Abrindo o Perek Chet, esta mishná estabelece a regra geral sobre a origem do grão das oferendas de refeição — de dentro ou de fora da Terra de Israel, novo ou velho — com duas exceções, e exige que, em qualquer caso, a farinha seja da melhor qualidade disponível, nomeando os lugares mais reputados.
Todas as oferendas de refeição, comunitárias e individuais, vêm da terra e de fora da terra, do novo e do velho, exceto o ômer e os dois pães, que não vêm senão do novo e da terra. — A mishná abre o capítulo com a regra padrão: ao contrário do que se poderia supor, a maioria das oferendas de refeição não está restrita quanto à procedência geográfica do grão nem quanto à safra — pode vir de dentro de Israel ou do exterior, da colheita deste ano ou de anos anteriores. Somente duas oferendas comunitárias específicas, o ômer (a medida de cevada trazida em dezesseis de Nissan) e os dois pães (trazidos em Shavuot), exigem grão novo e cultivado especificamente na Terra de Israel.
E todas elas não vêm senão do melhor. E qual é o melhor? Michmás e Zoniacha são o primeiro (alfa) para a farinha fina; segunda a eles, Chafaraim, no vale. — Embora a origem geográfica e a safra sejam, em geral, irrelevantes, a mishná introduz uma exigência distinta: todas as oferendas de refeição, sem exceção, devem vir do trigo de melhor qualidade. Ela então nomeia os lugares consagrados por produzirem a farinha mais fina: Michmás e Zoniacha em primeiro lugar, e a região de Chafaraim, no vale, em segundo.
Todas as terras eram aptas, mas dali é que traziam. — A mishná fecha esclarecendo que a exigência de qualidade não é uma invalidação formal de outras origens: em termos estritos de validade, o grão de qualquer região da Terra de Israel era apto para as oferendas. A prática de trazer especificamente de Michmás, Zoniacha e Chafaraim decorria do princípio de cumprir o preceito da forma mais excelente possível, e não de uma exigência absoluta de origem.
Rambam explica que, por lei da Torá, é apenas quanto ao ômer e aos dois pães que se exige que venham exclusivamente da terra e do grão novo. Assim disse o Misericordioso a respeito do ômer: "quando entrardes na terra que Eu vos dou, e ceifardes a sua colheita" etc.; e a respeito dos dois pães está dito: "de vossas habitações trareis pão de movimento", e ainda: "e apresentareis oferenda de refeição nova ao Eterno", e também: "a festa da colheita, dos primeiros frutos do teu trabalho". Mas as demais oferendas de animais, bem como os excedentes das oferendas de refeição e as libações, vêm tanto da terra quanto de fora dela, tanto do novo quanto do velho. E o sentido de "segunda a eles" é que essa farinha é inferior à primeira, e não se combina com ela, sendo tomada apenas em caso de necessidade. E o que diz "todas as terras eram aptas" significa aptas para trazer delas a farinha da oferenda de refeição individual e das libações, tanto do indivíduo quanto da comunidade, como disse no início da halachá.
כָּל קָרְבָּנוֹת. מִן הֶחָדָשׁ וּמִן הַיָּשָׁן. בִּמְנָחוֹת קָאָמַר:
שֶׁאֵינָן בָּאִים אֶלָּא מִן הֶחָדָשׁ. בָּעֹמֶר כְּתִיב (ויקרא כג) מִנְחָה חֲדָשָׁה, וּבִשְׁתֵּי הַלֶּחֶם כְּתִיב (שמות לד) בִּכּוּרֵי קְצִיר חִטִּים:
וּמִן הָאָרֶץ. בָּעֹמֶר כְּתִיב (ויקרא כג) כִּי תָבֹאוּ אֶל הָאָרֶץ וְגוֹ' וּקְצַרְתֶּם אֶת קְצִירָהּ, וּבִשְׁתֵּי הַלֶּחֶם כְּתִיב (שם) מִמּוֹשְׁבֹתֵיכֶם תָּבִיאוּ לֶחֶם:
מִכְמָס וְזוֹנִיחָה. שֵׁמוֹת שֶׁל מְקוֹמוֹת הֵן:
אַלְפָא לַסֹּלֶת. סֹלֶת שֶׁלָּהֶן רִאשׁוֹן וּמֻבְחָר לְכָל הַסְּלָתוֹת. כְּאָלֶ"ף זוֹ שֶׁהִיא רִאשׁוֹנָה לְכָל הָאוֹתִיּוֹת:
אַלְפָא. זוֹ אָלֶ"ף בְּלָשׁוֹן יְוָנִי:
שְׁנִיָּה לָהֶן. קְרוֹבָה סָלְתָּהּ לִהְיוֹת מְשֻׁבַּחַת כְּסֹלֶת מִכְמָס וְזוֹנִיחָה:
חֲפָרַיִם בַּבִּקְעָה. שְׁתֵּי חֲפָרַיִם הֵן, אַחַת בָּהָר וְאַחַת בַּבִּקְעָה, וְאוֹתָהּ שֶׁבַּבִּקְעָה הִיא שֶׁסֹּלֶת שֶׁלָּהּ מְשֻׁבַּחַת:
כָּל הָאֲרָצוֹת. שֶׁל אֶרֶץ יִשְׂרָאֵל הָיוּ כְּשֵׁרוֹת, אֶלָּא שֶׁמִּכָּאן הָיוּ מְבִיאִים:
Bartenura esclarece que "todas as oferendas" — do novo e do velho — refere-se às oferendas de refeição. "Que não vêm senão do novo": a respeito do ômer está escrito "oferenda de refeição nova", e a respeito dos dois pães está escrito "primícias da colheita de trigo". "E da terra": a respeito do ômer está escrito "quando entrardes na terra... e ceifardes a sua colheita", e a respeito dos dois pães está escrito "de vossas habitações trareis pão". "Michmás e Zoniacha" são nomes de lugares. "Primeiro para a farinha fina": a farinha desses lugares é a primeira e a melhor de todas as farinhas, como o álef, que é a primeira de todas as letras — "alfa" é o álef em língua grega. "Segunda a eles": sua farinha se aproxima em qualidade da farinha de Michmás e Zoniacha. "Chafaraim, no vale": há duas Chafaraim, uma na montanha e outra no vale, e é a do vale cuja farinha é excelente. "Todas as terras": de Israel eram aptas, mas dali é que traziam.
Rashi explica que "todos os קרבנות" de que fala a mishná são, especificamente, as oferendas de refeição. Sobre "primeiro para a farinha fina", explica que, assim como o álef é a cabeça de todas as letras, a farinha desses dois lugares — Michmás e Zoniacha — é a cabeça de todas as farinhas; ou, de outro modo, que "alfa" significa "um", de modo que a farinha desses dois lugares é singular, única em sua excelência. Sobre "todas as terras", explica que se refere às terras de Israel — como Judeia, a Transjordânia e a Galileia — que eram todas aptas. "Mas dali é que traziam": porque há o preceito de trazer da melhor qualidade disponível.