e defeitos descobertos no animal após o abate.
O que abate a todá dentro, estando seu pão fora do muro, o pão não se consagra. Abateu-a antes que as fogaças formassem crosta no forno — e mesmo que todas tenham formado crosta menos uma delas — o pão não se consagra. — A consagração do pão depende de duas condições prévias: que ele esteja no lugar devido junto com o sacrifício, e que já seja de fato pão — ou seja, que tenha formado crosta no forno, deixando de ser mera massa. Se apenas uma fogaça, entre as quarenta, ainda não formou crosta, nenhuma delas se consagra, pois a mishná exige que todo o conjunto esteja pronto.
Abateu-a fora de seu tempo devido, ou fora de seu lugar devido, o pão se consagra. Abateu-a e foi encontrada tereifá, o pão não se consagra. — Quando o abate foi válido, mas realizado com a intenção de comer ou queimar a oferenda fora do tempo ou lugar devido — tornando-a piguul ou desqualificada —, o pão já se consagrou no momento do abate, pois a desqualificação ocorreu depois de um abate válido. Já quando se descobre, após o abate, que o animal era tereifá desde antes, a desqualificação é anterior ao próprio abate, e por isso o pão nunca chega a se consagrar.
Abateu-a e foi encontrada com defeito físico, Rabi Eliezer diz: consagrou. E os Sábios dizem: não consagrou. — Rabi Eliezer e os Sábios discordam sobre um animal que, após o abate, revelou-se portador de um defeito físico (mum) que o desqualificaria de antemão, mas que, se já tivesse subido ao altar, não desceria. Rabi Eliezer trata esse caso como semelhante ao da oferenda tornada piguul ou desqualificada por intenção indevida — consagrando o pão —, enquanto os Sábios o tratam como semelhante à tereifá, cujo defeito precede o abate.
Abateu-a não em seu próprio nome, e também o carneiro da inauguração, e também os dois cordeiros de Atzeret que foram abatidos não em seu próprio nome, o pão não se consagra. — Quando o abate é feito com a intenção de que a oferenda sirva para outro tipo de sacrifício, ela é completamente retirada de sua identidade original, e não apenas desqualificada dentro dela — por isso o pão nunca chega a se consagrar. A mesma regra vale para o carneiro da inauguração, trazido por Aharon e seus filhos, e para os dois cordeiros da oferenda de paz comunitária de Shavuot, que também são acompanhados de pão.
Rambam explica que "quem abate a todá" com o pão "fora do muro" foi esclarecido pelos Sábios como referindo-se a fora de Beit Pagei, um lugar fora do Monte do Templo; mas se o pão estava próximo da azará, ainda que fora do muro da azará, ele se consagra — e, embora o texto diga "sobre" o pão, não exigimos em todo caso proximidade estrita. Observa que, a seu ver, Beit Bagei era o lugar onde se assavam as minchot, daí o nome, por analogia com "pat bag hamélech" (a porção da mesa real); ficava próximo do Monte do Templo, mas fora dele, como se explica na guemará de Sanhedrin. E quanto a mencionar "o carneiro da inauguração" e não "o carneiro do nazireu" — que é o que se pratica em todas as gerações — é porque a inauguração foi o início da obrigação, e a mishná menciona o caso principal. A halachá não segue Rabi Eliezer.
הַשּׁוֹחֵט אֶת הַתּוֹדָה בִּפְנִים. לִפְנִים מִן הָעֲזָרָה:
וְלַחְמָהּ חוּץ לַחוֹמָה. בַּגְּמָרָא מוֹקְמִינַן לַהּ חוּץ לְחוֹמַת בֵּית פַּאגִי. רַבּוֹתַי פֵּרְשׁוּ חוּץ לַחוֹמָה הַחִיצוֹנָה שֶׁל יְרוּשָׁלַיִם. אֲבָל חוּץ לָעֲזָרָה קָדוֹשׁ. וְאַף עַל גַּב דִּכְתִיב (ויקרא ז) וְהִקְרִיב עַל זֶבַח הַתּוֹדָה חַלּוֹת, דְּמַשְׁמַע לִכְאוֹרָה שֶׁיְּהֵא הַלֶּחֶם אֶצְלָהּ בִּשְׁעַת זְבִיחָה, לֹא דָרְשִׁינַן עַל בְּסָמוּךְ. וְרַמְבַּ"ם גּוֹרֵס בֵּית בַּגִּי, וּמְפָרֵשׁ שֶׁהוּא מָקוֹם קָרוֹב לְהַר הַבַּיִת אֶלָּא שֶׁהוּא חוּץ לְחוֹמַת הַר הַבַּיִת וְשָׁם אוֹפִים הַמְּנָחוֹת, וְעַל שֵׁם כָּךְ הָיוּ קוֹרִים לוֹ בֵּית בַּגִּי, לְשׁוֹן פַּת בַּג הַמֶּלֶךְ:
