Fechando o Perek Zayin, a sexta mishná fornece a base bíblica para a regra da mishná anterior: por analogia verbal com o sacrifício pascal, tudo o que vem por obrigação — e sempre as libações, em qualquer circunstância — deve vir de dinheiro não sagrado.
De onde se aprende que quem diz "sobre mim está trazer uma todá" não deve trazê-la senão de dinheiro não sagrado? Como está dito: "e sacrificarás o pesach ao Eterno teu Deus, do rebanho miúdo e do gado" — mas o pesach não vem senão de cordeiros e cabritos! Se assim é, por que se diz "rebanho miúdo e gado"? — A mishná parte de uma dificuldade no versículo do pesach: a lei estabelece que o cordeiro pascal só pode ser um cordeiro ou um cabrito, nunca um boi ou vaca; então por que o versículo menciona "gado" ao lado de "rebanho miúdo"?
Senão para equiparar tudo o que vem do gado e do rebanho miúdo ao pesach: assim como o pesach, que vem por obrigação, não vem senão de dinheiro não sagrado, também tudo o que vem por obrigação não deve vir senão de dinheiro não sagrado. — A resposta da mishná é que a menção de "gado" no versículo do pesach não visa ampliar quais animais podem servir de cordeiro pascal, mas estabelecer uma analogia verbal: toda oferenda vinda do gado ou do rebanho miúdo que seja trazida por obrigação (e não por doação voluntária) é equiparada ao pesach quanto à origem do dinheiro que a financia — sempre não sagrado.
Por isso, quem diz "sobre mim está trazer uma todá", "sobre mim está trazer uma oferenda de paz" — uma vez que vêm por obrigação, não devem vir senão de dinheiro não sagrado. E as libações, em qualquer caso, não devem vir senão de dinheiro não sagrado. — A mishná conclui aplicando o princípio: tanto a todá quanto a oferenda de paz comum, quando prometidas por voto ("sobre mim está"), tornam-se obrigações e devem ser financiadas com dinheiro não sagrado. Já as libações que acompanham qualquer oferenda nunca podem vir do segundo dízimo, nem mesmo nos casos em que a própria oferenda ou seu pão foram excepcionalmente permitidos a partir dele — pois as libações, sendo totalmente consumidas no altar, não são "comida" no sentido em que o segundo dízimo deve ser consumido pelo dono.
Rambam explica que a regra de que o pesach não vem senão de dinheiro não sagrado se aprende do pesach do Egito, que certamente foi de dinheiro não sagrado, pois naquele momento ainda não havia consagração alguma, já que a Torá ainda não havia sido dada; e foi dito: "e farás este serviço neste mês" — para que todos os serviços deste mês sejam como aquele: assim como o pesach do Egito não veio senão de dinheiro não sagrado, também o pesach das gerações não vem senão de dinheiro não sagrado. E já se sabe que quem diz "sobre mim está" se obriga naquilo por força do voto, e se responsabiliza por seu cumprimento. Quanto a "e as libações em qualquer caso" — mesmo nas cláusulas antes mencionadas, nas quais permitimos que o pão viesse do segundo dízimo, não se pode trazer as libações dessa todá do dízimo, pois, pelo sentido dos versículos, as libações devem vir daquilo que está ao alcance do próprio dono da oferenda, e nisso se distinguem, como está dito: "e apresentará aquele que apresenta sua oferenda ao Eterno".
