Massechet Midot, o décimo tratado de Seder Kodashim, é dedicada inteiramente à descrição arquitetônica do Segundo Templo: suas dimensões, muros, portões, câmaras, o pátio, o altar e o Santuário. Diferentemente da maioria dos tratados de Kodashim, que tratam de leis do serviço sacrificial, Midot é essencialmente descritivo — um relato quase topográfico, atribuído em parte a um testemunho ocular de Rabi Eliezer ben Yaakov, que serviu no próprio Templo. Por essa razão, e como Eduyot, o tratado não possui Guemará no Talmud Bavli: é composto de mishnayot puras, sem o debate amoraico que caracteriza a maior parte do Talmud. O comentário desta biblioteca apoia-se, portanto, em Rambam (Perush HaMishná, com as figuras que ele próprio desenhou para ilustrar a planta do Templo) e em Bartenura como mefarshim centrais.
O Perek Alef abre o tratado com os postos fixos de vigia noturna no Templo: três para os sacerdotes e vinte e um para os levitas, distribuídos pelos portões e ângulos do Monte do Templo e do átrio (1:1); a ronda do encarregado da vigilância, tochas em punho, e a punição do levita flagrado dormindo em seu posto — com o testemunho pessoal de Rabi Eliezer ben Yaakov sobre o próprio tio (1:2); os cinco portões externos do Monte do Templo, culminando no portão oriental, ornado com a figura de Susã, por onde saía o sumo sacerdote que queimava a vaca ruiva (1:3); os sete portões do átrio — três ao norte, três ao sul, um a leste —, com o portão de Nicanor e suas duas câmaras laterais (1:4); o portão da Faísca, em forma de pórtico com andar superior, e o início da descrição da Câmara da Fogueira (1:5); as quatro câmaras internas dessa câmara, cada uma com função própria — os cordeiros da oferenda, o pão da proposição, as pedras do altar profanadas pelos gregos, e o acesso ao lugar de imersão (1:6); os dois portões da Câmara da Fogueira e a pequena porta usada na ronda matinal de revista do átrio (1:7); a estrutura física da câmara, abobadada e cercada de socos de pedra, onde os anciãos dormiam com as chaves em mãos e os sacerdotes jovens no chão (1:8); e, por fim, o sistema de fechamento noturno das portas, com a laje de mármore, a corrente de chaves e a rota subterrânea reservada ao sacerdote que sofresse polução (1:9). O Perek Bet avança para dentro do complexo: as dimensões do Monte do Templo e a distribuição desigual de seu espaço livre (2:1); o sentido de circulação e a rota inversa do enlutado e do excomungado (2:2); o Soreg com suas treze brechas históricas, o Chel e as medidas padronizadas de portas e portões (2:3); o muro oriental propositalmente baixo, ligado ao ritual da vaca ruiva (2:4); o átrio das mulheres, suas quatro câmaras funcionais e a sacada que separava homens e mulheres na Simchat Beit HaShoeivah (2:5); e as câmaras de instrumentos musicais dos levitas, as medidas finais do átrio e o catálogo dos treze portões (2:6). O Perek Guimel volta-se para o altar de sacrifícios: suas camadas e medidas exatas, do fundamento ao lugar da pilha de lenha, com o acréscimo dos filhos do exílio apoiado em Yechezkel (3:1); o escoamento do sangue pelo canto sudoeste até o vale de Kidron (3:2); a laje de mármore sobre o poço de limpeza e a rampa de acesso com sua janela para aves desqualificadas (3:3); a origem intocada por ferro das pedras do altar e da rampa, e a caiação periódica (3:4); os anéis e o matadouro ao norte do altar, com pilares, ganchos e mesas de mármore (3:5); a bacia de água e os doze degraus até o Ulam (3:6); o portal monumental do Ulam com suas cinco vigas sobrepostas (3:7); e as varas de sustentação, as correntes de ouro ligadas às coroas proféticas de Zacarias, e a videira dourada de doações voluntárias (3:8). O Perek Dalet passa para o edifício do Heichal propriamente dito: o portal do Santuário e suas quatro portas, com a disputa de Rabi Yehudá sobre seu formato articulado (4:1); as duas portinholas do grande portão, a do sul jamais aberta por causa da profecia de Yechezkel (4:2); as trinta e oito câmaras que cercavam o edifício em três andares (4:3); a largura crescente de cada andar dessas câmaras, fundamentada no relato do Templo de Salomão (4:4); o percurso da mesibá em espiral até o portal do sobrado, e as claraboias pelas quais os artesãos eram descidos em caixas para não contemplar o Santo dos Santos (4:5); a altura total de cem côvados do Heichal, camada por camada, até o espanta-corvos de ferro (4:6); e o levantamento horizontal completo de todo o complexo, encerrado pela imagem do Santuário estreito atrás e largo à frente, como um leão (4:7). O Perek Hei, mais breve do tratado, fecha o levantamento com as medidas totais do pátio nos dois eixos (5:1–5:2) e suas seis câmaras funcionais, três ao norte — sal, parvá e lavadores (5:3) — e três ao sul — madeira, exílio e pedra lavrada, sede do grande Sinédrio, que examinava a linhagem sacerdotal e celebrava, com vestes brancas e uma bênção, a pureza da semente de Aarão (5:4). Segue-se agora o estudo de Massechet Kinim, o último tratado de Seder Kodashim, dedicado às oferendas de aves.