עַד שֶׁלֹּא קָרְמוּ בַתַּנּוּר. לָאו לֶחֶם נִינְהוּ, אֶלָּא עִסָּה בְּעָלְמָא:
שְׁחָטָהּ. עַל מְנָת לְאָכְלָה חוּץ לִזְמַנָּהּ, קָדַשׁ הַלֶּחֶם וְנִפְגַּל. עַל מְנָת לְאָכְלָהּ חוּץ לִמְקוֹמָהּ, קָדַשׁ הַלֶּחֶם וְנִפְסַל. וְטַעֲמָא דְּקָדַשׁ הַלֶּחֶם, מִשּׁוּם דִּפְסוּלוֹ בַּקֹּדֶשׁ, וְקַיְמָא לָן כָּל שֶׁפְּסוּלוֹ בַּקֹּדֶשׁ הַקֹּדֶשׁ מְקַבְּלוֹ:
שְׁחָטָהּ וְנִמְצֵאת טְרֵפָה לֹא קָדַשׁ הַלָּחֶם. דִּפְסוּלוֹ קֹדֶם שְׁחִיטָה הוּא:
שְׁחָטָהּ וְנִמְצֵאת בַּעֲלַת מוּם רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר קָדָשׁ. בַּגְּמָרָא מוֹקֵי לַהּ בְּדֻקִּין שֶׁבָּעַיִן, דִּבְכִי הַאי מוּמָא סָבַר רַבִּי אֱלִיעֶזֶר דְּאִם עָלוּ לֹא יֵרְדוּ הוֹאִיל וְאֵין מוּמָן נִכָּר, הִלְכָּךְ קָדַשׁ הַלֶּחֶם. וְאֵין הֲלָכָה כְּרַבִּי אֱלִיעֶזֶר:
שֶׁלֹּא לִשְׁמָהּ. לֹא קָדַשׁ הַלֶּחֶם, דִּכְתִיב (ויקרא ז) עַל חַלֹּת לֶחֶם חָמֵץ יַקְרִיב קָרְבָּנוֹ עַל זֶבַח תּוֹדַת שְׁלָמָיו, עַל זֶבַח שֶׁנִּזְבַּח לְשֵׁם תּוֹדַת שְׁלָמָיו:
וְכֵן אֵיל הַמִּלּוּאִים. לְפִי שֶׁהֵן הָיוּ תְּחִלָּה לְכָל הַקָּרְבָּנוֹת נָקַט אֵיל הַמִּלּוּאִים. וְהוּא הַדִּין לְאֵיל נָזִיר, דְּמִלּוּאִים כְּקָרְבַּן יָחִיד הֵן חֲשׁוּבִים:
Bartenura explica que "dentro" significa dentro da azará. Sobre "seu pão fora do muro", a guemará situa isso fora do muro de Beit Pagei; seus mestres explicaram que é fora do muro externo de Jerusalém — mas fora da azará apenas, o pão continua se consagrando. E embora esteja escrito "e apresentará sobre o sacrifício da todá fogaças", dando a entender que o pão deveria estar junto dela no momento do abate, não se interpreta "sobre" como exigência de proximidade estrita. Rambam lê "Beit Bagi" e explica que é lugar próximo ao Monte do Templo, fora do seu muro, onde se assavam as minchot, e por isso o chamavam assim, por analogia com "pat bag hamélech". Sobre "antes que formassem crosta no forno" — ainda não são pão, mas mera massa. "Abateu-a" com a intenção de comê-la fora de seu tempo devido: o pão se consagra e se torna piguul; com a intenção de comê-la fora de seu lugar devido: o pão se consagra e fica desqualificado. A razão de o pão se consagrar é que sua desqualificação ocorre dentro da santidade, e temos por regra que tudo cuja desqualificação ocorre dentro da santidade, a santidade o recebe. "Abateu-a e foi encontrada tereifá, o pão não se consagra", pois sua desqualificação é anterior ao abate. "Abateu-a e foi encontrada com defeito físico, Rabi Eliezer diz: consagrou" — a guemará situa isso em manchas nos olhos, defeito no qual Rabi Eliezer entende que, se o animal já subiu ao altar, não desce, por seu defeito não ser evidente; por isso o pão se consagra. A halachá não segue Rabi Eliezer. "Não em seu próprio nome" — o pão não se consagra, pois está escrito: "sobre fogaças de pão fermentado apresentará sua oferenda, sobre o sacrifício de sua oferenda de agradecimento e paz" — sobre um sacrifício abatido em nome da oferenda de agradecimento e paz. "E também o carneiro da inauguração" — por terem sido o início de todas as oferendas, menciona-se o carneiro da inauguração; e o mesmo vale para o carneiro do nazireu, pois a inauguração é considerada como oferenda individual.
Rashi explica que "abateu-a fora de seu tempo devido" significa com a intenção de comer dela um azeite (kezait) no dia seguinte, o que a torna piguul completo. "Ou fora de seu lugar" significa fora da azará. "O pão se consagra" e se torna piguul, já que a desqualificação ocorreu depois de um abate válido — feito, de qualquer modo, dentro da azará; mas se abateu não em seu próprio nome, o pão não se consagra, pois isso a retira completamente de sua santidade, já que abateu-a em nome de outro sacrifício. "E foi encontrada tereifá" — ao ser examinada, o pão não se consagra, pois a tereifá é uma desqualificação anterior ao abate.