מַה פֶּסַח שֶׁהוּא בָא בְחוֹבָה אֵינוֹ בָא אֶלָּא מִן הַחֻלִּין. דְּפֶסַח מִצְרַיִם לֹא בָּא אֶלָּא מִן הַחֻלִּין, שֶׁעֲדַיִן לֹא הָיְתָה לָהֶם שׁוּם תְּבוּאַת מַעֲשֵׂר שֵׁנִי, שֶׁאֵין מַעֲשֵׂר אֶלָּא מִשֶּׁנִּכְנְסוּ לָאָרֶץ, וּמַה פֶּסַח מִצְרַיִם לֹא בָּא אֶלָּא מִן הַחֻלִּין, אַף פֶּסַח דּוֹרוֹת אֵינוֹ בָּא אֶלָּא מִן הַחֻלִּין, שֶׁהֲרֵי הוּא אוֹמֵר (שמות יג) וְעָבַדְתָּ אֶת הָעֲבֹדָה הַזֹּאת בַּחֹדֶשׁ הַזֶּה, שֶׁיְּהוּ כָּל עֲבוֹדַת הַחֹדֶשׁ הַזֶּה כְּזֶה שֶׁל מִצְרַיִם:
אַף כָּל דָּבָר שֶׁבְּחוֹבָה. נַמִּי כוּ'. לְפִיכָךְ, הָאוֹמֵר הֲרֵי עָלַי תּוֹדָה אוֹ שְׁלָמִים, הוֹאִיל וְהֵן בָּאִים חוֹבָה, דְּקָאָמַר הֲרֵי עָלַי, לֹא יָבִיא אֶלָּא מִן הַחֻלִּין:
וְהַנְּסָכִים. אֲפִלּוּ אָמַר הֲרֵי עָלַי לְהָבִיא מִמַּעֲשֵׂר, לֹא יָבִיא אֶלָּא מִן הַחֻלִּין. דְּכִי שָׁרָא רַחֲמָנָא לַאֲתוֹיֵי שְׁלָמִים מִמַּעֲשֵׂר הָנֵי מִלֵּי שְׁלָמִים גּוּפַיְהוּ דִּבְנֵי אֲכִילָה נִינְהוּ, אֲבָל נְסָכִים דְּכָלִיל הֵם לֹא יָבִיאוּ מִן הַמַּעֲשֵׂר:
Bartenura explica que, assim como o pesach, que vem por obrigação, não vem senão de dinheiro não sagrado — pois o pesach do Egito não veio senão de dinheiro não sagrado, já que ainda não tinham nenhuma produção de segundo dízimo (que só existe depois de entrarem na terra) —, e assim como o pesach do Egito não veio senão de dinheiro não sagrado, também o pesach das gerações não vem senão de dinheiro não sagrado, pois está dito: "e farás este serviço neste mês", para que todos os serviços deste mês sejam como aquele do Egito. "Também tudo o que vem por obrigação" etc. — por isso, quem diz "sobre mim está trazer uma todá" ou "uma oferenda de paz", uma vez que vêm por obrigação (pois disse "sobre mim está"), não deve trazê-las senão de dinheiro não sagrado. "E as libações" — mesmo que tenha dito "sobre mim está trazê-las do dízimo", não deve trazê-las senão de dinheiro não sagrado; pois quando a Torá permitiu trazer a oferenda de paz do dízimo, isso se refere apenas à própria oferenda de paz, que é comestível, mas as libações, que são totalmente consumidas no altar, não devem vir do dízimo.
Rashi explica que "tudo o que vem do rebanho miúdo e do gado" refere-se à todá e à oferenda de paz que vêm por obrigação. Sobre "quem diz: sobre mim está trazer uma todá" etc., observa que é uma repetição desnecessária, pois já a ensinamos acima — a não ser pelo final, que é necessário, pois ensina "as libações em qualquer caso": mesmo quando se disse "sobre mim está o sacrifício" sem mencionar as libações, ou quando se disse "o sacrifício e as libações", e mesmo quando não se disse "sobre mim está" mas apenas "eis este", não se deve trazê-las senão de dinheiro não sagrado. Sobre "o excedente do pesach", explica, por exemplo, que alguém separou dinheiro para seu pesach e sobrou — esse é o excedente do pesach; ou, de outro modo, que separou seu pesach e este se perdeu, e separou outro em seu lugar, e depois o primeiro foi encontrado, sendo esse o excedente do pesach — de onde se aprende que ele é oferecido como oferenda de paz. "Para aquilo que vem do rebanho miúdo e do gado" refere-se à oferenda de paz.