E havia ali um lugar, de um côvado por um côvado, com uma laje de mármore, e um anel estava fixado nela, e uma corrente da qual as chaves ficavam penduradas. Chegada a hora de fechar, levantava-se a laje pelo anel, e tomavam-se as chaves da corrente; e o sacerdote fechava por dentro, e o filho do levita dormia por fora. Terminando de fechar, devolvia as chaves à corrente e a laje a seu lugar, colocava sua veste sobre ela, e dormia ali. Sobrevindo a um deles polução, saía e ia embora pela passagem que corria sob a Bira, com as lâmpadas acesas de um lado e de outro, até chegar ao lugar de imersão. Rabi Eliezer ben Yaakov diz: pela passagem que corre sob o Chel saía e ia embora, pelo portão de Tadi.
Conclui-se o capítulo com um detalhe minucioso do sistema de fechamento das portas do átrio à noite: uma laje de mármore escondendo um anel e uma corrente de chaves, o ritual de fechar com o sacerdote por dentro e o levita por fora, e a rota alternativa, por passagens subterrâneas iluminadas, para o sacerdote que sofresse uma emissão seminal noturna e precisasse alcançar o lugar de imersão sem atravessar o átrio consagrado — encerrando, com essa nota prática, a descrição dos postos de guarda do Templo.
Rambam explica que Rabi Eliezer ben Yaakov diz que esse sacerdote imerso naquele dia não retorna à Câmara da Fogueira, mas sai para o Monte do Templo, pois Tadi é o portão norte dentre os portões do Monte do Templo, como já se mencionou neste capítulo. E não é a lei como Rabi Eliezer ben Yaakov.
Bartenura explica: “chegada a hora de fechar” — de fechar os portões do átrio. “O sacerdote por dentro e o filho do levita sentava-se por fora” — porque os levitas são subordinados aos sacerdotes, como está dito (Bamidbar 18): “e se ajuntarão a ti e te servirão”; por isso, na Câmara de Avtinas e na Câmara da Faísca, que tinham andares superiores, os sacerdotes vigiavam em cima e os levitas embaixo; e na Câmara da Fogueira, que era apenas uma abóbada ao nível do chão, o sacerdote ficava por dentro e o filho do levita por fora.
“Pela passagem” — pela galeria que corria sob a Bira, pois havia uma galeria sob o Templo; e todo o Templo é chamado Bira, como está escrito (Divrei HaYamim I 29): “para a Bira que preparei”. E, por ser um homem com polução, não caminhava pelo átrio, mas pelas galerias, pois estabelecemos que as galerias não foram consagradas. “E as lâmpadas acesas” — na galeria, de um lado e de outro.
“Pela passagem que corre sob o Chel, saía” — e não voltava à Câmara da Fogueira, por ser imerso naquele dia; e não é a lei como Rabi Eliezer ben Yaakov, mas como ensinamos no início de Tamid: vinha e se sentava junto a seus irmãos sacerdotes, na Câmara da Fogueira, até que os portões se abrissem, e então saía e ia embora — pois, ainda que um imerso naquele dia não pudesse entrar no pátio das mulheres, isto é, o acampamento levítico, aqui foram leniente, porque ele se contaminara dentro do próprio recinto.
Com esta mishná, encerra-se o Perek Alef, primeiro capítulo de Massechet Midot, dedicado inteiramente à descrição dos postos de guarda do Segundo Templo. Percorreu-se, ao longo de nove mishnayot, a rede completa de vigilância noturna: os três postos sacerdotais e os vinte e um postos levíticos (1:1); a ronda do encarregado e a punição do levita flagrado dormindo (1:2); os cinco portões externos do Monte do Templo, culminando no portão oriental por onde saía o sumo sacerdote da vaca ruiva (1:3); os sete portões do átrio, com destaque ao portão de Nicanor e suas duas câmaras (1:4); o portão da Faísca e o início da descrição da Câmara da Fogueira (1:5); as quatro câmaras internas dessa câmara, cada uma com sua função (1:6); os dois portões da Câmara da Fogueira e a ronda matinal de revista do átrio (1:7); a estrutura física da câmara e os que ali dormiam (1:8); e, por fim, o sistema de fechamento noturno das portas, com a laje de mármore, a corrente de chaves e a rota subterrânea reservada ao sacerdote impuro (1:9).
Massechet Midot, dedicada à descrição arquitetônica do Segundo Templo, não possui Guemará no Talmud Bavli; por isso, apoiou-se em Rambam e Bartenura como comentadores centrais, sem seção de mefarshim talmúdicos. É o décimo tratado de Seder Kodashim. Seguem-se, na ordem, o Perek Bet e os demais capítulos do tratado, que continuarão a descrição do Templo: seus muros, câmaras, o altar, o Santuário e suas dependências.